Resenha: “hopeless fountain kingdom” (2017) – Halsey

Photo: Courtesy Astralwerks/Brian Ziff

O aguardado segundo álbum da Halsey chegou ao conhecimento do público nesta sexta-feira (02), com o título “hopeless fountain kingdom”. Sucessor do ótimo disco de estreia, “Badlands”, de 2015, o trabalho mostra o amadurecimento da cantora e explora mais da sua personalidade e suas vivências.

“hopeless fountain kingdom” é um disco para ser ouvido do começo ao fim, sem pular faixas e sem inverter a ordem. A edição deluxe possui 16 músicas na tracklist e é a versão que aconselho a ser ouvida. O álbum conta uma história e tem como tema e inspiração principal a peça “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare. Logo em “The Prologue”, primeira faixa, podemos ouvir Halsey recitar o prólogo da peça, ditando o tom que teremos pelo disco todo.

Em seguida, com “100 Letters”, podemos ouvir Halsey contando sobre um relacionamento tóxico num pop gostosinho e refrão que já grudou na minha cabeça. “Eyes Closed” foi lançada no começo de maio e foi co-escrita com The Weeknd. A parceria é bem notável, principalmente na melodia, e lembra muito os trabalhos próprios de Abel. Particularmente, eu gosto muito da versão intimista que ela divulgou pouco antes do lançamento do disco, onde ela toca sozinha e mostra sua qualidade vocal, como você pode ver abaixo.

As próximas duas faixas, “Heaven In Hiding” e “Alone” são conectadas e contam dois pontos de vista de pessoas que estão numa mesma festa, segundo Halsey. Ambas são muito diferentes, sendo que a primeira conta com batidas mais fortes e um vocal mais potente da artista. “Alone” já vem com uma vibe retrô e, como definida pela própria Halsey, com estilo “Gatsby”.

“Now or Never”, primeiro single do trabalho, vem na sexta faixa e também tem a presença forte do tema “Romeu e Julieta”, principalmente no seu videoclipe, que foi co-dirigido pela cantora. A música não foge muito do seu trabalho em “Badlands” e foi uma aposta segura como single, ainda mais de estreia.

Uma das minhas favoritas de “hopeless fountain kingdom” é a sétima faixa, intitulada “Sorry”. Nela, conseguimos ouvir uma Halsey mais vulnerável, numa balada acompanhada de piano e com letras que falam sobre suas inseguranças e medos pessoais. A música é seguida pelo interlúdio “Good Mourning”, com a voz de seu irmão mais novo, de apenas 12 anos, e que muda um pouco a narrativa do álbum a partir dele.

“Lie” tem a participação do rapper Quavo, integrante do grupo Migos, e foi caracterizado pela cantora como a música mais difícil de escrever do disco. Com apenas 2:29, a faixa também lembra muito o mais novo disco de The Weeknd, “Starboy”, apesar de não ter participação dele na composição. Falando em influências, em “Walls Could Talk”, Halsey traz óbvias inspirações em artistas como Britney Spears e Justin Timberlake no começo das carreiras, nos anos 90, com um pop de batida marcada, perfeito para coreografias, e vários “oh oh oh”.

A música “Bad Love” vem com versos rápidos, característicos de Halsey, e mostra claramente um lado bem pessoal dela: sua bissexualidade. Assim como em outras faixas do disco, a cantora canta abertamente sobre homens e mulheres, com pronomes masculinos e femininos. E essa é uma das faixas em que ela, naturalmente, trata disso. A próxima, “Don’t Play”, é mais sóbria e mostra ares hip hop de Halsey, mas não é uma música que chamou muito minha atenção, para ser sincera.

Outra música que já havia sido liberada, “Strangers” conta com Lauren Jauregui, do grupo Fifth Harmony. Os vocais das duas cantoras combinam muito, principalmente quando elas cantam ao mesmo tempo, sendo muito harmônico. Halsey revelou que esta foi a primeira música que ela compôs usando pronomes femininos, o que mostra mais do seu amadurecimento e autoconhecimento. Sabemos bem como representatividade é importante e ter uma cantora jovem falando sobre esses assuntos abertamente é muito, muito legal.

“Angel On Fire” é uma música que, aparentemente, é uma conexão com “Alone”, por mostrar os momentos após uma festa, tanto com as lembranças boas como os momentos de “ansiedade severa”. Em seguida, “Devil In Me” é a composição em conjunto com a australiana Sia e que, mesmo antes de saber desse fato, eu já havia imaginado que tivesse dedos dela na faixa. A melodia e o estilo de composição de Sia aparecem muito claramente no refrão, misturados com o jeito rápido de cantar de Halsey.

Para finalizar “hopeless fountain kingdom”, temos novamente uma parceria de Halsey com o produtor Cashmere Cat, que também participou de “Now or Never”. A música “Hopeless” é bem diferente de todo o restante do álbum, se tratando da melodia e dos instrumentos, com uma influência mais eletrônica, apesar de ser quase uma balada em termos de ritmo.

No segundo disco de sua carreira, Halsey mostra mais da sua personalidade e da sua vida, com músicas ainda mais vulneráveis e pessoais, sobre sua sexualidade, sua bipolaridade e relacionamentos amorosos.

“hopeless fountain kingdom” possui ótimas faixas, mas também conta com algumas esquecíveis, o que não altera o valor de seu contexto e do notável crescimento da cantora. Ao mesmo tempo que vemos uma evolução desde “Badlands”, também conseguimos enxergar a Halsey que ficou famosa por “Colors” e “Ghost”, sem perder a sua identidade pop e moderna.

Tracklist:

  1. The Prologue
  2. 100 Letters
  3. Eyes Closed
  4. Heaven In Hiding
  5. Alone
  6. Now or Never
  7. Sorry
  8. Good Mourning
  9. Lie (ft. Quavo)
  10. Walls Could Talk
  11. Bad At Love
  12. Don’t Play
  13. Strangers (ft. Lauren Jauregui)
  14. Angel On Fire
  15. Devil In Me
  16. Hopeless

Nota: 8

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Marina Moia

Jornalista, bauruense de coração e apaixonada por música desde que se conhece por gente. Viciada em séries, amante de livros e colecionadora de batons coloridos.

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