Resenha: “Índigo Borboleta Anil” – Liniker (2021)

Liniker
Foto: Divulgação
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MAR ABERTO

A característica hipnotizante da voz da cantora brasileira Liniker é capaz de fazer o seu ouvinte viajar – com suas variações de notas, tons diversos e suavidade de pronúncia – para o universo que ela decide criar em suas obras. O álbum “Índigo Borboleta Anil”, primeiro long play (LP) solo da artista, é uma prova completa disso.

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MAR ABERTO

Lançado nessa última quinta-feira (09), como você pôde conferir aqui na Nação da Música, o disco é trajetória auditiva completa pelo alcance vocal, criativo e emocional dela – tratando sobre inúmeras formas de afeto, relacionamentos e reflexões, que tornam ele, um mix de samba, MPB, groove e blues, em uma obra extremamente coesa.

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Com a participação de Milton Santos, Tássia Reis, Orkestra Rumpilezz e Orquestra Jazz Sinfônica, o “Índigo Borboleta Anil” traz diversos inputs para o universo de Liniker, mas é fascinante como não foge das mãos dela por um segundo – estamos ouvindo sobre Liniker ao longo das onze faixas e nada tira o holofote da artista. “Eu me vejo nele”, contou a cantora em comunicado de sua assessoria, afirmando também: “é um álbum de música do começo ao fim: nas pausas, nos silêncios, nos textos e nas trocas”. Os quase cinquenta minutos do disco também adicionam algo à singularidade dele, tendo faixas mais longas que permitem a exploração completa de muitas das memórias, experiências e pensamentos da cantora.

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Iniciando com a faixa “Clau”, Liniker abre o álbum com uma homenagem à sua cachorra chamada Claudete, pingando de amor e também servindo como uma metáfora sobre amar algo, ou alguém, independente de alguns obstáculos. Junto com a Orquestra Jazz Sinfônica, a música parece fazer parte da trilha sonora de um filme, misturando guitarras elétricas, violinos e percussão e criando um soul carinhoso. Contando com latidos de “Clau” no final, a canção é uma declaração de afeto puro.

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A primeira composição da artista, feita aos seus 16 anos, é a faixa que segue – “Antes de Tudo” – e é um momento exemplar de como Liniker consegue transportar o ouvinte. Com o ritmo, nos sentimos em um salão de baile no Rio de Janeiro dos anos 40 – ou nos filmes que se passam nessa época – abusando, de uma maneira incrível, de saxofones e instrumentos de sopro da Orkestra Rumpilezz. O jazz animado que permeia a faixa reflete as letras, que contam sobre Liniker perder o medo, voar e estar, por fim, livre para encontrar a si mesma.

Lili” é a terceira faixa do disco e é uma carta de amor aberta para seu próprio eu – traduzindo sua personalidade, espírito e aparência no inglês, que ela pronuncia com um sotaque brasileiro encantador. Contando de novo com a participação da Orquestra Jazz Sinfônica, a canção é um exemplo de um jazz-pop que leva a audiência para um plano de tranquilidade e reflexão. “Quando você cuidar de seu coração, quando você amar sua alma / Talvez você possa encontrar Lili”, é um dos versos que revelam que a faixa é mais do que aparenta, conseguindo contar sobre sua trajetória de auto-aceitação nessas duas frases, por exemplo.

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Psiu” é a próxima música e é um dos singles que havia sido revelado antes do lançamento do disco, mostrando o blues tradicional pelo qual a banda Liniker e os Caramelows é conhecido – só que com um toque pessoal da artista. Usando de efeitos vocais, como o eco, em alguns momentos da canção e de poucas, mas marcantes, batidas eletrônicas, Liniker convoca uma energia romântica com versos emocionais e poéticos – e prova seu talento imensurável de entorpecer com a mistura de voz e produção.

Com metáforas cósmicas para descrever a espiritualidade do afeto e da intuição, “Lua de Fé” é a faixa seguinte. “Eu senti a energia da criança e eu não sabia da gravidez. Acho bonito poder cantar sobre o nascimento do filho de uma contemporânea e de uma pessoa pela qual eu tenho uma verdadeira paixão artística”, conta Liniker sobre a inspiração por trás – descrevendo quando percebeu que sua amiga Luedji Luna estava grávida. Ao usar versos como “Quando te abracei, senti / Que não tava só / Tu e eu ali” e o potencial completo da Orquestra Jazz Sinfônica, a artista cria uma aura de conto de fadas e nos leva numa trajetória maternal, que também aparece na próxima canção.

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Liniker, em “Lalange”, começa recitando um sonho seu, no qual ela retorna à sua creche já adulta e começa a procurar sua versão criança – mas não a encontra em lugar nenhum, mesmo que sua mãe a acompanhe na busca, nunca deixando seu lado. Essa faixa é importante para a cantora, que diz ser fundamental falar sobre as crianças negras e suas mães – que por muitas vezes não conseguem viver em boas condições devido às intolerâncias da sociedade. Com participação de Milton Santos, as duas potências musicais refletem sobre suas ancestralidades como pessoas negras e sobre como essas figuras maternas estão constantemente cansadas por ter de defender suas crianças de um mundo que as coloca no alvo todos os dias.

Baby 95” é o pilar do afeto e amor romântico em “Índigo Borboleta Anil”, com a cantora versando por cima de uma batida que varia de samba a jazz tradicional e contando sobre esse sentimento intenso e certos momentos dele que merecem ser destacados. Lançado em 09 de junho desse ano, 2021, como você pôde ler sobre aqui na NM, a faixa é um momento sensual e divertido – mostrando mais da versatilidade imensa de Liniker.

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A música “Presente” é única entre as onze do disco, misturando de maneira completamente contínua a participação de beats artificiais e instrumentos tradicionais – com destaque para a percussão marcada e os instrumentos de sopro ao longo dos versos da canção. Junto a isso, ela também é outra faixa em que a artista entorpece seu ouvinte, levando ele nessa jornada usando as cordas como estrada.

Começando com um disco sendo girado, a música “Diz Quanto Custa” é uma parceria entre Liniker e a cantora Tássia Reis – e apresenta um samba-rock dançante, que mistura os instrumentos principais dos dois gêneros mixados. Cantando com muita emoção, as duas recitam versos como “Diz quanto custa para a sua ousadia acabar?” e “Tu fez sua cama / E eu não vou deitar!” e expressam seu desprezo em meio a risadas e terminando com Tássia Reis disparando: “Canalha!”.

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Vitoriosa” é a última faixa oficial de “Índigo Borboleta Anil”, entregando um samba tradicional, no qual a cantora fala sobre um amor ao mesmo tempo que celebra as raízes brasileiras em frases como “Vitória / Você tão Brasil no jeito”. O foco na voz profunda e encantadora de Liniker e a liberdade que ela tem de exprimir as palavras da maneira que ela quiser é o que constrói uma experiência cinematográfica na canção.

O real fim do disco, no entanto, é “Mel”, que nos leva para dentro do estúdio junto com a artista – contando com conversas entre ela e seus produtores, tentativas vocais suas e toques de seu próprio violão. A faixa, por sua intimidade, é um dos momentos mais envolventes do álbum e um ponto final perfeito para essa trajetória.

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Liniker consegue, com “Índigo Borboleta Anil”, provar de novo e de novo a sua própria potência artística e seu talento imensurável – exposto por completo nesse solo. Enquanto o disco tem momentos em que acaba se travando em toques e batidas similares demais – as letras poéticas da cantora compensam tudo e nos colocam de volta na rota criada para o ouvinte. Outra face do projeto que torna ele extremamente encantador e fascinante é a exposição das raízes e ancestralidades de Liniker e seu orgulho completo de sua brasilidade e negritude, permitindo que nós como audiência conheçamos a artista de uma maneira que nunca foi possível antes.

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RESUMO DA RESENHA
Liniker - "Índigo Borboleta Anil"
Estudante de jornalismo, não-binárie e apaixonade por música. Sempre aberte para ouvir qualquer gênero, artista ou década. O universo do pop, principalmente hyperpop, k-pop e synthpop, é onde eu vivo e sobrevivo.