Resenha: “Muzz” — Muzz (2020)

Muzz
Divulgação
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@nacaodamusica

Nesta sexta-feira (5), Paul Banks nos agraciou com um novo álbum, dessa vez com o projeto formado ao lado de John Kaufman (Bonny Light Horseman) e Matt Barrick (The Walkmen), a banda Muzz.

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A amizade deles não é recente. Barrick foi baterista no disco “Anything But Words”, do projeto Banks & Steelz, formado pelo vocalista do Interpol ao lado do rapper RZA (Wu Tang Clan). Kaufman e Banks se conhecem desde a adolescência, tendo estudado juntos durante o colegial, de acordo com informações da Rolling Stone.

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O disco homônimo foi produzido pelo trio, junto com D. James Goodwin, que trabalhou com a banda The National na mixagem da música “Turn On Me”, que integra a trilha sonora da série “Game of Thrones”.

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Em entrevista concedida à Kyle Meredith, e publicada no site Consequence of Sound, Banks listou Leonard Cohen, Bob Dylan e Neil Young como as principais inspirações para a criação desse trabalho.

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As letras são creditadas à todos, mas quem conhece o trabalho do vocalista sabe como suas criações apelam pra um senso mais íntimo e profundo de sentimentos que existem em nós, com “Muzz” não é diferente.

“Bad Feeling” foi o primeiro single divulgado, a princípio sem muito alarde no Soundcloud e mais tarde no Spotify. A faixa traz um tom melancólico e acolhedor ao ouvinte, com letras que transpassam paz e até mesmo perdão, como se o narrador tivesse aceitado todos os seus erros e desse adeus aos “sentimentos ruins”.

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O ritmo de “Evergreen” é destoante da primeira faixa, visto que começa com uma pegada mais eletrônica, levemente distorcida, mas nada que modifique da harmonia geral do disco. Assim como o significado do termo, que pode indicar um sentimento “persistente”, a faixa narra uma angústia constante.

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Em entrevista concedida ao ator Michael Shannon (“Pearl Harbor” e “Animais Noturnos”), e publicada na conta oficial do Muzz no Youtube, Paul declarou que ao escrever uma canção ele tenta caminhar pelo subconsciente, utilizando interjeições que não são muito claras, mas que tendem a “causar reações emotivas de alguma forma”.

“Red Western Sky” é a terceira faixa do disco, sendo também o terceiro single divulgado por eles. Nela, a melancolia sai um pouco de cena, com o piano e a bateria marcando uma presença maior e levemente mais enérgica ao disco. O narrador pede uma orientação, algo pelo qual ser devoto e que dê sentido ao que ele sente/deseja.

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O clipe dessa faixa (assim como o de “Knuckleduster”, sobre a qual falaremos em breve) foi gravado no American Treasure Tour Museum, que abriga inúmeras coleções de itens como câmeras, caixas de som, brinquedos, carros clássicos, bonecos, entre outros.

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A combinação melódica de “Patchouli” lembra o estado submerso em que nos afundamos, quando nos perdemos muito tempo em nossas cabeças e geralmente criamos cenários e conversas, o que não é muito diferente nesse caso já que “Is this ever deadly?/She said/”Wait and see”.”

Com “Everything Like It Used To Be” sentimos a influência do folk rock para a banda, é onde entendemos como Neil Young se encaixa nessa obra. “Broken Tambourine” foi o segundo single lançado por eles, com um belíssimo clipe retratando a solidão de um astronauta e muito possivelmente a saudade que ele sente de casa; “I know which way to leave/Despite all my choices/High on everything”.

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Quando prestamos atenção na letra de “Knuckleduster”, podemos lembrar das inúmeras manifestações políticas que tem acontecido ao longo dos últimos anos (e recentemente também, claro); “Like some alternate ending/The streets are on fire/Riot ascending high”.

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Aqui, como em “Red Western Sky”, também conhecemos um lado mais animado e otimista do trio, saindo dos melodias mais entristecidas comentadas previamente.

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A melodia evocando um sonho volta a estar presente em “Chubby Checker”, que também narra uma conversa real ou não, vai da interpretação de cada um. E quem estava com saudade do álbum “Julian Plenti is… Skyscraper” de 2009 talvez se sinta abraçado por faixas como “How Many Days” eSummer Love”.

“All Is Dead To Me” tem momentos orquestrais enquanto o narrador fala sobre a sensação de distanciamento com tudo o que existe ao seu redor, essa noção tem continuidade em “Trinidad”, que teve a versão acústica divulgada recentemente.

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“Muzz” é um álbum muito bem produzido, no qual os instrumentos conversam harmoniosamente entre si; o piano combina com a bateria bem como com o violão e o clarinete, é notável. As faixas são reconfortantes e, de fato, apelam para o lado subconsciente (ao meu ver) citado anteriormente nessa resenha.

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Contudo, talvez devessem ter sido melhor organizadas para demonstrar um senso de continuidade, a menos que a proposta final não seja esse tipo de coisa e sim afirmar a inconstância de nossos sentimentos (coisa que, vindo de Paul Banks, eu não duvido muito).

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RESUMO DA RESENHA
Muzz - Muzz
Jornalista, apaixonada por música, livros e cultura em geral.
O auto-intitulado álbum dá um bom tom inicial ao novo projeto dos músicos, pois embora traga sonoridades já conhecidas é sempre agradável ouvir mais de músicos talentosos. resenha-muzz-muzz-2020