Resenha: “Pressure Machine” – The Killers (2021)

The Killers
Foto: Olivia Bee
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“Pressure Machine” é o segundo disco de estúdio lançado pelo The Killers em meio a pandemia e o sétimo em sua carreira, sucedendo “Imploding The Mirage” (2020). A produção ficou a cargo de Jonathan Rado, conhecido tanto por estar na lista técnica do álbum previamente mencionado quanto pelo seu trabalho com Father John Misty, e Shawn Everett, produtor de artistas como Adele, Hozier, Alabama Shakes e outros.

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O disco, que foi gravado no Battle Born Studios, em Las Vegas, atingiu a segunda posição da lista “Top Alternative”, da Billboard, no mês de lançamento e permaneceu na tabela ao longo de duas semanas. Enquanto isso, no mercado britânico, esse trabalho inédito conseguiu desbancar Olivia Rodrigo e conquistou o topo da tabela oficial.

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A princípio, o vocalista Brandon Flowers e o baterista Ronnie Vannucci Jr desejavam utilizar as canções que foram descartadas do “Imploding The Mirage” nesse novo disco. Porém, acabaram embarcando num mar de emoções completamente diferentes, conforme relatou Vanucci à NME:

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“Nós quisemos seguir esse sentimento. Eu lembro dele [Brandon] me dizer ‘Me siga por esse caminho’. Então, deixamos as antigas músicas de lado e embarcamos em algo totalmente novo e atualizado”.

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Sendo assim, as letras retratam muitas histórias de Nephi, localizada em Utah, onde Flowers passou parte da sua vida. As músicas trazem introduções com vozes de diversas pessoas relatando as experiências que tiveram lá e abordam temas como abuso de drogas, pobreza, crimes, homofobia e depressão.

As composições, com exceção dos previamente citados prólogos, são creditados a Brandon Flowers, Rado, Ronnie Vannucci Jr., David Keuning, que retornou a banda, e ao produtor Jonathan Rado. A sonoridade aqui, ao contrário de “Imploding”, está mais focada nos gêneros folk rock e americana, lembrando obras de artistas como Bob Dylan, Johnny Cash e Bruce Springsteen.

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Inclusive, o disco “Nebraska”, lançado em 1982 pelo autor de “Born To Run”, foi citado como uma das inspirações enquanto eles estavam gravando. À Rolling Stone, Flowers revelou um pouco mais sobre as inspirações que teve para compor esse álbum:

“Na atmosfera, havia um anseio nostálgico e um pouco de tristeza. Eu comecei a pensar sobre onde eu estava na década de 90 e essas histórias de certa forma floresceram. Enquanto as escrevia, eu pensava em coisas como o livro “Winesburg, Ohio”, de Sherwood Anderson e “Pastures of Heaven”, de John Steinbeck, nos quais as histórias relatadas ocorrem em apenas um cenário. Por alguma razão, eu tive a audácia de tentar o mesmo. Quando notei que elas seriam ambientadas aqui [em Nephi] e que seriam baseadas em histórias reais, o restante simplesmente caiu nos nossos colos”, declarou.

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“West Hills” é a faixa de abertura dessa narrativa, buscando instrumentalmente situar o ouvinte nessas histórias aos poucos, para que realmente possam imergir nessas vivências. Nela, somos apresentados inicialmente a três indivíduos que nasceram, moram e pretendem continuar morando na cidade e, apesar de uma das pessoas declarar ser um local “bom para morar e criar as crianças”, também notamos o quanto pode ser perigoso para pessoas que são diferentes: “e eles tentaram prendê-lo em um mastro ou uma árvore na escola”.

Em seguida, ouvimos o relato sobre um acidente de trem. Eventualmente, o locutor relaciona esse acontecimento com “uma saída dessa vida”. “Quiet Town” é baseada na tragédia que aconteceu em 1994, envolvendo um casal da cidade, conhecido por Brandon. Apesar de se tratar de circunstância triste, o instrumental é estimulante e nos dá energia para seguir em frente.

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“Aqui, 25 anos depois, eu ainda estava me sentindo afetado por esse acidente de trem, da época em que estava na oitava série; dois veteranos do meu colegial foram assassinados. Eu havia visto um deles pela manhã, eles tinham acabado de ter um filho. Eu não precisei de ajuda psicológica, eles não eram meus melhores amigos, mas eu fiquei impactado sobre o quanto me deixou emotivo escrever esse verso”.

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O título “Terrible Thing” não é uma alusão, é um fato. A terceira canção de “Pressure Machine” expõe a história de um garoto sob uma atmosfera sombria: criado como mórmon, o jovem luta contra a sua sexualidade. Por ser gay, ele não se sente completamente conectado com a sua fé. E, morando numa cidade pequena, ele se sente completamente perdido.

“Existem diversas pessoas inseguras sobre o seu lugar nesse mundo, sejam eles homossexuais ou apenas os que percebem o quanto a adolescência é um período complicado. A beleza desse álbum é ser sobre Nephi, em Utah, e, ao mesmo tempo, ser sobre qualquer cidade”, explicou o baterista Ronnie Vannucci Jr.

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A introdução de “Cody” traz o trecho de uma entrevista com um residente da cidade, onde ele fala sobre sua fé inabalável nos “poderes superiores”. Porém, este é um relato sobre um garoto que não acredita tanto assim em religião ou seres superiores e, insatisfeito, fala sobre o quanto a população está continuamente “esperando por um milagre”. A faixa traz um solo de guitarra incrível feito por David Keuning, bastante elogiado por Flowers e descrito à NME como “provavelmente o momento de guitarra mais alto da história do Killers”. Eu adorei”.

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Na sequência, temos a esperançosa “Sleepwalker”. No trecho introdutório, ouvimos uma mulher falando sobre crianças poderem carregar armas e caçarem animais e, ao longo dos versos, Flowers tenta evocar no ouvinte o sentimento nostálgico experiências bem menos perigosas, como as mudanças de estações, as paisagens durante a primavera, por exemplo.

“Eu tinha acabado de retornar a Utah e estava experienciando as estações novamente, porque em Vegas, só fica quente e depois frio, apenas isso. Você não passa pela bela e, às vezes rígida, mudança de tempo. Eu fiquei capturado por isso, a antecipação da primavera e uma nova vida e consegui de certa forma aplicar essa analogia em uma pessoa que está se tornando uma nova criatura e retornando a vida”, revelou a Apple Music.

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“Runaway Horses” conta com a participação de Phoebe Bridgers. A faixa fala sobre amadurecimento e o abandono de atitudes e desejos infantis, é uma balada que traz como mensagem uma espécie de reminiscência ao passado. No início, ouvimos uma mulher falando sobre um rodeio em que um cavalo precisou ser sacrificado porque acabou quebrando a pata durante o evento. Ao falar sobre a colaboração com a cantora à NME, Flowers confessou:

“Eu ainda lembro da primeira vez que ouvi ‘Funeral’ em alguma rádio universitária, me recordo de pensar ‘essa deve ser a Phoebe Bridgers’. Eu simplesmente sabia pelo que já havia lido outras pessoas falarem sobre ela. Havia tanta beleza, parecia natural. Ela tem um pouco de Oeste Selvagem nela e tem pessoas de rodeio na linhagem sanguínea. Ela trouxe uma tristeza essencial para a canção, que também está inserida nela. Foi a combinação perfeita”.

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“In The Car Outside” evoca instrumentais dos anos 80 e relata a história de um homem que está passando por momentos difíceis em seu casamento, relembrando sentimentos antigos e comparando com a realidade atual, em que ele tende a trair a pessoa com quem está. Em seguida, o personagem de “In Another Life” está caminhando pela cidade, relembrando velhas histórias, romances e experiências que teve. Aqui, mais uma vez, nos deparamos com os aspectos sombrios dessa pequena cidade, pois, na introdução ouvimos dois homens falando sobre a epidemia de opioides dos Estados Unidos.

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Na nona canção desse compilado, intitulada “Desperate Things”, Brandon se inspirou em um escândalo que ocorreu na cidade enquanto morava lá, porém, modificou alguns acontecimentos. À Apple Music, o artista descreveu o terceiro verso como “o mais soturno” já criado por ele e contou o quanto é inspirado por compositores como Nick Cave e Johnny Cash.

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Brandon explicou o título do álbum durante entrevista concedida à Triple M, em agosto de 2021, o relacionando com a pressão que o cidadão norte-americano passa para produzir e ser bem sucedido. Prestes a encerrar esse álbum, a faixa-título é uma balada na qual o narrador pensa sobre o quanto está amadurecendo nesse local.

“Creio que existe uma melancolia relacionada ao quanto crescemos rápido, nos tornamos pais e observamos esse acontecimento. Quando você tem filhos, todo mundo diz ‘aproveite ao máximo, eles crescem sem que você perceba’ e isso se torna redundante até ser verdadeiro e se tornar uma desilusão”.  

“Eu tenho muito respeito pelos cidadãos dessa cidade e não sinto que estou longe de suas vivências. Pensei em pessoas como meus tios e meu pai, meus sobrinhos e primos, eu realmente quis capturar o que eu vi nas vidas deles”, revelou Flowers.

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RESUMO DA RESENHA
The Killers – "Pressure Machine" (2021)
Jornalista, apaixonada por música, livros e cultura em geral.
Dando sequência ao amadurecimento lírico e musical demonstrado pelo The Killers ao longo dos últimos álbuns de estúdio, "Pressure Machine" mostra a realidade de Nephi, localizada em Utah, contada tanto através das memórias de Brandon Flowers quanto de relato de cidadãos locais. resenha-pressure-machine-the-killers-2021