Resenha: “Sacred Hearts Club” – Foster The People (2017)

Na última semana, a banda americana Foster The People divulgou seu mais novo trabalho em estúdio, intitulado “Sacred Hearts Club”. O grupo não lançava um disco completo desde 2014, com “Supermodel”.

Com 12 faixas no total, sendo 2 de transição, “Sacred Hearts Club” é o terceiro da carreira deles e pode ser considerado o mais experimental de todos, apesar de muitas vezes permanecer na zona de conforto da banda. O trabalho tem influências que passam pelo hip hop, trap, pop, synthpop, rock e, muitas vezes, pelo eletrônico.

“Sacred Hearts Club” faz sentido como um todo, onde cada música sabe qual o seu lugar, mas possui algumas faixas que não chamam tanta a atenção, seja pela obviedade do som ou pelas letras não tão ricas.

As primeiras músicas do disco são dançantes, com ritmos influenciados principalmente pelo hip hop, com versos rápidos, mas também pelo pop, com refrões mais melódicos e contagiantes. “Pay The Man” abre o álbum, seguida por “Doing It For The Money”, que conta com a colaboração de Ryan Tedder (OneRepublic) nos vocais de apoio e na composição. Esta, inclusive, tem muito potencial para se tornar single.

“Sit Next To Me” e “SHC” continuam com as mesmas influências das anteriores e me lembraram aspectos da dupla eletrônica Justice, com seu synthpop. Nelas, podemos nos aproximar da identidade do Foster The People como um grupo. Já a quinta faixa, “I Love My Friends” não chamou minha atenção em nada, principalmente por conta de suas letras bem precárias e não muito criativas. Parece uma criação preguiçosa e, talvez, infantil.

Depois de “Orange Dream”, uma faixa instrumental de transição, temos “Static Space Lover”. A música conta com a participação de Jena Malone, atriz da saga “Jogos Vorazes” e de filmes como “Sucker Punch” e “Donnie Darko”. Seus vocais combinam perfeitamente com o de Mark Foster e é uma das faixas em que a banda sai de sua zona de conforto, testando e combinando novos tipos de instrumentos e técnicas.

A música que eu mais gosto em todo o trabalho é a oitava, chamada “Lotus Eater”. Nela, vemos um lado muito mais rockeiro de Foster The People, com riffs de guitarra que lembram a banda The Strokes, e vocais mais gritados de Mark. Sem deixar de lado a animação e a vibe dançante, o grupo definitivamente se arriscou (e acertou) nesta faixa. Ela se mistura perfeitamente com a próxima faixa, “Time To Get Closer”, também de transição, assim como “Orange Dream”.

Em seguida, vem “Loyal Like Sid & Nancy”, uma música que nem parece muito com Foster The People, o que pode ou não ser bom. Ela é a maior mistura de hip hop, nos versos, e eletrônica, nas batidas. Se você frequenta festas, com certeza ouvirá essa faixa diversas vezes. “Harden The Paint” segue na mesma escola da anterior, mas brinca mais com as distorções de instrumentos e de vocais. Enfim, “III” sai da vibe de todo o disco, com uma melodia onírica e mais contemplativa, fechando “Sacred Hearts Club” com uma balada esperançosa e calma.

Foster The People apresenta uma grande evolução no terceiro disco de sua carreira, com músicas que se destacam, mas ainda falta um pouco para apresentarem um álbum ótimo e com todas as faixas marcantes. Quando eles acertam, eles acertam bem no meio do alvo. Mas ainda falta personalidade nas faixas que permeiam estes acertos.

Tracklist:

01. Pay The Man
02. Doing It For The Money
03. Sit Next To Me
04. SHC
05. I Love My Friends
06. Orange Dream
07. Static Space Lover
08. Lotus Eater
09. Time To Get Close
10. Loyal Like Sid & Nancy
11. Harden The Paint
12. III

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REVISÃO GERAL
"Sacred Hearts Club" - Foster The People
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Marina Moia

Jornalista, bauruense de coração e apaixonada por música desde que se conhece por gente. Viciada em séries, amante de livros e colecionadora de batons coloridos.

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