Curitibano, Rodrigo Slud, atualmente com 35 anos e morando em São Paulo, nos contou como foi o show do Metallica e também, um pouco da sua aventura por São Francisco na Califórnia, Estados Unidos. Confira: “Desde que comecei a gostar de música, comecei a gostar de rock. Meu primeiro disco que não uma coletânea de novela (sim antigamente os discos – aqueles redondos, que riscam – mais vendidos eram, pasmem, coletâneas de novelas e os da Xuxa, tempos difíceis…). Mas voltando ao assunto, meu primeiro disco que não de novela foi dos Guns n‘ Roses, o “Appetite for Destruction” com aquela capa controversa proibida na gringa.

Mas os discos de novela tinham lá seu valor. Como bom adolescente da década de 80, tive um disco com a Malu Mader na capa! Naquela época isso valia algo! E foi nele que escutei pela primeira vez “Stairway To Heaven”… Isso foi em 89, eu tinha 10 anos.

Meu gosto por música logo esbarrou em rock mais pesado, e ainda adolescente chegou ao Metallica. Me lembro de viajar aos 13 anos, para os Estados Unidos, e pensar muito no presente que queria dar ao meu irmão mais velho – o Duda. Como ele também gosta muito de música, e nosso gosto pelo Metallica era comum e crescente, resolvi que daria pra ele a coletânea completa! Voltei pra casa USD100 mais pobre e uma coletânea de CDs mais rico.

Voltando pro Brasil, a relação com o Metallica que já era boa, virou de fã!

Em 1999 o Metallica veio pro Brasil, e por algum motivo meu irmão foi e eu não pude ir, imagine a frustração por não ter ido àquele show, e ainda aguentar ele falando como tinha sido.

Um ano depois, em 2000, minha família fez uma viagem de férias para Califórnia. O Duda, que já trabalhava com turismo, fez o roteiro de forma que o único dia inteiro que ficaríamos em São Francisco, era 14 de julho. E o que iria acontecer neste dia? Tchan tchan tchan tchan… Um show do Metallica!!! Sim, nosso encontro estava marcado!

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Os dias da viagem foram passando, até que quando o grande dia chegou, dava para sentir o clima de show no ar. A cidade nervosa. Pode ser minha imaginação mas a minha percepção é que a cidade toda tinha se preparado para receber o Metallica, talvez porque Kirk Hammet – guitarrista solo do Metallica – nasceu lá e ia tocar em casa… Ou talvez só porque o show fosse bom mesmo.

Em 99 a banda gravou o álbum SM com a Filarmônica de São Francisco, voltando a fazer um rock pesado e que reconquistou fãs antigos. O show ia ser tenso!

No dia do show, lá fomos nós, eu e o Duda. Rumamos cedo para o 3 Com Center  – Estádio dos 49ers. Fomos de metro, ônibus, jegue, bicicleta, canoa, pra um lugar desconhecido, sem celular 3G, só no mapinha… Demorou mas chegamos, na chegada ficamos absolutamente extasiados de como funciona um show nos EUA, tudo era graaaande!! Da cerveja ao “show your titts” gritados pela plateia ensandecida, sempre correspondido por alguma mulher grande, de algum motoqueiro grande, que em cima dos seus ombros grandes levantava a blusa e mostrava suas “titts” grandes pro estádio inteiro, pra delírio da população 99% masculina!! Não conheço jovem nenhum que não gostaria de estar na minha situação! Estava no céu!


Mas assim que chegamos ao estádio, entendi que aquilo ia ser um festival (é, naquela época  conseguir informação era mais difícil…), e que além do Metallica iriam tocar o Kid Rock, Korn e System of a Down.

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Logo que chegamos fizemos o que todo fã que tem alguma grana faz… compramos cada um uma camiseta do Metallica, afinal se vou até os EUA ver um show, melhor ver uniformizado!

Os shows começaram, um sol de rachar, eu com a camiseta recém comprada girando feito um maluco. Kid Rock foi legal, belo show, não conhecia e nunca mais voltei a escutar…

Estávamos perto da house mix (casinha de som), lá no meio da pista. Pelos primeiros shows, até achei que a vida iria ser sossegada, mas quando o 1º acorde do Korn tocou, eu, aquele pequeno latino americano, “voei”… Não por vontade própria, mas por falta de lastro, por assim dizer. Estava numa pista cheia de gente “grande”. Meu irmão é “grande” e ficou no lugar, ou até deslocou uns americanos menos favorecidos, mas eu voei… fui jogado uns 15 metros pra trás! O show foi furioso em todos os sentidos. Galera nervosa, banda correspondendo.

Achei que não ia mais encontrar meu irmão, tava pronto pra ver o show do Metallica sozinho. Depois eu ia dar um jeito pra voltar pra casa… Mas quando acabou o show do Korn ele me encontrou e já foi tirando uma da minha cara dizendo: “e ae piá, onde foi?” (piá = guri = cara. Dialeto de Curitiba).

O próximo show era do Metallica… tava chegando! Desde que tocou “Ecstasy of Gold” (música de abertura dos shows da banda desde as antigas) o estádio tremeu e foi ladeira abaixo!!!

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Quatro carinhas apareceram no palco… James, Lars, Kirk e o baixista da vez – Jason Newsted e sua cabeleira maluca! Largaram logo Creeping Death… pura porrada! Mas tocada com perfeição… tirando uma energia da galera que até hoje arrepia,  tocaram 15 músicas, com direito a One, Battery, Enter Sandman… O show foi, na falta de outro adjetivo, FODA.

Mas mesmo esses shows acabam, aliás esses acabam mais rápido. Estávamos esgotados… Então a pergunta da vez era: como voltar pra casa?

Na gringa, a volta é de metro, busão, etc. Então cadê os ônibus? Procura de lá, procura de cá e achamos. Boa, bora pra casa! E na hora de entrar, cadê a grana??? Não tínhamos mais dinheiro pra pagar as passagens, afinal quem é que economiza a grana do ônibus ao invés de comprar camiseta da banda?

Contexto: para voltar da pqp pro hotel era transporte multimodal!!! Busão + metro. Tínhamos grana pra uma passagem de ônibus e duas de metrô. Tava faltando dólar…

1a parte da volta – plano armado. Pra entrar no busão, meu irmão (que não é pequeno!) pagou e distraiu o piloto enquanto eu passei por trás! Belo plano infalível, que não falhou.

2a parte da volta – supostamente tínhamos grana pro metrô, maaas descobrimos que nosso metro era mais caro! Hein?? Então tínhamos dinheiro pra um, e como ele é “grande”, pensei que era melhor eu bolar um novo plano…

Nesse momento usamos nosso conhecimento de antropologia…americano é fácil de entender: pra eles, regra é regra, então respeitam. Se podem ajudar sem quebrar regras, ajudam. Explico: entrar sem pagar não pode, mas se o cara que tá entrando atrás tem uns dólares a mais ele te “empresta”, mesmo sabendo que nunca mais te ver na vida, vale! Ou seja, temos um credor em algum lugar de São Francisco… Conseguimos pegar o bicho, o último da noite! Se não tivéssemos conseguido entrar, seríamos nós a dupla sertaneja que iria compor dormindo na praça… Sorte que não precisamos! Afinal já estava rolando um frio de “verão“ americano, vai entender…

Chegamos, destruídos, suados, cansados, felizes e realizados! Grande show!!!!

“Que venham mais”, pensei na época… e pra minha sorte, assim tem sido…”

E aí, o que achou?! Você também pode mandar um depoimento nos contando como foi o show mais insano que você já foi até o momento.
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