Bring Me The Horizon
Foto: Rafael Strabelli / Nação da Música.

Com 15 anos de carreira nas costas e 6 álbuns pra conta, o Bring Me The Horizon foi uma daquelas bandas corajosas o suficiente para arriscar em diversas áreas e se afastar – seja positiva ou negativamente – de suas raízes. O tal fenômeno aconteceu com seu mais recente lançamento, o disco “Amo”, que não tem medo de passear e misturar pop e música eletrônica.

O disco começa com “i apologise if you feel something“, em que voltamos a ver um Oliver Sykes sempre muito honesto e sem medo de retratar experiências pessoais em suas composições. Apesar de curta, a faixa apresenta o forte trecho “I saw you staring out of your own abyss again, waiting for something you’re not sure even still exists”, que claramente retrata um vazio existencial e é bem trabalhada com seu instrumental que tem uma pegada futurística.

MANTRA” se mantém como a canção mais pesada que podemos ouvir durante toda a produção, o que talvez explique ter sido lançada como o primeiro single do disco. Ela é bem poderosa, apresenta um tom raivoso e chega a se assemelhar com o que o Bring Me The Horizon já apresentou.

nihilist blues” conta com a presença da cantora Grimes e é provavelmente uma das obras mais criativas já lançadas pelo grupo, que emerge entre diversos ritmos sem se perder durante os pouco mais de 5 minutos de música, não esquecendo de mencionar as batidas eletrônicas que se encontram fortes como nunca.

O lado pop se mostra com evidência em “in the dark”, que é também uma faixa que aborda o otimismo, como nos versos “But I’m looking on the bright side now, trying to figure out somehow”. É visível que, mesmo que tratado de maneira distinta, o tema sempre presente em todas as canções é a busca do vocalista pelo que ele chama de “fé”, podendo ser interpretado também como confiança.

A segunda parceria da produção fica por conta de “wonderful life“, com Dani Filth, da banda Cradle of Filth. Um tanto quanto obscura, em sua letra ela mostra justamente a que veio e possui trechos que abordam a morte. A participação de Dani é fundamental e dá o tom quase que irônico que a faixa precisava.

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ouch” possui a mesma proposta da primeira canção do disco e é bem curta e com um forte toque de trance. Neste caso, temos justamente o contrário da faixa anterior, onde a letra e melodia se casam, pois em “ouch” podemos ouvir “And I know I said you could drag me through hell, but I hoped you wouldn’t fuck the devil” sem todo o pesar que a frase realmente traz.

Em “medicine” sentimos uma desaceleração na rota criada pela produção, o que não necessariamente significa um ponto negativo, mas é visível que ela se apresenta como uma canção mais “chiclete” que as demais.

Com um vocal agudo no coro, “sugar honey ice & tea” se assemelha bastante à “wonderful life”, com todos os seus riffs e um sussurro que posteriormente o leva de volta às suas raízes do screamo, dividindo espaço com um longo solo de guitarra.

Dentre as tantas interfaces apresentadas pelo Bring Me The Horizon, em “why you gotta kick me when i’m down” vemos provavelmente a mais ousada, com direito a um Oliver Sykes rimando e forte influência pop, com batidas divertidas.

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fresh bruises” quase soa como uma faixa experimental, onde várias técnicas são aplicadas e seu refrão se resume à frase “don’t you try to fuck with me, don’t you hide your love”, reforçando o tom desilusório no quesito amoroso, presente no disco.

mother tongue” tem um astral cativante e os vocais de Sykes estão suaves e ao mesmo tempo precisos, com destaque também à bateria, que faz sua aparição em alto e bom som, ganhando um merecido espaço.

heavy metal” é a penúltima canção disco e fecha as participações especiais, com a surpreendente presença do rapper Rahzel. É justo dizer que a combinação funcionou muito bem e esta é provavelmente uma das músicas que mais vai agradar os fãs que sentem falta de um tom mais pesado nas músicas da banda. O grande barato da canção é também verso “so I keep picking petals/all I wanna know do you love me anymore/cuz some kid on the gram said he used to be a fan but this shit ain’t heavy metal” que atua como uma direta para os que criticam a mudança sonora do grupo.

Para fechar com chave de ouro, “i don’t know what to say” nos leva em uma viagem por todos os ritmos possíveis, começando por uma guitarra acústica e somente a voz de Oliver para acompanhar. A escolha desta canção como a última é genial, pois ela encerra de maneira certa todo o clímax criado desde a primeira música da produção.

Como já havia citado acima, se afastar tão brutalmente do som inicial proposto pela banda é sempre um desafio, mas que foi alcançado com sucesso. A tentativa de mergulhar e explorar diferentes ritmos é admirável e sair da zona de conforto é sempre uma importante decisão para o amadurecimento do grupo.

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O Bring Me The Horizon chega ao Brasil em abril para duas apresentações em São Paulo: a primeira delas no Audio, no dia 03/04, e a segunda no dia 06/04, no Lollapalooza.

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