Resenha: “Blue Banisters” – Lana del Rey (2021)

Lana del Rey
Foto: Capa do álbum “Blue Bannisters”

Lançando seu segundo álbum de estúdio de 2021, Lana Del Rey continua sendo um dos maiores nomes do pop alternativo – no qual ela reina, com uma imensa fanbase, desde “Born to Die” em 2012. Sempre com uma estética fixa e bem pensada, além de um talento para expressar suas emoções mais profundas e sombrias no formato de melodias hipnotizantes, a cantora não decepciona com “Blue Banisters”, no entanto, mostra um lado completamente diferente dela mesma.

Enquanto “Chemtrails Over The Country Club” (2021), cuja review você pode ler aqui na Nação da Música, acompanha as produções de Jack Antonoff e um pouco do som de “Norman Fucking Rockwell” (2019), “Blue Banisters”, lançado na última sexta (22), é um disco de folk – margeando no rock e americana em algumas das faixas, mas se mantendo constante nesse gênero. Sem Antonoff no volante, Lana pega suas influências countries e orgânicas, e investe em um álbum cru, quase respirando ao som de violões e guitarras – mas não deixando faltar nenhuma percussão ou piano necessário.

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Começando a narrativa e atmosfera de um filme ‘velho oeste’ presente em “Blue Banisters”, o single “Text Book” abre o álbum. Contando a história de um amor que já terminou, ou está prestes a ter seu último capítulo, Lana del Rey canta melancolicamente sobre esse interesse amoroso que a machucou – mesmo que ela ainda pense o que pode fazer para conseguir o sentimento de antes de volta. Traçando um paralelo entre o seu amor romântico e seu pai, além de citar os protestos ‘Black Lives Matter’, a artista sofre de um problema de tom na composição dessa faixa. Fora isso, no entanto, “Text Book” é cinematográfica e simboliza o folk americano tradicional que vai continuar pelo disco.

A faixa-título também já havia sido lançada anteriormente, “Blue Banisters” é a segunda música do álbum. Completamente dominada pela voz de Lana del Rey, marcada pela mudança de tom, ritmo e volume da cantora, a canção é uma honra dos mais altos níveis às suas amigas. A temática funciona tão bem que é fácil imaginar as cenas descritas pelas letras, seu encontro com o interesse amoroso que a pede para pintar os corrimões de azul, seu perceber que ele não é o mais importante e que não quer que ele volte – terminando em um costume fraterno de pintá-los de verde e cinza. Cheia de simbologia, é uma música que mostra o talento de del Rey e faz por merecer a posição de faixa-título.

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O último single lançado de “Blue Banisters” foi “Arcadia” e é ela que segue na tracklist. Seu piano é encantadoramente lindo – puxando o ouvinte para dentro do mundo melancólico da cantora, queira ele ou não. “Eu sou uma garotinha perdida / Encontrando meu caminho até você” coloca Lana em uma posição de ação e busca, procurando a Arcádia de seu amor – o lugar paradisíaco que pode ficar com ele e viver em paz. Comparando essa terra dos sonhos com a América, a artista usa de metáforas lindas como “Meu corpo é um mapa de Los Angeles” e “Todas as ruas que levam a você, tão fundamentais para mim como artérias” para expressar um escapismo hipnotizante que permeia a faixa.

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Interlude – The Trio” é o mais perto que chegamos à produção preenchida de alguns trabalhos anteriores da cantora – com toques eletrônicos, instrumentos metálicos e percussão bem marcada. No entanto, representa uma separação entre as três primeiras faixas, sonoramente e liricamente, abrindo um novo capítulo, no qual explora diversos instrumentos e seus sentimentos de maneira cada vez mais crua.

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“E se esse é o final, eu quero um namorado”, Lana del Rey recita no primeiro verso de “Black Bathing Suit”, um dos maiores destaques do álbum. Tendo imagens tão sólidas nas letras, como o estacionamento de uma Target, a complicação da vida da artista e até mesmo o protagonista da faixa, seu maiô preto, a cantora consegue mergulhar de uma maneira tão sentimental na sua imagem de garota má e rockstar que está presente em sua reputação. Seu interesse amoroso é o destinatário da canção, ao qual ela explica que deseja uma vida normal, cansada da rotina de Los Angeles – mas ao qual também conta que tem um preço em sua cabeça, que é perseguida e sua vida é constantemente mais complicada, sempre dando um sinal de fuga em seus versos.

A sexta faixa do álbum é “If You Lie Down With Me” e é impossível não perceber que Lana decidiu por cantar suas estrofes com ainda mais melancolia. E a decisão faz mais que sentido, em uma música que é – colocando em termos muito básicos – sobre um relacionamento que ela se recusa a deixar ir. Com certeza que seu namorado não a superou ainda, a artista não abre caminho para ele ir embora, pedindo que ele dance com ela, saia com ela e deite com ela – porque ele é “três vezes o homem que eu sequer achei que ia conhecer”.

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Discutivelmente a canção mais crua de “Blue Banisters”, “Beautiful” trata do processo de Lana del Rey de transformar sua tristeza e qualquer negatividade sua em uma forma de arte linda, como as músicas emotivas pelas quais é conhecida. Pedindo para que o interlocutor a deixe sentir suas emoções, por cima de um piano – que é impossível de ser ignorado com suas notas agudas em contraste à voz aveludada da artista, a cantora traça paralelos entre a sua liberdade emocional e corrida com lobos, sua criação artística com Picasso e consegue transmitir uma mensagem de mais pura honestidade – com o refrão agindo como um coração batendo, amarrando “Beautiful” em uma beleza transparente.

Unida com o vocalista da banda Last Shadow Puppets, Miles Kane, Lana mergulha surpreendentemente bem em “Dealer”, um rock triste e emotivo – sem qualquer dificuldade em expressar sua melancolia tradicional em um novo formato. Marcada pela primeira vez por uma percussão inesperada, a faixa merece algumas críticas sobre sua absoluta diferença em relação ao resto do álbum. Enquanto del Rey voa entre o veludo de sua voz característica e os gritos repletos de emoção enquanto ela pergunta porque o interlocutor não pode ser bom para algo, a canção parece fazer parte de um disco diferente – um que adoraríamos ouvir – mas, completamente diferente.

Thunder” nos leva de volta ao piano de faixas como “Arcadia” e alguns de seus outros projetos, mas ela mistura perfeitamente o violão que domina “Blue Banisters”. Usando do eco e efeitos vocais misteriosos que aumentam a magia de sua voz, Lana canta sobre essa pessoa que causa um impacto imensurável nas pessoas a sua volta – mas também as queima sem pensar. No entanto, ela também afirma que sabe como elu é quando está sozinhe, longe de qualquer um que possa julgar-lhe.

A próxima canção, “Wildflower Wildfire”, é outra que já havia sido divulgada anteriormente ao lançamento do disco. Prometendo que não vai se queimar ou desgastar como um fogo selvagem, Lana canta sua trajetória, começando como uma pessoa que estava completamente acostumada a estar sozinha e não ter de dever qualquer coisa a ninguém. Mas, quando conheceu seu interesse amoroso, ela muda e jura, em cima de um piano marcante, que não vai deixar experiências anteriores a limitarem, mantendo-se viva por vontade própria como uma flor selvagem. Além disso, a música contém metáforas que podem facilmente ser interpretadas como uma jornada para atingir a sobriedade, prometendo que não vai se perder nas substâncias.

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Nectar of the Gods” por sua vez é abertamente sobre o consumo de drogas, já citando a existência desta essência sagrada e viciante nos versos de abertura da faixa. Mesmo que possa ser vista e interpretada de inúmeras maneiras, as letras podem conter um apontamento sobre a sua incerteza pessoal em cima de si mesma quando sob a influência. Quando ela diz “Eu fico selvagem e ‘fuckin’ louca como você nunca soube”, Lana também apresenta um verso no qual ela compara esse sentimento com a cor azul, podendo simbolizar que a influência também traz essa tristeza, terminando a faixa afirmando que está perdida agora.

Junto com “Nectar of the Gods” e a próxima “Cherry Blossom”, a canção “Living Legend” foi primeiro revelada por Lana em 2013 – como uma possível faixa de seu terceiro disco, o “Ultraviolence”. Isso já explica a aura da música, que poderia ser facilmente encaixada entre outras mais sentimentais parte daquele projeto de 2014. No entanto, ela prova que consegue intercalar suas eras sem erro – “Living Legend”, com seu violão no fundo e os ad-libs de Lana, também é perfeita para “Blue Banisters”. Elogiando essa pessoa com quem fala, a artista honra tudo que o interlocutor representa, chamando elu de uma lenda viva – sendo uma canção que é claramente cheia de carinho.

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Cherry Blossom” é outra faixa que é completa com o sentimento doce de Lana del Rey e, claramente, sua voz suave que somente dá a ela uma atmosfera quase mágica. Traçando paralelos entre imagens infantis de balanço e usando adjetivos como “pequeno”, a cantora parece estar abrindo seu coração para um interlocutor que ela deseja proteger e abraçar, abrigando-o sempre que for necessário. Também dominada por um piano, essa é uma das partes do disco em que a emoção da canção envolve o ouvinte.

Feita como uma homenagem à sua irmã Chuck Grant, e composta junto com essa irmã e seu pai, “Sweet Carolina” é uma canção sobre o momento em que Grant estava prestes a dar à luz a sua filha Phoenix. Por cima de teclas majoritariamente graves, Lana del Rey relembra conversas privadas entre ela e sua irmã, até citando anedotas internas. A última faixa do disco é o exemplo perfeito do tanto que “Blue Banisters” é um álbum cru e pessoal para a trajetória de del Rey.

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Majoritariamente tocado nas cordas de um violão e nas teclas de um teclado, “Blue Banisters” é um projeto que é claramente enraizado no folk e na música americana. Honesta em suas letras, evitando contar muitas histórias de fama e narrativas luxuosas, Lana del Rey cria um álbum cru sobre seus sentimentos reais – variando naturalmente de amor para a independência, de carinho para a revolta. Sólido, mesmo com algumas faixas esquecíveis ou que não se encaixam na visão geral, o oitavo álbum de estúdio da cantora mostra seu talento para composição e o potencial imenso em sua sinceridade.

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Pedro Paulo Furlan
Pedro Paulo Furlan
Estudante de jornalismo, não-binárie e apaixonade por música. Sempre aberte para ouvir qualquer gênero, artista ou década. O universo do pop, principalmente hyperpop, k-pop e synthpop, é onde eu vivo e sobrevivo.
“Blue Banisters” conta com uma aura que margeia o country mas acerta perfeitamente no folk americano, com suas letras honestas, narrativas cheias de detalhes e faixas cinematográficas. Lana del Rey criou sua obra mais crua até hoje.Resenha: "Blue Banisters" - Lana del Rey (2021)