Resenha: “Chip Chrome & The Mono-Tones” – The Neighbourhood (2020)

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the neighbourhood
Foto: @RafaelStrabelli / Nação da Música.
@nacaodamusica

Álbum após álbum, a banda californiana The Neighbourhood registrou sua marca e consolidou a fanbase sendo uma banda esteticamente monocromática e de identidade audiovisual sombria, lo-fi e mood-driven. Alimentando constantemente seu público com material novo basicamente a cada ano, parece que o intervalo entre o sucessivo lançamento de EPs e de um auto-intitulado álbum que formaram o projeto “Hard To Imagine The Neighbourhood Ever Changing” (2018) e o recém-lançado “Chip Chrome & The Mono-Tones” nem foi sentido. O que é explicitamente evidenciado, contudo, é a mudança de identidade artística, a qual foi ironizada dois anos atrás.

Pela primeira vez na carreira concebendo uma narrativa ficcional, somos introduzidos a um mundo de cartoons e referências de desenhos animados dos anos 90 sob a perspectiva de Chip Chrome, um personagem prateado que lidera a banda The Mono-Tones. Esse lúdico universo confeccionado especificamente para esse álbum representa um giro de 180 graus na discografia da banda. A até então ambientação noturna, depressiva, sintética e saudosista dá lugar a uma produção bem mais minimalista, unplugged, diurna e que flerta organicamente com o folk.  Lentos e dedilhados riffs de violão se mesclam com a voz suave e sussurrada de Jesse.

“Pretty Boy”, faixa de amor que abre o disco (“As long as I got you / I’m not afraid to die”), revela a importância da linha de baixo e de beats lo-fi hip-hop previamente exploradas em trabalhos anteriores (“Nervous”, “You Get Me So High”). A eufórica e ousada energia da banda é retratada nos singles “Lost In Translation” e “Devil’s Advocate”, as quais possuem produção musical mais elaborada (percussão, guitarra, bateria e sintetizadores), com mais instrumentos, mas ainda soando vintage, nostálgico e melódico, com groove orientados pelo baixo.

“Cherry Flavoured”, também lançada como single, é a definição perfeita das intenções do álbum com a mudança sonora do The Neighbourhood (assim como em “Tobacco Sunburst” e “Middle Of Somewhere”). A canção mescla sons de trabalhos anteriores, agora sob uma perspectiva acústica, invocando os sentimentos mais românticos, leves e felizes. Contudo, nos últimos segundos da canção o ouvinte presencia uma drástica mudança, tanto emocional quanto sonora. Dando sequência a esse momento de virada, “BooHoo” retrata um eu-lírico enfrentando problemas no meio a uma crise em seu relacionamento, resultando na tristeza e melancolia. Uma das melhores faixas do projeto, “Silver Lining” abusa da nostalgia para contar uma melodramática história de desilusão amorosa.

“Now I’m somewhere far
Away from where I started
With no point of return
But I’m turning

I was on the outside looking in
Now I’m on the inside trying to stay
Out of my head
I need peace of mind”

Lançada em 2019, “Middle Of Somewhere” fecha “Chip Chrome & The Mono-Tones” de maneira misteriosa e reflexiva. Aqui, o eu-lírico entra em contato consigo mesmo e, perdido em seus sentimentos, é transportado para uma realidade paralela, extremamente melancólica, onírica e intensa. O veredicto é um projeto cuja sinceridade nua e crua foi meticulosamente esculpida, elevando assim a característica crossover do The Neighbourhood  para outros patamares. O que começou com um despretensioso indie/rock dançante em “Sweater Weather” em 2012 cresceu, se expandiu e se transformou em uma das bandas alternativas mais relevantes da atualidade.

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