Elza Soares
Foto: Reprodução / Facebook.

Em maio, a cantora Elza Soares lançou seu disco “Deus é Mulher” e mostrou uma grande mistura de samba e rock principalmente, dando voz a temas de muita importância.

A artista inicia “O Que Se Cala” sem nenhum instrumento ao fundo, tendo ainda mais destaque à sua voz roca. A letra é forte e é uma característica presente em todo o álbum “Minha voz/Uso pra dizer o que se cala/Ser feliz no vão, no triste, é força que me embala/O meu país/É meu lugar de fala”

Uma das principais do álbum, “Exú nas Escolas” tem um refrão muito marcante e ritmo mais acelerado do que a primeira. Ela tem Edgar como colaboração e fala do modo como a religião é tratada no Brasil. “Num país laico, temos a imagem de César na cédula e um Deus seja louvado”.

Já “Banho” aparece uma utilização boa das guitarras com um instrumental ótimo ao fundo. Outro ponto forte é o uso do backing vocal feminino que cria uma potência maior como uma espécie de coro principalmente nos refrãos.

Em “Eu Quero Comer Você”, surge uma letra com caráter bem mais sexual, como o próprio título sugere e com um ritmo ainda mais animado do que na faixa anterior.

Na sequência, “Língua Solta” inicia já de um jeito diferente do que foi apresentado até então, de uma maneira mais lenta. Novamente, o destaque vai para a excelente voz de Elza Soares que aqui, além da rouquidão, é trabalhada de um jeito mais gritado. No meio da faixa, ainda há uma quebra que prende a atenção de quem ouve, ela é uma das melhores do disco.

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Puxando mais para o samba, “Hienas na TV” vem com um instrumental mais leve e com uma melodia muito cativante com versos que possuem o mesmo ritmo. Ela termina num tom obscuro com as risadas da cantora.

Diminuindo novamente a velocidade, “Clareza” já aparece com uma melodia um pouco mais repetitiva, mas isso não tira sua qualidade. A canção ainda termina com um instrumental forte sem nenhuma participação de vocal que a diferencia do restante.

Um Olho Aberto” traz as atenções para a questão da natureza e possui uma batida bem acelerada e ritmada. Seu refrão, feito com frases curtas, também fica bastante na cabeça.

Com uma guitarra mais forte e bom uso da bateria, “Credo” volta a tocar no ponto da intolerância religiosa com uma letra bem crítica. “Credo, credo/Sai pra lá com essa doutrinação”. Esta canção é puxada para o rock e é um dos grandes destaques do álbum, tanto pela mensagem quanto pelo som.

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Dentro de Cada Um” tem como foco a voz de Elza Soares e de maneira proposital, já que a ideia é justamente falar da mulher ganhando força. Mais uma vez, a letra crítica é muito bem utilizada. “A mulher de dentro de cada um não quer mais incesto/A mulher de dentro de mim já cansou desse tempo/A mulher de dentro da jaula prendeu seu carrasco”.

Finalizando o álbum e retomando o ritmo animado, “Deus Há de Ser” tem um instrumental bem alto e reforça a mensagem do título do disco da força feminina de que “Deus é Mãe e todas as ciências femininas”.

O sucessor de “A Mulher do Fim do Mundo” é mais um ótimo álbum de Elza Soares, que é um dos maiores nomes da música brasileira. Com uma boa combinação de ritmos e uma voz impecável, a cantora consegue bater de frente com assuntos de extrema importância e que, normalmente, não tem sua devida atenção. É um disco político, musicalmente muito bom e um dos principais lançamentos do ano.

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