Resenha: “Heaven & Hell” – Ava Max (2020)

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Ava Max
Foto: Reprodução / Capa
@nacaodamusica

Quando artistas lançam seus primeiros sucessos, sempre há uma preocupação se farão sucesso apenas com um single e, logo depois, cairão no esquecimento. Mas mesmo com toda a repercussão do hit “Sweet But Psycho”, Ava Max mostrou que não estava apenas de passagem e lançou na última sexta-feira (18) seu primeiro álbum, “Heaven & Hell”.

Fosse pela letra e o refrão chiclete, fosse pela arte e a fotografia do clipe, a cantora de apenas 26 anos conseguiu chamar a atenção tanto do público, quanto da mídia com o single que rendeu-lhe não apenas o topo das 10 músicas mais ouvidas no Billboard Hot 100 por três semanas seguidas, como também foi considerado pelo The New York Times uma das melhores músicas lançadas em 2018. Além disso, seu estilo bastante autêntico – notável principalmente por seu corte de cabelo curto de um lado e comprido do outro – também foi um dos fatores que fizeram com que ela se destacasse no mercado musical.

É possível notar já pelo título que “Heaven & Hell” segue um conceito bastante interessante, representando as ideias opostas de “Paraíso” e “Inferno”. Mas durante uma coletiva de imprensa realizada em agosto, a cantora revelou que, na realidade, a ideia por trás do álbum era mostrar as dualidades que estão presentes em uma mesma pessoa (ela própria inclusive). “Para mim, não é tão literal, anjos e demônios, sabe? Heaven significa coisas que são incríveis, quando você sente amor, quando você está num relacionamento e se sente muito apaixonado. Isso é muito ‘celestial’, certo? Hell é mais a raiva, sentir como estivesse falhado, mas você pode caminhar para o próximo passo. Isso é muito empoderador no final do dia”, disse ela segundo o Poltrona Vip.

Com um total de 15 faixas, o disco é dividido em três partes: o lado A, “Heaven”, que contém as faixas mais alegres, o “Purgatório”, interlude de apenas um single, e o lado B, “Hell”, em que estão as faixas que trazem à tona sentimentos mais obscuros. Logo de início, o disco de Ava Max começa com a melodia harmônica de “H.E.A.V.E.N.”, que, apesar de ter menos de 2 minutos de duração, é a introdução perfeita ao “Paraíso”, sendo marcada por acordes angelicais de piano.

Em seguida, temos “Kings and Queens”, que mantém a batida dançante da primeira faixa, e traz uma mensagem de empoderamento feminino, enaltecendo a figura da rainha, que não serve apenas para ficar ao lado do rei. Isso é ainda mais visível no clipe, em que ela ainda ilustra a analogia do verso “no xadrez, o rei pode se mover em apenas um espaço de cada vez // mas as rainhas são livres para irem onde quiserem”. Já “Naked”, uma baladinha mais romântica, foca em se expor completamente a um novo amor com a analogia de se estar nu, e foi a faixa escolhida para celebrar o lançamento do álbum com um clipe inédito. Diferentemente das duas primeiras músicas, a sonoridade do single remete ao pop dos anos 90.

“Tattoo” segue a mesma inspiração do pop retrô, mas chega como uma espécie de respiro aos sentimentos mais intensos, trazendo à tona um lado mais despreocupado da cantora e que quer apenas curtir o momento de forma desapegada, mas, mesmo assim, deixando sua marca (assim como uma tatuagem). Em contrapartida, “OMG What’s Happening” mostra, com riffs de guitarra semelhantes aos do dueto “Senõrita”, de Shawn Mendes e Camila Cabello, seguidos de uma batida dançante, o que acontece quando o “era pra ser só uma ficada” acaba evoluindo para uma paixão. Esta faixa é, ao meu ver, um dos melhores exemplos de como Ava Max é uma artista com grande potencial, tanto em termos de qualidade vocal, especialmente em seus agudos, quanto na produção musical, que ficou ainda mais divertida com o momento em que a artista solta uma frase dita de forma teatral.

“Call Me Tonight”, assim como “Tattoo”, retoma o lado despretensioso da cantora, mas é uma das faixas que não encanta tanto, apesar de poder ser musicalmente associada ao estilo de Ariana Grande. Para encerrar a primeira parte de “Heaven”, Ava Max traz “Born to the Night”, um dos grandes destaques, na minha opinião. Muito bem trabalhada musicalmente, a música tem características bastante originais, com a introdução das badaladas de um sino que remetem a algo como “as doze badaladas para a meia noite” para que, ao invés de virar abóbora, ela se liberte de seus demônios para curtir na vida noturna. Com uma explosão de positividade, a faixa encerra o lado “Heaven” da melhor forma possível.

Antes de ir para a segunda parte, há uma interlude entre “Heaven & Hell”, batizada de “Purgatory”, em que há apenas uma faixa. Fazendo jus à ideia de representar um meio termo entre o “Paraíso” e o “Inferno”, “Torn” compreende os dois conceitos ao abordar a indecisão de manter o atual relacionamento, por conta dos bons momentos, ou terminar pelos maus momentos. Tendo a ideia melhor explorada no videoclipe, em que ela leva uma vida dupla de uma garota comum e uma super heroína, a faixa é o intervalo ideal entre as duas partes do disco, inclusive em termos de sonoridade, misturando acordes melancólicos com um ritmo dançante.

Se “H.E.A.V.E.N.” soube cumprir o papel de introduzir no primeira parte cheia de otimismo do álbum, “Take You To Hell” conseguiu fazer o mesmo no lado “Hell”, de forma mais dramática. Ava explorou todo o conceito de inferno e maldade, fazendo jus à expressão “fazer da sua vida um inferno” até mesmo com a presença de uma risadinha maléfica, e trouxe à tona um lado mais obscuro sob a forma do aviso “se você me tratar bem, eu serei uma luz na sua vida, mas se você me deixar, eu vou fazer da sua vida um inferno”. Em seguida, a já conhecida “Who’s Laughing Now” é marcada pelo refrão chiclete “ha ha ha ha, ha ha ha, who’s laughing now?”, acompanhado de assobios, e transmite a mensagem de que a melhor vingança contra alguém que te humilhou e fez mal é mostrar que você soube seguir em frente e conseguiu recomeçar.

Mais um dos grandes destaques da segunda parte de “Heaven & Hell”, “Belladonna” pode ser considerada uma das faixas mais emblemáticas. Além de muito bem produzida, sendo moldada por acordes de teclado que estão presente na introdução e seguem até o final, tornando-a bem distinta das outras faixas, a música pode ser entendida como uma nova definição da planta Atropa belladonna, que, apesar de linda por fora com suas flores e folhas, é, na realidade, letal. Toda a energia de “Belladonna” é, no entanto, um pouco decadente na seguinte “Rumors”, que não apresenta nenhuma peculiaridade a não ser a um pouco cansativa repetição da palavra que dá nome à música. No entanto, Ava mostra por meio da batida um tanto quanto genérica, que possui um grande alcance vocal, capaz de alcançar notas bem altas.

Apesar de já conhecidas, as últimas três faixas fecham o lado “Hell” de forma bastante coerente. “So Am I” explora a questão da auto aceitação sob um refrão contagiante (mais uma vez semelhante ao pop de Ariana Grande) e sua letra inspiradora, que é ainda melhor ilustrada no clipe em que Ava Max se junta aos alunos excluídos de uma escola e que são considerados fora dos padrões. Mesmo que um pouco genérica pela batida, “Salt” destaca-se especialmente pelos instrumentos de corda (tanto os violinos da introdução quanto o violão da ponte) e a analogia de manter as lágrimas (que são salgadas) dentro de si como forma de deixar um relacionamento antigo no passado. Se por um lado os fãs estavam ansiosos para ouvir “Sweet But Psycho” o quanto antes no disco, por outro, essa não poderia ter sido a melhor faixa para encerrar “Heaven & Hell”, especialmente por cumprir a ambiguidade intencional de Ava, com um lado “doce” e um lado “doido”.

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RESUMO DA RESENHA
"Heaven & Hell" - Ava Max (2020)
Natália Barão
Jornalista apaixonada por música, escorpiana, meio bossa nova e rock'n'roll com aquele je ne sais quoi