Resenha: “In A Dream” – Troye Sivan (2020)

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Troye Sivan
Foto: @RafaelStrabelli / Nação da Música.
@nacaodamusica

O cantor e compositor australiano Troye Sivan sempre exalou, desde seu registro de estreia, muita autenticidade, melancolia e vulnerabilidade em suas canções. Cantando abertamente sobre seus sentimentos, relacionamentos passados e sua identidade LGBTQ+, é no recém-lançado EP “In A Dream” que os encontramos amadurecido, reflexivo e fortemente consciente do papel de cada indivíduo interpreta ao ser inserido no universo das relações interpessoais — essencialmente as românticas.

O carro chefe e primeira das seis faixas de “In A Dream”, “Take Yourself Home“, é o perfeito exemplo da mensagem que o jovem quer passar com o projeto. Decepcionado emocionalmente, melancólico e desgastado, o eu-lírico não somente desabafa sobre sua vida no conteúdo, mas também investiga o significado de seus íntimos sentimentos e, racionalmente, escolhe tomar atitudes que o inclinam a deixar a tristeza no passado, sair da fossa e se aceitar, se amar (Sad in the summer, city needs a mother / If I’m gonna waste my time, then it’s time to go / Take yourself home).

Flertando com familiares elementos presente em toda sua discografia até o presente momento (“My! My! My!”, “Dance To This”, “Bloom”), os exagerados reverbs e as inúmeras camadas vocais dão um importante peso a produção das faixas, realçando as emotivas composições e encorpando a voz de Troye Sivan. Mergulhado na saudosa e abafada atmosfera oitentista, “In A Dream” é essencialmente um conjunto de poderosas canções dance, mas que não perdem o status de intimistas, cruas e honestas. “Easy” explora exatamente isso.

Acelerada, eufórica, jovial e ansiosa, sua letra fala sobre a sensação de permanecer apaixonado por alguém mesmo com as adversidades de uma relação, que nem sempre é como nos contos de fadas (I’m still in love and I say that because / I know how it seems between you and me / It hasn’t been easy, darling). Até esse momento, a mensagem que fica para o ouvinte é que é possível encontrar amor mesmo em um ambiente conturbado, frágil e instável.

“This house is on fire
Burning the tears right off my face
What the hell did we do?
Tell me we’ll make it through
’Cause he made it easy, easy
Please don’t leave me”

A interlude “Could cry just thinkin about you” é um pequeno e intenso poema acompanhado de riffs abafados de violão. Aqui, Troye expõe profundamente seu coração diante do iminente fim do relacionamento. Seu amado aparece em outros rostos (Every line I write is something about you / Every guy I want looks somethin’ just like you) e é carregado pelo eu-lírico por onde quer que ele vá. O sentimento é tão puro e intrínseco que já virou parte de si (I don’t know who I am with or without you / But I guess I’m ‘bout to find out).

Contrastada com uma sonoridade mais eletrônica e house, o artista chega no fundo de sua tristeza em “STUD” (Searching for something I’m not / Knowing that you’re not the one / But you’re the one for right now, yeah). Nessa faixa, Troye se declara apaixonado e desesperado pela manutenção de seu relacionamento, mesmo admitindo para si mesmo que não está sendo correspondido na mesma intensidade (Just let me believe that you like what you’re seeing / When you’re looking at me and your heartbeat is speeding / At seven hundred miles down highways to Eden).

Após entrar em contato com seus mais íntimos e dolorosos sentimentos, o cantor toma consciência da situação que está vivendo e, abraçando o que inevitavelmente iria acontecer, entrega uma das canções mais incríveis de sua carreira: “Rager Teenager!” (Never thought I’d see you again in my life / Why you been acting like a stranger?). Aqui, Troye Sivan não esconde sua intensidade emocional mas reconhece, com sobriedade e maturidade que o relacionamento acabou e ficará no passado, porém vívido em sua memória, como um sonho.

“I just wanna go wild
I just wanna fuck shit up and just ride
In your car tonight
In your bed tonight

I just wanna sing loud
I just wanna lose myself in the crowd
In your arms tonight
Or in his arms tonight”

Colecionando belíssimas memórias afetivas e liberando toda a intensidade de sua melancólica desilusão, “In A Dream” é uma obra que valoriza o amor em sua forma mais pura possível. Mesmo sendo finito, sua memória viverá para sempre e, na visão do artista, devemos preservar sua pureza, inocência e todas as coisas boas que sentimos durante esse curto lapso de nossa existência.

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