Resenha: “Love Sux” – Avril Lavigne (2022)

avril lavigne
Foto: Reprodução/Instagram
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Por volta do final de 2020 e início de 2021, a indústria musical assistiu à forte retomada do gênero pop punk. Artistas como Machine Gun Kelly, YUNGBLUD e WILLOW passaram a adotar o estilo nas letras de suas músicas e na estética das roupas, com o uso e abuso da estampa xadrez, coturnos e jaquetas de couro. E em meio a todo esse clima de nostalgia, é impossível não falar de Avril Lavigne, que consagrou-se como uma das grandes precursoras do pop punk nos anos 2000. Adentrando ao revival do movimento, a cantora retomou suas raízes ao lançar o sétimo álbum de sua carreira “Love Sux” no último dia 25.

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Para a alegria dos fãs mais antigos (incluindo esta que vos escreve), o novo disco de Avril resgata as melodias mais agressivas com guitarras pesadas e todo o sentimento de rebeldia – tanto nas letras combativas e reivindicatórias, quanto na estética, presente inclusive na paleta de cores da capa – que marcaram suas eras “Under My Skin” (2004) e “The Best Damn Thing” (2007) e a eternizaram como “motherfucking princess”

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Deixando para trás o conceito de seu antecessor “Head Above Water” (2019), que explorou sonoridades mais variáveis do pop e expôs a fragilidade e a força da cantora na luta contra a doença de Lyme, “Love Sux” traz ao longo de suas 12 faixas uma Avril Lavigne mais decidida e até mesmo empoderada, defendendo não apenas que “o amor é uma droga”, mas também a importância de seu nome como artista para as antiga e nova gerações.

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Tal concepção já é perceptível logo nos primeiros 10 segundos de “Cannonball”, faixa que abre o disco com o anúncio da cantora de que “como uma bomba relógio, está prestes a explodir”. O decorrer da música segue uma crescente da melodia dos versos para o refrão, flertando mais com o punk do que com o pop pela curta duração de pouco mais de 2 minutos e a presença de riffs enérgicos de uma guitarra com overdrive, e ilustra bem a ideia de uma contagem regressiva para o confronto com alguém que despertou nosso pior num relacionamento.

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Dando continuidade à premissa de “Cannonball”, a seguinte “Bois Lie” narra uma espécie de diálogo entre Avril Lavigne e Machine Gun Kelly com as respectivas versões de cada um sobre o fim do relacionamento. A faixa é um dos grandes destaques do álbum ao meu ver, pois além da temática da “pessoa errada e tóxica” ser um clássico que predomina no pop punk há anos, inclusive em hits da cantora como “My Happy Ending” e “Don’t Tell Me”, o troca-troca da culpa entre os artistas enfatiza numa melodia contagiante, especialmente do refrão, que ter más atitudes num relacionamento, como manipulação, mentiras e até mesmo traições, não é exclusividade de um único gênero.

A já conhecida “Bite Me” foi a faixa ideal escolhida por Avril como primeiro single de sua nova era, representando em “Love Sux” o mesmo que “Girlfriend” em “The Best Damn Thing”: uma música com um refrão chiclete, versos que contam com um riff marcante de guitarra e uma letra que exala atitude (desta vez querendo distância do homem em questão). Descrita pela própria como uma música sobre “saber o próprio valor e ter a força de seguir em frente quando sabemos que merecemos coisa melhor”, “Bite Me” conta ainda com um clipe bastante divertido e que se assemelha à estética da cantora em 2007 com o retorno de suas mechas cor-de-rosa no cabelo e da saia xadrez.

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Já em “Love It When You Hate Me”, que surpreendeu os fãs com o recém e inesperado lançamento do clipe oficial, vemos uma abordagem diferente de Avril Lavigne sobre o amor, trazendo diferentes exemplos de antônimos para expressar a frustração de querer uma pessoa que, na realidade, faz mais mal do que bem. Apesar dos primeiros versos remeterem bastante à sonoridade “tropical” da faixa “Souvenir”, de “Head Above Water”, inclusive por adotar a estética da cor laranja, o single retoma o ritmo clássico do pop punk no refrão e traz um maior dinamismo com o rap cantado por blackbear. Além da composição ser uma das mais distintas de “Love Sux”, mostra também a versatilidade de Avril em dialogar com a nova geração, com direito até mesmo a uma coreografia oficial no TikTok.

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A faixa homônima “Love Sux” resume completamente o conceito do álbum, tanto pela sonoridade mais lúdica que os teclados trazem ao ritmo acelerado das guitarras e da batida, quanto pelos versos em que a cantora relata com humor estar cheia de cair sempre nas mesmas ciladas do amor. Seja falta de sorte, seja a sina de escolher constantemente a pessoa errada, situações como medir as palavras e ouvir conselhos dos amigos para, ainda assim, sair com sequelas após um término é, de fato, exaustivo, desanimando qualquer um de imaginar passar por tudo novamente e correr os mesmos riscos; sendo “o amor é uma droga” a única conclusão possível.

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Apesar da cadência progressiva de guitarras da introdução, “Kiss Me Like The World Is Ending” é uma das faixas que menos me encantou em “Love Sux”. Talvez porque seja uma das poucas em que Avril fala sobre o amor de forma romântica e põe à mostra as fragilidades de se apaixonar por alguém e querer estar com essa pessoa até mesmo em outras vidas, o que destoa um pouco do conceito central do álbum e também das especificidades das outras músicas. Apesar deste ser um script seguido pela cantora há anos, ao meu ver a faixa funcionaria melhor talvez como b-side do disco. 

Partindo para outra esfera, “Avalanche” desacelera um pouco a intensidade dos sentimentos exaltados das faixas anteriores para trazer um olhar mais voltado para o íntimo, pondo em xeque o comodismo de apenas fugir de situações que fazem parte dos dias ruins, e evitar, por falta de palavra melhor, uma avalanche de emoções. Essa é uma das minhas preferidas do álbum por mostrar uma Avril Lavigne bastante semelhante a de “Under My Skin”, relutante em “desabar” em meio ao caos interno de admitir as próprias fraquezas. 

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Após este respiro (não tão leve) de outros ares, “Déjà vu” retorna ao tópico principal do álbum e, assim como “Bite Me”, exala através de um refrão marcante e afrontoso o basta de se insistir numa pessoa que segue repetindo sempre os mesmos erros e justificando-os com desculpas esfarrapadas ao invés de deixar a imaturidade de lado. “Você precisa saber seguir em frente e se comunicar nos relacionamentos. Com o passar do tempo, eu aprendi que as pessoas não mudam e você não pode esperar isso delas”, disse Avril sobre a faixa. É ao meu ver outro dos destaques de “Love Sux” e que deveria com certeza ser incluída na setlist dos próximos shows da cantora.

Apesar de diferenciar-se pelo ritmo um pouco mais acelerado, “F.U.” segue a mesma linha da faixa anterior, tanto na sonoridade, que poderia tranquilamente ter sido lançada na década de 2010, quanto na temática da letra de encerrar um relacionamento desgastante no qual a outra parte age de forma infantil, não dando ouvidos a críticas. Mesmo sem um grande diferencial em relação às outras, com exceção do encerramento com a risada sarcástica da cantora, ainda assim “F.U.” é uma das músicas que mais me agradou no disco, e que talvez tivesse um destaque maior com outra ordem das faixas.

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Se você fechar os olhos, é quase impossível dizer que “All I Wanted” não foi lançada há pelo menos 15 anos atrás. A parceria entre Avril Lavigne e Mark Hoppus é tudo o que os adolescentes dos anos 2000 sempre quiseram ouvir, exaltando a cena do punk rock californiano com uma batida acelerada e acordes rápidos de guitarra, que remetem à sonoridade totalmente característica do blink-182, uma das bandas preferidas da canadense que, inclusive, já fez uma versão do sucesso “All The Small Things”. 

“Dare To Love Me” é, talvez, uma das composições mais elaboradas da carreira de Avril Lavigne. A balada, que é propositalmente a única do álbum, aborda de forma melancólica e dramática por meio dos acordes de piano como principal elemento as dificuldades de se baixar a guarda e mostrar-se vulnerável para outra pessoa, desprendendo-se do histórico de decepções e do medo do abandono, como no refrão “Então, não me diga que você me ama se você não quer dizer isso / Não diga outra maldita palavra se você não acredita / Apenas me diga se você se importa comigo / Só me diga se você se atreve a me amar”

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Para encerrar a experiência de apenas pouco mais de 30 minutos, porém não menos intensa que são as 12 faixas de “Love Sux”, “Break Of A Heartache” resume a mensagem final do disco com menos de 2 minutos de duração e os versos mais rápidos e talvez mais extrovertidos até então, sobre saber identificar os relacionamentos que não valem a pena e encerrá-los com um enfático e literal “adeus”. “O quebrar de um coração partido não vale se é sobre alguém que vai continuar te machucando”, disse Avril Lavigne, mostrando que, o único amor que não é “uma droga”, é o amor próprio.

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RESUMO DA RESENHA
"Love Sux" - Avril Lavigne (2022)
Jornalista, apaixonada por música, escorpiana, meio bossa nova e rock'n'roll com aquele je ne sais quoi
resenha-love-sux-avril-lavigne-2022Marcando o 7º trabalho de sua carreira, "Love Sux" retoma as raízes de Avril Lavigne no pop punk, com faixas repletas de atitude, sentimento e, até mesmo, humor, exaltando a essência da cantora