Resenha: “Notes On A Conditional Form” – The 1975 (2020)

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The 1975
Foto: Divulgação

Podemos perceber que a trajetória percorrida pelo The 1975 os colocou em uma posição de extrema relevância na cena indie britânica. Seu vocalista, Matty Healy se tornou, despretensiosamente, um porta voz para uma geração de jovens introvertidos que povoam redes sociais como Tumblr e Twitter.

O grupo viu sua fanbase adolescente se tornar adulta e, com eles, também amadureceu ao ponto de lançar “Notes On A Conditional Form”, um projeto ousado e corajoso por se apresentar despido de qualquer intenção estética do ego e explorando relações de causa e efeito nos relacionamentos humanos e também dialogando com a coletividade.

Um poderoso discurso falado de Greta Thunberg na faixa intro expõe os desafios da atual crise socioambiental e apela aos ouvintes a não se contentarem com o status quo. Sem protagonismo, as mudanças demandadas pela sociedade não se concretizarão e as velhas regras de um falido e injusto sistema global continuarão em vigor.

Emendando com a primeira canção, “People“, a rebeldia invocada pela ativista sueca dá um tom punk, agressivo, eletrizante e complementar ao crítico conteúdo lírico (People like people / They want alive people / The young surprise people / Stop fucking with the, fucking with the).

As relações humanas e as consequências de nossas atitudes são o objeto central de “NOACF”. O eu-lírico aborda situações onde fingimos estar bem para manter aparências e conservar certos comportamentos socialmente aceitos e estereotipados (“Frail State Of Mind” e “I Think There’s Something You Should Know”). Em “The Birthday Party”, a melancolia e referência ao vício em drogas são ambientados em uma desconfortável reunião social que, na teoria, deveria ser alegre e animada. Nem sempre, contudo, as aparências correspondem aos sentimentos genuínos da vida real.

“I’m in love, but I’m feeling low
For I am just a footprint in the snow
I’m in love with a boy I know
But that’s a feeling I can never show”

Em diversos momentos do disco, Matty dispara contra a hipocrisia dos conservadores. Em “Jesus Christ 2005 God Bless America“, o assunto é endereçado de uma maneira melancólica e folk. Questões sobre religião e homossexualidade são expostas com fragilidade e um sombrio sarcasmo (Fortunately, I believe, lucky me / I’m searching for planes in the sea, and that’s irony).

As quatro faixas instrumentais presentes ao longo do álbum — “The End (Music For Cars)“, “Streaming“, “Shiny Collarbone” e “Having No Head” — servem de interlúdio para ambientar o ouvinte e conectar canções bem heterogêneas entre si. Sem a preocupação de conceber uma obra sonoramente coesa, a banda explora, nesse projeto, uma vibe mais acústica e, apesar de não ter sintetizado a produção como em discos anteriores, percebemos leves beats eletrônicos e progressivos em momentos como “Yeah I Know” e “What Should I Say“. Contudo, The 1975 continua a entregar o característico e saudoso groove oitentista que consolidou a banda— destacado na belíssima performance de “Tonight (I Wish I Was Your Boy)“.

Confrontando novamente a felicidade fabricada em “Nothing Revealed / Everything Denied“, vemos críticas entre vidal real vs. online e o plástico mundo das aparências. “Roadkill” e “Playing With My Mind” relatam as consequências do insano (e erroneamente glamourizado) estilo de vida dos músicos, os quais constantemente estão na estrada e não conseguem manter uma rotina convencional, cercando-se de solidão e vícios.

As confissões de problemas em relacionamentos são retratadas pelo The 1975 em “Then Because She Goes“, “Me & You Together Song” e “Tonight (I Wish I Was Your Boy)“, onde há sofrimento e decepção resultado de separações e amores não correspondidos (How can you be sure if you won’t try? / She said: I guess I’ll take this pain / Instead of your name).

Sob a ótica sexual, “If You’re Too Shy (Let Me Know)” aborda o primeiro encontro offline entre duas pessoas que possivelmente se conheceram na internet. Com melodia inteiramente no piano e vocais distorcidos e reverberados, “Don’t Worry” toca nas inseguranças e dificuldades enfrentadas por um casal sob a positiva perspectiva do apoio, companheirismo e deixando claro que o amor entre os dois conseguirá vencer as adversidades (When you feel no one knows just what you’re going through / When your insides feel much colder than snow / Don’t worry, darling, ’cause I’m here with you).

Started wetting my eyes
Cause I’m soft in that department
Right then I realized
You’re the love of my life”

Nostálgico e após ter revisitado um turbilhão emocional, Matty dedica “Guys“, última música do álbum aos seus colegas de banda (I was missing the guys / In my rented apartment). Na emocionante e carinhosa faixa, o artista relembra episódios compartilhados durante a última década de sua vida com os amigos e os agradece pelos melhores momentos de sua vida.

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