Resenha: “Order In Decline” – Sum 41

Sum 41
Foto: Divulgação.
Mar Aberto
Mar Aberto

No dia 19 de julho, Sum 41 liberou seu sétimo álbum de estúdio chamado “Order In Decline”, pela Hopeless Records, com 10 músicas inéditas. Este vem três anos após o lançamento de “13 Voices”, primeiro disco a vir com o selo da gravadora independente. Vale lembrar que Deryck Whibley, vocalista, produziu e mixou o trabalho por si só.

Apostando em um passeio por diversas vertentes do rock, a banda consegue misturar o pop punk com um caminho mais pesado, mostrando solos de guitarra, riffs marcantes e o vocal característico de canadense. As letras alternam entre críticas e agressivas, reflexivas e emocionantes.

A produção se inicia com “Turning Away”, parecendo ser totalmente criada para uma abertura de álbum. Ela se inicia com um piano leve que logo ganha a guitarra como acompanhante e, como em um estrondo, esta ganha seu peso e distorções feitas com a pedaleira, mostrando que a banda não se encontra nos tempos de “Hell Song” e “In Too Deep”. A bateria toma um local primordial na canção que, ainda por cima, conta com um poderoso solo de guitarra, além da voz explosiva de Deryck.

Em seguida encontra-se “Out For Blood”, uma mistura entre o “velho” e o “novo” Sum 41. Com um refrão que remete muito ao a época de “Does This Look Infected?”, a faixa conta com uma diversidade instrumental aprimorada, com solos de guitarra impactantes e muitos riffs diferenciados. A letra é forte, com partes pessimistas narradas com agressividade. Foi o primeiro single do novo disco a ser lançado, conforme você leu aqui no Nação da Música, ganhando um clipe oficial.

Mar Aberto
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“The New Sensation” parece ser um chamado para revolução. Com toques de Muse e System of a Down, o grupo mantém o peso instrumental das outras canções, mas com um refrão melódico. O vocal transita, assim, entre esta melodia e partes com gritos, não chegando a ser caracterizado um screamo. A letra, conforme já citado, pode ser interpretada com um viés político, de revolta.

O inconformismo com a situação política dos Estados Unidos fica evidente em “Death in the Family”. Acompanhando o estilo mais pesado, apostando no new wave e alguns screamos, o grupo alterna entre este som e um refrão melódico, que logo é tomado pelo seu instrumental acelerado, dando destaque a bateria e a guitarra distorcida. A faixa recebeu um clipe oficial com comparações entre os membros no passado e atualmente.

Após, uma guitarra puxada ao estilo western, com toques de Avegend Sevenfold, é iniciada em “Heads Will Roll”, com desabafos pessoais e raiva tomando conta de sua letra, porém com uma transição não tão agressiva quanto outras faixas. A levada apresenta algumas nuances, acelerando e desacelerando conforme o seguimento da música, que conta com um belo solo de guitarra distorcida. Deryck traz uma voz rasgada, com algumas puxadas tradicionais do Sum 41.

O viés político americano é jogado de forma nua e crua em “45 (A Matter of Time)”, contendo críticas puras ao governo atual dos Estados Unidos, direcionadas a Trump. A sonoridade é, talvez, a mais pesada do álbum, transitando entre um new metal até o puro heavy metal, com riffs de guitarra fortes e uma introdução de explodir as caixas de som, com a bateria tendo destaque de uma maneira evidente. O vocalista canadense canta de uma maneira com mais agressividade, querendo mostrar a mensagem que deseja passar, trazendo um refrão que promete se fixar na cabeça dos ouvintes. A faixa ganhou um clipe oficial que não deixa sobrar nenhuma dúvida quanto ao conteúdo de revolta presente na letra.

O álbum se desacelera e emociona ao apresentar “Never There”. Trazendo um estilo calmo e emocionante, com Deryck tocando um piano e seguindo durante a música de uma maneira melódica, como se quisesse passar uma mensagem que há muito gostaria de ter transmitido. Provavelmente é a faixa que mais remete o estilo tradicional da banda, com toques evidentes de suas marcas registradas e que, no final de tudo, busca tocar a consciência de quem a ouve. Um videoclipe foi liberado para ela, retratando tudo que o cantor quer passar em suas frases.

Sem muito tempo para respirar, o peso toma conta novamente em “Eat You Alive”, com um instrumental que pega de surpresa os ouvintes que, há segundos, estavam emocionados com o single anterior. Bateria acelerado, baixo marcando presença e guitarras fortes, contendo um pequeno solo distorcido, são as principais armas desta, com um backing vocal presente e algumas partes agressivas de voz beirando o a capella.

Uma das principais canções que evidenciam um novo estilo da banda aparece logo após, chamada “The People Vs…”. Novamente, sua letra contém diversas menções e representações críticas sobre a política, acompanhada de um instrumental muito acelerado, puxado totalmente para o metal. Ela contém, talvez, o melhor solo de guitarra do disco, transições, bateria com sons alternados com pausas e retornos, riffs marcantes e o cantor com sua agressividade característica. É uma das faixas mais completas e complexas, musicalmente falando, do álbum.

O trabalho se encerra com “Catching Fire”, uma música de letra pesada, abordando um imaginário suicídio da esposa do cantor, e como ele teria dificuldades extremas em viver com isso. O som é desacelerado comparado com a maioria das outras faixas, trazendo um pop punk melódico, puxando para o lado emocional, sendo evidente este sentimento na voz de Deryck.

Com isto, “Order In Decline” mantém a essência da banda e aposta em um som mais complexo, diversificado entre as vertentes do rock and roll, transitando entre sonoridades pesadas, porém seguindo um estilo próprio e tradicional. O amadurecimento musical da banda é evidente, com notas claras e alinhadas, um vocal maduro e letras devidamente pensadas, mantendo a essência do viés de revolta presente no punk rock. Mesmo após diversos anos, Sum 41 não altera sua proposta e apresenta o que é um dos melhores álbuns do gênero no ano, mostrando que o rock está mais vivo do que nunca.

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Mar Aberto
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