Resenha: “Punisher” – Phoebe Bridgers (2020)

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Phoebe Bridgers
Créditos: Facebook / Divulgação.
@nacaodamusica

“Eu não vou adiar o meu álbum até as coisas voltarem ao ‘normal’, porque não acredito que deveriam”; foi assim que Phoebe Bridgers anunciou que seu segundo disco de estúdio “Punisher” já estava no mundo no dia 18 de junho.

O comunicado foi feito através do Twitter, onde a cantora ainda aproveitou para usar sua voz e apoiar os protestos contra a força policial, que tem crescido bastante nos Estados Unidos.

O sucessor de “Stranger in the Alps” (2017) foi produzido por Bridgers junto com Tony Berg e Ethan Gruska. Esse novo compilado também conta com a participação de Lucy Dacus e Julien Baker, suas companheiras na banda boygenius, e Conor Oberst (Bright Eyes), com quem ela forma o duo Better Oblivion Community Center.

A autoria das faixas são creditadas à Phoebe, junto com Christian Lee Hutson, Morgan Nagler, Oberst e Marshall Vore. O tema central delas são, assim como em seu precedente, a desconexão em relacionamentos, depressão e assuntos relacionados e, como toda arte, pode adquirir o significado que o público der.

Em entrevista concedida à Vulture, a artista declarou que se sente “aliviada quando a arte é verdadeira e real”. Isso também foi tema durante um artigo do The New Yorker no qual ela revelou que se engana para contar a verdade, dizendo a si mesma “‘é apenas um pensamento experimental, não são meus sentimentos de verdade’. Mas no final das contas acaba sendo real.”

A primeiro canção do álbum é, na verdade, um instrumental intitulado “DVD Menu” e a sonoridade realmente lembra àquela que somos apresentados ao colocarmos um DVD para vermos um filme. Em seguida, as harmonias nos levam ao single “Garden Song”, com letras que saltam de um cenário para o outro indicando uma possível crise de dissociação com a realidade na qual a narradora está experienciando.

De acordo com Bridgers, “Kyoto” deveria ser uma balada, mas ela já estava cansada de gravar músicas lentas então “o resultado foi esse”, disse em um comunicado oficial publicado na Pitchfork. Talvez seja uma forma de homenagem à antiga capital do Japão (ou não), mas o instrumental lembra um pouco os de animes e filmes do Studio Ghibli, o que traz um tom bacana para a composição.

A faixa-título “Punisher“, nos faz voltar à habitual internalização de sentimentos, trazendo vozes distorcidas e nos causando uma sensação de estar “fora da realidade”. Aqui, caso ainda seja preciso para os mais desavisados ou quem não está acostumado com os sons de Elliott Smith, notamos a influência do cantor na carreira de Phoebe Bridgers.

“Halloween” traz a temática desse feriado estadunidense, onde as pessoas podem ser quem quiserem por um dia e expressa desejos íntimos, bem como narra acontecimentos da vida real. Foi a música que mais gostei quando ouvi a primeira vez (e continua sendo agora).

“Chinese Satellite” narra a necessidade de acreditar em algo que possa te salvar, te removendo da situação em que você se encontra. À Vulture, a artista revelou que a música está ligada ao seu amor pela saga “Harry Potter” e ao sentimento de não receber uma carta de Hogwarts: “Eu estou apenas esperando por algo que faça o meu dia ser diferente. E magia e aliens”. 

“Moon Song” traz referências à “Tears in Heaven” do Eric Clapton, John Lennon e fala sobre opiniões diferentes numa relação. O clarinete em “Savior Complex” dá um tom completamente diferente à faixa, acrescenta algo que faria falta caso não estivesse ali, bem como as cordas.

ICU”, também escrita/conhecida como “I See You”, fala sobre um término e uma ponta de ressentimento pela tardia realização do seu desejo final. No Genius, especula-se que seja sobre a relação que Bridgers tinha com o baterista, Marshall Vore.

“Graceland Too” fala sim sobre Elvis, mas também sobre se recuperar de problemas psicológicos, além da vontade de atender à todos os desejos da pessoa amada. O final majestoso desse disco fica por conta de “I Know The End” que é incrível por si só e deixa um gosto de saudade antes mesmo de acabar.

“Punisher” cumpre seu papel de sucessor, mostrando que Bridgers consegue sair do gênero indie rock com uma pitadinha de emo que a consagrou, mas nem tanto porque é sempre bom manter um pouco de sua essência.

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