Elton John volta ao Brasil para agradecer aos fãs em show histórico no Rock in Rio

Elton John
Foto: @bengibsonphoto

Aos 79 anos, Elton John subiu ao Palco Mundo do Rock in Rio 2026 na noite desta segunda-feira (7) para uma apresentação que carregava um peso diferente. Depois de encerrar oficialmente sua turnê de despedida em julho de 2023, o britânico abriu uma exceção para voltar ao Brasil e encontrou uma Cidade do Rock tomada por fãs de diferentes gerações.

O resultado foi um daqueles shows em que a sensação de passagem do tempo parece desaparecer. Durante pouco mais de duas horas, Elton revisitou uma carreira de mais de cinco décadas diante de um público que sabia cada refrão. Da primeira nota de “Funeral for a Friend/Love Lies Bleeding” ao encerramento com “Your Song”, a plateia acompanhou o artista praticamente o tempo inteiro, transformando o Palco Mundo em um grande karaokê.

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A apresentação reuniu mais de 100 mil pessoas e entrou para a história do festival também por outro motivo: aos 79 anos, Elton John se tornou o headliner mais velho da história do Rock in Rio.

Elton John já havia dito adeus às grandes turnês. A previamente mencionada “Farewell Yellow Brick Road” foi construída justamente como o encerramento de sua vida na estrada, depois de uma decisão de diminuir o ritmo para dedicar mais tempo à família.

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O Brasil, porém, ficou fora daquela despedida. A pandemia de Covid-19 impediu que a turnê passasse pelo país, algo que Elton fez questão de lembrar ao explicar por que aceitou o convite para o festival.

“Não viemos pro Brasil com a turnê ‘Farewell Yellow Brick Road’ por conta da Covid, fiquei devastado por isso. Quando me perguntaram se cantaria no Rock in Rio, disse que sim. Queria vir agradecer por todo amor que vocês têm demonstrado ao longo da minha carreira”, afirmou durante o show.

O Rock in Rio costuma reunir públicos diferentes, mas o “homem foguete” conseguiu criar uma atmosfera que atravessava idades com naturalidade. Pais, filhos, casais e fãs que provavelmente descobriram suas músicas em momentos completamente diferentes da vida estavam ali pelo mesmo motivo.

A impressão era quase a de um almoço de domingo em família, daqueles em que um tio distante aparece para uma visita e, quando começa a contar histórias, todo mundo percebe que conhece alguma parte daquela trajetória.

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Só que, neste caso, o tio era uma das figuras mais importantes da história da música pop.

Elton conduziu a apresentação sentado ao piano, como fez durante boa parte da carreira, enquanto a banda sustentava um repertório construído para percorrer diferentes fases de sua trajetória. “Bennie and the Jets”, “The One”, “Have Mercy on the Criminal” e “I’m Still Standing” apareceram entre os destaques de uma setlist que também resgatou faixas menos óbvias para o público geral.

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Um dos momentos mais bonitos aconteceu durante “Crocodile Rock”. No telão do Palco Mundo, Elton exibiu imagens de fãs brasileiros de diferentes idades, com bandeiras, fantasias e referências ao país.

A escolha reforçou uma característica que marcou toda a apresentação: o músico não parecia interessado em simplesmente reproduzir um show centrado em seus hits mais populares. Havia uma tentativa clara de reconhecer a relação construída com o público brasileiro ao longo das décadas.

E essa relação é antiga. O artista já havia passado pelo Rock in Rio em 2011 e 2015, antes de retornar ao festival em 2026.

A força do repertório apresentado no Rock in Rio está justamente na quantidade de épocas que ele consegue atravessar. “Tiny Dancer” e “Levon” representam a fase inicial de uma carreira que explodiu nos anos 1970. “Rocket Man”, “Philadelphia Freedom” e as faixas de “Goodbye Yellow Brick Road” lembram a dimensão que Elton alcançou naquele período.

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Mas, antes da última música mencionada no parágrafo anterior, Sir Elton cantou “Candle in the Wind”. Composta em parceria com Bernie Taupin, a canção foi inspirada na icônica atriz de Hollywood Marilyn Monroe e, por isso, dedicada a ela, que completaria 100 anos em junho de 2026. A letra aborda a exposição, a fragilidade e a solidão associadas à fama.

Ao longo da noite, também apareceram músicas de diferentes momentos de sua discografia, incluindo “Sacrifice”, “Sorry Seems to Be the Hardest Word” e “I’m Still Standing”. No bis, “Cold Heart”, parceria com Dua Lipa lançada em 2021, mostrou que o repertório de Elton continuou encontrando novas gerações.

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Ao se encaminhar para o final, o artista tocou “Skyline Pigeon” e destacou que a música é particularmente popular no Brasil. A obra integrou a trilha sonora da novela “Carinhoso” (1973), criada por Lauro César Muniz e inspirada na peça de teatro “Sabrina” (1953), de Samuel A. Taylor.

Quando os primeiros acordes de “Your Song” começaram, a Cidade do Rock já estava completamente entregue. Elton acompanhou o público ao piano enquanto milhares de vozes assumiam a canção.

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Aos 79 anos, diante de uma plateia formada por diferentes gerações, o cantor encerrou sua noite no Rock in Rio com uma cena que resume bem o que foi sua passagem pelo festival: um artista que já havia se despedido dos palcos e voltou ao Brasil para cumprir uma pendência afetiva e mostrar sua gratidão aos fãs brasileiros.

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Stephanie Hora
Stephanie Hora
Jornalista, apaixonada por música, livros e cultura em geral.