
Na última sexta-feira (25), o cantor Jão deu o pontapé inicial na sua turnê “Memórias Póstumas” no Nubank Parque, em São Paulo, e eu, Guil Anacleto, fui conferir de pertinho o espetáculo do atual príncipe do pop brasileiro pela primeira vez.
A energia da plateia, em sua maioria jovem, era contagiante desde os arredores do estádio e só foi se intensificando à medida em que o palco 360º ia ficando mais e mais próximo. Mesmo com aproximadamente 55 mil pessoas entoando as faixas de seus 4 discos, sobretudo do homônimo da turnê, e a disposição e espacialidade do palco 360º de proporções monumentais, o conforto dos ingressantes da pista não foi comprometido pois havia espaço de sobra nas periferias perimetrais próximas às saídas e aos bares para aqueles que gostariam de evitar a aglutinação da multidão.
Um ponto importante, inclusive, é que esse número de público da turnê dá ao cantor o título de maior show da história do estádio superando as três datas da cantora Taylor Swift que atingiram cerca de 50 mil pessoas por show. Impressionante.
Sobre a estrutura e estética de efeitos especiais, o show foi grandioso em tudo contando com uma espécie de “palco espelho d’água”, muita pirotecnia – tanto na borda da cobertura do estádio, quando na borda do palco – um balé que preencheu bastante o tamanho do palco e plataformas elevatórias que davam à banda, a chance de ter o seu destaque para além do talento ímpar.
Não é necessariamente um problema, mas as pessoas que estavam na pista não tinham uma visão tão nítida dos elementos aquáticos por exemplo, devido a altura do palco, o que fazia a visão das cadeiras ser mais interessante neste aspecto, ou seja, ficar perto do artista e perder um pouco do espetáculo como um todo ou ter uma visão panorâmica com mais distanciamento? Fica a critério de cada um.
Um ponto chave e bastante impactante da turnê foi a presença da atriz Isabel Teixeira que dramatizava monólogos como interlúdios durante troca de blocos e/ou figurinos do artista. Foi ela inclusive o “ato de abertura” da turnê. Particularmente, assistir a atriz ao vivo, para mim que sou ator, foi um privilégio mas é improvável que não haja dispersão por parte do público durante as inserções dramáticas como pude observar ao meu redor. Uma pena.
Outro momento destaque foi a presença da Deputada Érika Hilton que foi a convidada do cantor durante a música “Meninos e Meninas” que tem um forte apelo ao combate da LGBTQ+fobia.
Isto dito, é seguro dizer que, num Brasil dominado pelo sertanejo nas plataformas digitais, Jão consegue se consolidar a cada projeto mostrando que nem sempre recorde de reproduções e/ou números nos charts e plataformas digitais são o único grande balizador de sucesso quando se tem uma comunidade engajada e um impacto cultural sobre uma legião fiel de fãs capazes de lotar um estádio numa sexta-feira à noite, mesmo sendo um artista local.
Que viva a arte genuína, sensível e poderosa como a do Jão que mostra pra juventude do nosso país que é possível viver a flor da pele e encontrar beleza na liberdade.
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