
A cantora Catarina Zenaro lançou, no mês de junho, o EP “I Want The Love I See In Movies” nas plataformas digitais de música. O trabalho, formado por cinco canções autorais em inglês, chega pelo selo da Citadel House e conta com a produção de Rique Di Azevedo.
Zenaro gravou “I Want The Love I See In Movies” entre os anos de 2024 e 2025, dedicando-se à reflexão em torno de seus relacionamentos amorosos ou não, e idealizações construídas a partir das comédias românticas. Ao refletir sobre desilusões amorosas e perdas de amizades, a cantora questiona sobre a possibilidade de encontrar um amor de cinema.
A Nação da Música conversou com Catarina Zenaro sobre as inspirações para o EP, a nova etapa da carreira solo e planos de lançamentos futuros.
Entrevista por Isabel Bahé.
————————————– Leia a entrevista na íntegra:
Apesar de ser batizado pela última canção, o EP traz uma mensagem conceitual e muito coesa. Como surgiu o conceito de “I Want The Love I See In Movies”?
Catarina Zenaro: Na verdade, o conceito vem desde o começo do processo de composição. O nome, que veio da última música, surgiu de última hora. O conceito por trás das músicas aborda relacionamentos pelos quais passei, tanto de amizade quanto amorosos, experiências que tive nos últimos anos. Percebi que todas as músicas que escrevia e todas as situações que contava tinham algo em comum: todas deram errado. Pensei: “Que ruim, mas pelo menos vou poder escrever sobre isso”.
Uso a composição e a música como uma forma de escape, um lugar para desabafar. Foi isso que quis trazer. Quando vi que todas as músicas tinham esse tema, escolhi a primeira frase da faixa “Never Take That Back” para dar nome ao EP, porque achei que ela amarrava todas as outras. A música é basicamente a conclusão: “Passei por tudo isso, deu tudo errado e, no final, só queria que fosse igual nos filmes”. O conceito veio dessa conclusão, e, de última hora, ouvindo as faixas, percebi que aquela frase seria um bom nome, porque sintetiza o que fica depois de ouvir todas as músicas.
Suas canções têm um tom muito intimista. Parecem ter sido escritas durante a madrugada, e passam a impressão de solitude, de ficar sozinha com os pensamentos. Como foi o processo de composição?
Catarina Zenaro: Cada música tem sua situação específica. “House Party” foi escrita de madrugada, quando a inspiração veio e precisei levantar e escrever. Já “Never Take That Back” surgiu numa viagem ao litoral. Estava num Airbnb, sem violão e sem pretensão de compor, mas havia um violão disponível, peguei para tocar e a música saiu. Sou muito grata ao dono da casa. Cada música tem um processo: umas vêm de madrugada, outras em viagens, outras quando sento e decido compor.
Como equilibrou a escrita para desmantelar a idealização, que você menciona como tema central, sem parecer que está frustrada demais com a realidade?
Catarina Zenaro: Isso não passa muito pela minha cabeça no momento da escrita, talvez de forma inconsciente. Nunca penso conscientemente em qual mensagem quero passar ou se a impressão está correta. Cada música vem de forma natural, de uma inspiração repentina ou de um momento inesperado. Escrevo o que estou sentindo, sem lapidar ou julgar. Depois, no estúdio com o produtor, lapidamos as palavras para expressar melhor a mensagem. Mas o processo de composição é um desabafo natural, sem pensamento crítico na hora.
Há alguma música do EP que você ache particularmente catártica ou difícil de cantar ao vivo?
Catarina Zenaro: Todas são sensíveis e com tópicos complicados. Minhas músicas são muito específicas, inclusive uma tem um nome fictício. Gosto de trazer detalhes reais, datas e informações relevantes. Recentemente, apresentei todas ao vivo pela primeira vez e não senti dificuldade, talvez porque o público fosse mais familiar. Se tivesse alguém na plateia para quem alguma música foi escrita, seria mais difícil. Se for escolher uma, seria “22”, a última que escrevi para o EP e a mais recente, que aborda um tópico atual na minha vida.
Você citou Taylor Swift, Alicia Keys e Michael Jackson como referências artísticas. Quais artistas você considera como inspiração para sua carreira?
Catarina Zenaro: Taylor Swift é minha maior referência, sou fã desde pequena e comecei na música por sua causa. Olivia Rodrigo também é uma grande referência atualmente; tenho escutado muito o último álbum dela, que é maravilhoso, e me identifico com as temáticas que ela traz. Ela tem uma pegada mais pop rock, que é algo que gosto e acabo trazendo. Também gosto de Sabrina Carpenter, Chappell Roan e das divas pop. Escuto bastante rock por influência dos meus pais, o que acaba entrando no meu inconsciente. É bem eclético: dá para perceber estruturas pops, mas em “Bella”, por exemplo, há mais influência do rock, que subverte a estrutura de verso e refrão.
Como surgiu a estética visual do EP?
Catarina Zenaro: Isso se relaciona com a escolha do nome de última hora. Tinha um conceito para as fotos, que fiz com a fotógrafa Carol, que é incrível e captura bem o que quero. Queria passar uma ideia de inocência, de boneca frágil e delicada, usando elementos como renda, laços e cores neutras como bege e preto. Esse conceito conversa com a temática das músicas: ser tratada como um brinquedo, de brincarem com seus sentimentos. O resultado das fotos ficou incrível, mesmo que o nome tenha mudado depois.
O título do seu EP é, em tradução literal, “Eu Quero o Amor que vi nos filmes”. A quais filmes você se refere? E qual lição tirou ao perceber que a frustração não se concretiza, algo que muitas pessoas sentem ao entrar na vida adulta?
Catarina Zenaro: Sou fã de comédias românticas. Meu filme favorito é “10 Coisas que Eu Odeio em Você”, e sempre reassisto. O interessante é que, nesses filmes, os relacionamentos não são perfeitos, mas no final tudo se resolve, dando esperança de que, mesmo dando errado no meio do caminho, tudo acaba bem. Acredito nesse mantra para todas as áreas da vida.
Quanto à lição, acho que ainda estou aprendendo. Aos 21 anos, ainda estou navegando. Sei que algumas coisas dão errado por um motivo e servem de aprendizado. Isso não significa desistir do grande amor, porque o amor está em muitos lugares: na família, nos amigos, nos hobbies. A música, por exemplo, é o meu grande amor. Talvez essa seja a lição.
O que seus fãs podem esperar para o futuro?
Catarina Zenaro: Estou sempre tentando compor novas músicas e trazer novas experiências da minha vida para elas. A música sempre será esse escape e momento de desabafo. Quero que as pessoas se identifiquem e se sintam acolhidas, como eu me sinto ao ouvir artistas como Olivia Rodrigo, que parecem escrever exatamente sobre o que vivo. Quero continuar criando esse lugar de identificação para quem ouve.
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