Entrevista: Cris Botarelli, do Far From Alaska, fala sobre o debut, planos e influências da banda

Da crescente cena potiguar surgiu o Far From Alaska em 2012. Formada por  Emmily Barreto (Voz), Cris Botarelli (Synth), Lauro Kirsch (Bateria), Rafael Brasil (Guitarra) e Eduardo Filgueira (Baixo), o FFA nem tinha completado um ano quando chamou a atenção não só do público brasileiro, como também de Shirley Manson, vocalista do Garbage, no Planeta Terra de 2012. Em junho deste ano, a banda lançou o primeiro álbum, “modeHuman”, pela DeckDisc, e segue em turnê promovendo o trabalho pelo Brasil.

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@nacaodamusica

Leia a entrevista que fizemos com Cris Botarelli, falando sobre o disco de debut da banda, os planos e as principais influências do Far From Alaska:

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Entrevista por: Thais Carreiro

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Nação da Música – Com seis meses de banda, em 2012, vocês estiveram presentes no Terra. Quase dois anos depois lançam seu primeiro “álbum completo”, modeHuman. O que mudou do Far From Alaska de lá para cá?

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Cris Botarelli – Pensamos muito querendo achar algo que tenha mudado, mas na nossa cabeça só vem um símbolo de reticências bem grande. De fato tivemos vivências novas que não tinham rolado com outras bandas nossas, como, por exemplo, essa coisa de show grande no Terra e gravação em estúdio profissional no Rio, mas essencialmente acho que não mudou absolutamente nada, não. A gente continua fazendo e querendo as mesmas coisas, sendo chato do mesmo jeito, brigando pelos mesmos motivos na hora de compor (ehehe), e por aí vai…

Falando em festival, em qual evento vocês sonham em tocar?

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Primeiramente, tocar em festival é demais! Grande ou pequeno, o clima é sempre muito legal, o público sempre muito atento… Rola uma energia diferente! No mais, não dá pra não sonhar em tocar num Lollapalooza da vida, Rock in Rio, Coachella, Glastonbury, Rock AM Ring… ahahah você falou em sonho, né? A gente quer tudo, poxa!

Far From Alaska com Shirley Manson nos bastidores do Planeta Terra em 2012, Fonte: Far From Alaska?Facebook

Vocês fazem um rock pesado, com elementos eletrônicos, comparado com o Nine Inch Nails nos anos 90. Eles são uma inspiração da banda? Quais são os principais nomes que inspiram vocês?

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NIN é uma banda que escutamos bem pouco, porém sempre que rola é transformador, então acho que não deixa de ser. Só não diretamente. Aliás, não tem influência direta de nada, e às vezes sentimos que essa busca imediata pela referência expressa é algo comum com as bandas aqui Brasil, não sabemos bem por que. Como se de alguma forma tivéssemos que validar o som com alguma influência, geralmente gringa. Somos inspirados por tudo que escutamos, não tem tanto como categorizar isso. Somos cinco cabeças muito diferentes, temos gostos muito diferentes e na hora de compor isso se evidencia, pois cada um traz sua bagagem. Se a gente disser que tem melodias nossas que soam como J. Lo ou Lana Del Rey, e que tem riff que lembra Charlie Brown Jr, por exemplo, vai parecer muito absurdo, mas pra gente tem sim essa referência. Quanto mais livre for seu processo de composição, quanto menos você tentar se enquadrar num estilo x ou y e fazer aquilo que é natural pra você, mais coisas inusitadas e impensadas vão aparecer na sua música e a gente valoriza essa vibe. Em resumo, dá pra pular essa pergunta? Hahaha.

A banda já nasceu compondo e cantando em inglês? Por que a opção pela língua?

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Escutamos uma porrada de bandas em inglês a vida inteira, na hora de compor acaba nos parecendo até mais natural que o português. Contudo, ainda assim, não foi nada pensado e não tem tanto motivo, é porque a gente gosta mesmo. Tem gente que critica, que garante que isso vai nos impedir de chegar ao “grande público”, mas cara: 1-) a gente gosta assim; 2-) quem escuta rock invariavelmente escuta bandas em inglês e está acostumado com isso, não conhecemos nenhum roqueiro que só escute bandas em português, pelo menos ; 3-) é 2014 pessoal! Quem não sabe inglês está na hora de aprendeeerrr, já teve até Copa do Mundo aqui cheia de gringos e tal ahaha 4-) a gente gosta assim 2x. E gostar é importante, sabe? Cada um fazendo o que gosta e tal. Respeitamos as opiniões de todos e, inclusive, achamos fantástico quem compõe em português e consegue empregar bem as palavras, estamos num momento de ótimos compositores no Brasil, só não é muito a nossa.

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Mesmo com muita coisa boa surgindo fora do eixo Rio-São Paulo, a impressão é que as coisas são mais simples para as bandas dessas duas cidades. Como é a cena independente no Nordeste?

Será que é tão mais simples assim? Não sei, a gente nunca esteve em contato maior no eixo Rio-São Paulo pra avaliar isso empiricamente. A facilidade que vemos hoje e que nos faz querer descer aí pro sudeste é só a proximidade de outras cidades também interessantes. Hoje a gente recebe proposta de show em Belo Horizonte, Curitiba, Floripa, por exemplo, e é difícil conseguir atender porque estamos muito longe, a passagem é cara etc, não fica viável nem para os produtores nem pra nós. Se estivéssemos mais perto rodaríamos mais, essa é a impressão que temos. No mais, o nordeste é nossa referência desde que a gente nasceu no rock, então a gente nivela por aqui. Tem muito festival legal (destaque para o Dosol aqui em Natal, que é o mais legal do Brasil ahaha), tem rota, tem show, e especialmente, tem muita banda boa. Só não tem cachê bacana, mas reza a lenda que em nenhum lugar tem, né? De toda forma isso não impede nada, tem muita gente aí na atividade fazendo as coisas acontecerem de forma improvável, já que a cultura geral daqui é muito forte pra o lado do forró, por motivos óbvios.

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Vocês fizeram o primeiro show da turnê de “modeHuman” recentemente. Quais são os planos daqui pra frente, quais serão as próximas cidades a receber vocês?

A gente não aguenta mais de vontade de sair rodando o país inteiro pra tocar em tudo que é lugar e cidade e festival e onde mais nos chamarem. Faremos umas datas agora em julho em São Paulo e logo mais em agosto/setembro o plano é entrar em uma tour de mais ou menos um mês por aí. Aguardem cartas!

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O que não pode faltar na playlist do Far From Alaska?

Cada um falou duas bandas que tá escutando, já que uma playlist “Far From Alaska” ia dar confusão pra montar: Dead Weather / Bob Marley; John Butler Trio / The Raconteurs; Biffy Clyro / Nada Surf; Warpaint / Aldo, The Band; Arctic Monkeys / Haim.

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