Entrevista Exclusiva: The Maine fala sobre Brasil, fãs, lançamentos futuros e mais

the-maine2The Maine desembarca no Brasil para a “American Candy Tour” em menos de uma semana. John O’Callaghan, Jared Monaco, Kennedy Brock, Garrett Nickelsen e Pat Kirch passam pela quarta vez por aqui para divulgar o disco mais recente, o “American Candy”, lançado em março de 2015. A banda se apresentará com a banda The Technicolors no Rio de Janeiro, dia 31 de junho, em São Paulo, nos dias 01 e 02 de agosto, em Porto Alegre, dia 04, e por último em Curitiba, no dia 05 -confira maiores informações aqui.

Em meio aos preparativos para a turnê brasileira, o vocalista John O’Callaghan conversou com a Nação da Música sobre a expectativa de estar de volta ao país, “American Candy” e revelou que músicas novas serão lançadas ainda este ano. Confira:

Entrevista por: Veronica Stodolnik e Andressa Oliveira. Tradução: Mariane Ávilla.

Dois anos separam “Forever Halloween” de “American Candy”. Assim como nos outros discos, esse último álbum está bem diferente. Qual o motivo da mudança?

John: Bom, sobre o tempo entre os dois álbuns, acho que foi por que tentamos fazer com que o “Forever Halloween” chegasse nas mãos e nos ouvidos de todos, pois gostamos muito do jeito que ele foi produzido e gravado, já que fizemos tudo ao vivo e junto, então acho que tinha muita coisa que queríamos falar e compartilhar sobre o álbum. Fazer tudo de maneira independente e fora de uma gravadora meio que nos obriga a pegar a estrada e divulgar o máximo que pudemos, então por isso esse espaço entre os dois.

Para o novo álbum, acho que foi importante pra mim estar em um lugar melhor, mentalmente falando. Comecei a ouvir de várias pessoas “você está bem?” e “hey, qual o problema?” e tal, e pra mim isso afetou bastante em tipo, se olhar no espelho e fazer uma introspecção e entender em que estado eu me encontrava. Eu tirei um tempo para mim mesmo para tentar descobrir as coisas e percebi que é importante ser otimista, pois é muito fácil ser o oposto e ser cínico. Então é, eu queria promover positividade e energia nesse álbum.

“American Candy” tem letras mais tranquilas, outras com grandes mensagens e outras bem pessoais. Como foi expor a vida em “24 Floors”?

John: Essa foi uma música bem difícil de lançar e, olhando para trás, foi muito importante para mim ter lançado-a, sabe? Eu não quero falar muito sobre o significado dessa música pois eu acho que está bem claro, mas eu queria mostrar para as pessoas com sentimentos parecidos a noção de que elas não estão sozinhas, por que eu acho que no dia a dia podemos ficar tão presos e tão egoístas que esquecemos que todo mundo sofre, que todo mundo passa por dificuldades em diferentes níveis. Porém, acho que é importante falar disso e fazer as pessoas saberem que elas não estão sozinhas. Espero que ajude alguém a sair do lugar escuro.

Nos conte um pouco sobre o processo de gravação do American Candy. Por que deram um tempo das redes sociais?

John: Primeiro de tudo, foi bem diferente do “Forever Halloween”, que voltamos para o modo de gravação digital. Acho que a razão de termos desconectado foi para focarmos nessa tarefa de gravar o CD. Fomos para uma cidade no deserto, literalmente no meio do nada, e alugamos uma casa e, é, tínhamos apenas 32 dias para gravar, o que parece bastante tempo e acho que foi importante que focássemos toda nossa energia nisso. Isso de “sem distrações” realmente ajuda, acredito que ajuda a formar o som do álbum e a manter o foco desse “som universal” que o CD emana.

Então foram 32 dias apenas vocês no meio do deserto, basicamente?

John: Sim! Tivemos muita sorte. Não sei se vocês têm no Brasil, mas aqui temos um serviço chamado AirBNB, que basicamente tem pessoas alugando casas por um período de tempo, e achamos essa casa incrível que esse cara bem legal alugou para a gente, e ele já tinha um espaço para gravar música, o que foi bem legal. As vizinhanças mais próximas eram tipo a 100 metros da gente então dava pra fazer barulho e bastante música no meio da noite sem se preocupar em incomodar ninguém. Então sim, tivemos muita sorte com a estrutura da casa que também harmonizou bem com todo nosso equipamento e tudo.

Então vocês estão voltando para o Brasil! Eu li por aí que vocês mal podiam esperar para voltar pra cá. Qual a melhor lembrança que vocês têm do nosso país?

John: Cara… Tivemos tantos momentos legais. Acho que não dá pra recriar a nossa primeira visita, mas felizmente para nós toda vez que voltamos tem sido cada vez mais louco então… Eu sempre vou me lembrar da primeira vez que voamos para o Brasil, conhecendo o ar e vendo a cidade pela primeira vez. Ver as imagens nunca faz justiça. Então saber que estávamos prestes a pousar em um lugar que nunca estaríamos se não fosse pela nossa música, acho que é algo bem especial. Mal posso esperar pra entrar num avião na terça-feira e fazer tudo de novo. Acho que em cada visita ficamos cada vez mais confortáveis e, sei lá, com vontade de descobrir mais ainda o lugar e a cultura, e, honestamente, terão pessoas que vamos ver pela quarta vez . Não sei, isso é muito muito emocionante.

Agora…o que vocês esperam dessa turnê? E o que os fãs podem esperar?

John: Estamos trazendo nosso grande amigo Brennan, do The Technicolors, e, como eu estava dizendo em outra entrevista, é muito emocionante para mim e para nós podermos fornecer essa oportunidade de visitar um lugar tão lindo pela primeira vez graças à música. Eu estou muito ansioso para ver como ele digere toda essa experiência e para ver o sorriso no rosto dele ao subir ao palco lá pela primeira vez. Estou muito, muito ansioso, acho que vai ser um momento tipo “pai orgulhoso”, sabe?

Acho que inevitavelmente vai ser diferente da última vez. Obviamente vamos trazer músicas novas então vamos focar no álbum novo, nós vamos tocar metade dele. Parece muito, mas na verdade são apenas 5 músicas, porém vamos fazer o nosso melhor para equilibrar músicas novas e antigas como sempre fazemos, mas não sei, acho que as pessoas vão notar que nossa energia de palco está diferente da última vez e tem uma nova camada de coisas que estamos fazendo que ainda não foi vista ou sentida no passado.

Falando em shows, vocês recentemente anunciaram uma turnê inteiramente gratuita. Como essa ideia surgiu?

John: Estamos com essa ideia há um tempo. Acho que, para nós, sempre foi importante manter uma relação super saudável com as pessoas que nos apoiam e gostam do que fazemos e, para ser honesto, já tiveram várias vezes em que nós queríamos simplesmente ligar e agradecer cada uma das pessoas que já compraram nossos álbuns ou foram a um dos nossos shows, ou até mesmo deixado um comentário na nossa página do Facebook ou algo assim. Na realidade, é tão complicado fazer isso então em vez de lançar uma música de graça ou um vídeo novo, decidimos que uma maneira muito legal de retribuir seria esses shows de graça e trazer pessoas que ainda não tiveram coragem de nos ver ou que não puderam gastar dinheiro para nos ver com a oportunidade de fazer isso de graça. Então espero que seja para as pessoas que têm nos apoiado e vindo a tantos shows e que elas reconheçam que é 100% para elas um presente nosso e, ao mesmo tempo, que tragam aqueles amigos que sempre ficaram em cima do muro sobre nos ver ou não. Estou super ansioso para ver como as coisas vão acontecer, estamos bem nervosos pois não sabemos o que esperar, mas acho que é isso que está fazendo tudo ser mais emocionante.

Será uma turnê mais acústica ou shows completos?

John: Serão shows completos! O mais interessante é que vamos ter que montar todo o palco, vai dar um bom trabalho, mas acho que, se tudo sair de acordo com o plano, vai valer a pena.

E sobre uma série de shows com o repertório dedicado ao último CD?

John: Esses shows serão intercalados com os shows de graça simplesmente porque não conseguiríamos entrar em turnê em shows 100% gratuitos durante um mês e meio já que vamos pagar para alugar os lugares onde vamos tocar de graça. Então nós ainda precisamos fazer dinheiro o suficiente para gasolina para voltar para casa e foi aí que decidimos fazer isso em vez de fazer shows normais; já fizemos no passado com outros álbuns e tocamos as coisas do começo ao fim. Acho que é importante para as pessoas ouvirem todo nosso trabalho nesse ambiente e tocar assim e espero que traduza a ideia de que nós nos dedicamos totalmente nisso que fazemos e esperamos que as pessoas vão apreciá-lo.

2015 tem sido um grande ano até agora. O que podemos esperar do futuro? Depois da turnê, vocês já têm algo em mente?

John: Sim! Acabamos de gravar algumas coisas que pretendemos lançar antes do Natal. Não posso entrar em muitos detalhes sobre isso pois é pra ser uma espécie de segredo legal, mas as pessoas podem esperar por novas músicas. Nossos amigos do outro lado do rio podem esperar coisas em breve também, sei que as pessoas do Reino Unido e da Europa têm ficado bravos com a gente pois estamos anunciando shows em tantos lugares exceto em suas cidades e países. Então vamos pegar a estrada, e acho que em um mundo perfeito seria incrível visitar o Brasil mais uma vez em 2016 se tudo ocorrer de acordo com os planos, seria uma maneira legal de nos despedir para ir gravar o próximo álbum, qualquer que seja o nome dele. Sei lá, em algum ponto devemos lançar alguma nova versão do álbum com músicas que não entraram nele. Acho que todos que têm nos seguido há um tempo, especialmente nos últimos 3 álbuns, vão saber que não gostamos de ficar parados, gostamos de pegar a estrada e quando estamos em casa gostamos de estar gravando, então as pessoas podem esperar novas músicas e esperançosamente mais datas para nos ver.

Já são oito anos de banda. Como tem sido essa jornada até agora?

John: Tem sido uma das mais incríveis experiências da minha vida. Sinto que cresci muito na estrada, e cresci muito como homem nos últimos 8 anos. Estou para sempre grato pela oportunidade que as pessoas estão me dando de fazer e tocar música e viver disso. Acho que um dos mais bonitos presentes que poderiam ter nos dado é o poder de nos expressar e saber que as pessoas se importam com o que temos para dizer, acho que isso é algo que eu nunca vou conseguir retribuir, mas espero que pela nossa música e pelo que fazemos isso fique aparente.

Para finalizar. Vocês tem algum recado especial para os fãs brasileiros?

John: Eu poderia tentar dizer algo em português, mas eu sou  péssimo com isso, sou horrível com computadores e com outras línguas. Tudo que eu posso dizer é que estamos muito, muito ansiosos para voltar. Não conseguimos agradecer vocês o suficiente pelo apoio e por nos permitir voltar para o Brasil pela quarta vez. Para todas as pessoas que não podemos visitar por agora, aguenta aí que estamos tentando chegar em todos os lugares. Amamos todos vocês e, se a gente não se ver agora, nos vemos na próxima vez.

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Bárbara Araujo
Bárbara Araujo: Carioca que tem São Paulo como casa desde 2009, estuda Jornalismo e escreve para a Nação da Música desde 2014. Passa mais tempo ouvindo música e assistindo a vídeos de shows do que qualquer outra coisa. Ainda compra CD, ama pop-punk, cachorros e é facilmente encontrada em shows.

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