Entrevistamos Janeiro e Paulo Novaes sobre “Protocolar Vol. II”

Janeiro e Paulo Novaes
Foto: Divulgação

Foi com a fusão das identidades musicais do cantor e compositor português Janeiro e do brasileiro Paulo Novaes que o álbum “Protocolar VOL. II” nasceu.

Com composições autorais, introspectivas e com mensagens relevantes, o disco chegou ao público trazendo a influência da MPB, entre diversos outros gêneros. Para falar sobre o material, os artistas conversaram com a Nação da Música e o papo você lê a seguir.

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Entrevista por Katielly Valadão.
——————————— Leia a íntegra:
Olá, pessoal! Como vocês estão? Vamos bater um papo sobre “Protocolar VOL II”, que chegou ao público em 11 canções. Pra começar, como surgiu a ideia da parceria e como o encontro musical de vocês aconteceu?
Janeiro e Paulo: Olá, pessoal do Nação da Música! Primeiramente, é um prazer imenso falar com vocês. “Protocolar Vol. II”, é o segundo disco do nosso projeto “Protocolar”, parceria que surgiu no fim de 2019, período em que eu, Paulinho, morava em Lisboa. Decidimos dar esse nome depois de uma história curiosa que nos aconteceu no Teatro da Garagem, em Lisboa, Portugal, logo depois de termos estado no Café da Garagem, logo por baixo do teatro.

Quando subimos para ir embora, logo após termos escrito “Pra Ser Irmão”, primeira canção do “Protocolar Vol. I”, vimos que a porta do pequeno teatro estava aberta – decidimos entrar para fazer um pequeno vídeo para as nossas redes sociais, para poder mostrar às pessoas o que tínhamos feito, perceber o que sentiriam, e ter um feedback de algo que tinha acabado de surgir: logo percebemos que foi uma péssima ideia, porque chegou um segurança com uma atitude estrondosamente agressiva, que só faltava começar a ameaçar a integridade física, porque nos enviou uma energia tão negativa que quebrou todo esse fluxo de criação no qual tínhamos entrado.

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Logo após pedirmos desculpa ao segurança, rumamos ao miradouro de nossa senhora do monte, onde discutimos sobre como a burocracia e o protocolo do sistema estava e está a acabar com a organicidade do momento presente. Esse momento curioso deu origem ao projeto e deu origem ao nome do álbum. A junção das nossas mentalidades e o diálogo sobre algo que normalmente não é fácil dialogar com o outro foi o berço para o projeto em conjunto “Protocolar”.

As composições têm uma pegada bem introspectiva e reflexiva, que fazem pensar na vida. Como o conceito do disco nasceu e qual foi o principal guia criativo de vocês durante esse processo?
Janeiro e Paulo: O conceito do disco é uma continuação e um desenvolvimento dessa história contada no “Protocolar Vol II”. Basicamente, o volume 1 traz uma abordagem mais crítica ao sistema burocrático e protocolar e limita as formas naturais do tempo e da vida. Já no volume dois, composto e produzido no Brasil, a ideia é expandir essa ideia através de provocações reflexivas que estão representadas em duas frases que se repetem ao longo do disco: “Tem vida lá fora” e “Se não viver, nunca vai saber”.

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Em relação aos gêneros musicais, a gente encontra uma mescla de sonidos nesse álbum. Como aconteceu a junção das duas nacionalidades e de suas particularidades na hora de pensar no tom que o projeto teria?
Janeiro e Paulo: A questão da sonoridade a gente deixou rolar de maneira natural. Cada um de nós tem uma referência diferente, apesar de também termos muitas influências em comum. Um ponto importante que também é a base conceitual do projeto é a de não ter nada pré combinado nem pré arranjado.

Quando fomos para o interior de São Paulo para produzir o álbum, não havia uma ideia sequer, nada. A gente desenvolveu todo o conceito, as composições e a estética de produção de uma maneira fluída e natural. Isso de alguma maneira também é alinhado ao conceito geral do projeto que é a não-protocolariedade nos processos de produção musical e de criação.

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Gostaria de puxar um gancho pra faixa 5, “O Que é Viver”, que inspira muito e que tem uma mensagem muito clara. Pensando nela, assim como no resto do álbum, qual a principal mensagem que vocês gostariam de deixar para as pessoas através desse trabalho que criaram?
Janeiro e Paulo: A faixa “O Que é Viver” representa bem a ideia que queremos passar com o disco. Existe um componente importante para entender o conceito do disco que é o período em que ele foi feito. Foi bem logo após a pandemia, nos primeiros movimentos de abertura, ainda assim restrito. A gente tinha uma sede de viver naquele momento que justifica as frases que encabeçam o disco: “Tem vida lá fora” e “Se não viver, nunca vai saber”.

A gente continua acreditando que precisamos ver a vida fora do nosso lugar comum e buscar viver as coisas que queremos para entender mais claramente a complexidade que é o mundo de hoje. Mesmo já tendo passado um tempo pós-pandemia, ainda vemos muita gente presa dentro da própria bolha, presa dentro das telas dos celulares e de realidades limitantes. A nossa provocação está neste lugar de buscar viver para ter uma compreensão mais completa e mais correta sobre as coisas.

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Entre a seleção das 11 músicas do disco, tem alguma que reflita a identidade de vocês de maneira mais marcante e que seja mais próxima de seus corações?
Janeiro e Paulo: Acreditamos que a faixa mais marcante pra nós é o “Vida Lá Fora”. Ela exemplifica bem a nossa ideia de uma maneira leve, doce e acessível. Acreditamos muito no amor como ferramenta de transformação e essa música trás isso em sua mensagem e também em sua sonoridade.

Quais vocês diriam que são as suas principais fontes de inspiração? Tem algo ou alguém em especial que tenha sido referência e motivação ao criar esse disco?
Janeiro e Paulo: Podemos citar alguns projetos/artistas que influenciaram a criação do projeto como o disco “MOTOMAMI” da Rosalía, a sonoridade guitarrística de John Mayes, a obra solo do Thom Yorke, que tem uma abordagem mais mântrica e eletrônica. Outros discos que inspiraram o momento da criação foram o “Weightless (Ambient Transmission Vol 2)” e também “Partido Alto”, de Douglas Germano e “Batuqueiros e Sua Gente”.

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Pensando em todo mundo que vai estar conhecendo o álbum através desse nosso papo, como vocês gostariam de apresentar o “Protocolar VOL II”?
Janeiro e Paulo: O “Protocolar Vol II” é um projeto de união entre dois artistas de lugares distintos, com referências distintas mas que compartilham de uma mesma visão de mundo e de música. O resultado disso é o projeto “Protocolar” que já conta com dois volumes em todas as plataformas.

Pra finalizar, gostariam de deixar uma mensagem especial para os leitores da Nação da Música que vão estar lendo essa entrevista?
Janeiro e Paulo: A nossa mensagem a todos os leitores do Nação da Música é simples: Se não viver, nunca vai saber! Tem vida lá fora!

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Jornalista apaixonada por palavras, cultura e entretenimento.