Os cariocas do Scracho se preparam para o lançamento do seu mais novo disco. “Boto Fé” seguiu uma tendência atual, onde bandas utilizam a ferramenta de crowdfunding, e os fãs podem colaborar para o financiamento do álbum, recebendo algumas regalias em troca.

Para esta projeto a banda criou o Scracho F.C., onde os fãs que colaboraram para o novo disco tinham um ambiente virtual exclusivo. Neste ambiente eram apresentadas novidades dos bastidores de gravação e o público conseguia conversar com os integrantes. Confira a capa de “Boto Fé”, o novo disco do Scracho, e a conversa que tivemos com o vocalista Diego Miranda, que nos contou um pouco da proposta da banda em seu novo lançamento.

Entrevista por: Vicente Pardo

Nação da Música: O novo disco do Scracho foi feito com a ajuda do crowdfunding, algo que está dando muito certo no Brasil ultimamente. Como que foi para vocês está experiência, de ter os fãs participando diretamente na criação de um trabalho?

Diego Miranda: A gente já teve uma experiência, não exatamente um crowdfunding mas algo semelhante, com o disco anterior, “Mundo a Descobrir”, e vimos que nossos fãs gostaram de acompanhar o lançamento do disco de uma forma diferenciada. Enfim, do último disco pra cá muita coisa aconteceu com o Scracho, saimos do nosso escritório que agora é todo na casinha da banda. Somos os 3 e a nossa empresária.

O crowdfunding foi a solução que a gente achou pra conseguir trazer a qualidade que queríamos pro disco. Porque queríamos gravar um puta disco, e pra gravar um puta disco você precisa de um puta produtor, de um puta estúdio e tal. Então a gente apostou na onda do crowdfunding e, graças a Deus o Scracho tem público. Nossos fãs são fiéis, nossos fãs compram o nosso barulho. Então oferecemos uma série de recompensas para que estas pessoas se interessassem pelo disco.

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Deu muito certo, todo mundo chegou junto e a gente conseguiu levantar o valor necessário, até passou um pouquinho. Com isso conseguimos viabilizar a gravação do CD com o produtor Chico Neves, que é um cara renomado pra caramba que já gravou disco com Rappa, Paralamas, Skank, Los Hermanos. Então, gravamos com o Chico e, além de gravar, estamos conseguindo lançar de uma forma legal. Com capa nova, site novo e toda uma estrutura necessária pra palco, turnê e prensar o disco.

Os nossos fãs viabilizaram isso e, em troca, eles acompanham tudo através de um site exclusivo, que se chama Scracho F.C., onde quem comprou o crowdfunding tem login e lá tem pequenos vídeos diários da gravação, notícias, chats, transmissão de webcam. Quando estávamos em estúdio mês passado, ligávamos a transmissão e a galera nos via gravando a voz. Tem sido muito legal, a galera curtiu. E agora chegamos na fase final, que é lançar o disco pra essa galera.

Nação da Música: Como que estas novas ferramentas da internet colaboram para o trabalho de uma banda independente, algo que é muito difícil no Brasil?

Diego Miranda: Eu acho que o Brasil talvez esteja ainda um pouco atrás da gringa em termos de mercado fonográfico no geral. No último disco, dois, três anos atrás, já mudou muita coisa pra agora. Na época a gente viu que tava uma zona, ninguém sabia o que fazer. Nós falamos ‘cara, só queremos que a nossa música chegue a galera’. Então, a gente liberou o CD pra download, nós tínhamos uma estrutura que nos permitia fazer isso.

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Agora já mudou muita coisa, o iTunes chegou no Brasil de uma forma que não tinha até então. Eu acho que o crowdfunding serve sim para as bandas cortarem caminho, já que você não precisa de um empresário ou algo assim. Ao mesmo tempo eu vejo que tem tanta gente fazendo o crowdfunding agora e eu acho que vai ser necessário as pessoas conseguirem criar uma estrutura pra fazer um disco sem a ajuda dos fãs. Como até então a gente nunca ganhou dinheiro com CD, nosso último disco foi liberado pra download gratuito, então todo o investimento feito no “Mundo a Descobrir” ele não volta.

Quando você faz o crowdfunding e libera o disco pra download de graça, você acaba ficando refém dessa ferramenta. Porque quando você tiver que gravar um álbum novo daqui dois anos, você liberou o CD anterior de graça e não tem essa grana. Eu acho que a gente vai precisar bolar algumas coisas novas, porque como tá todo mundo fazendo daqui um 1 ano, 1 ano e meio, quando nego falar ‘pô, crowdfunding pro CD do Scracho’ alguém vai falar ‘pô, de novo?’. Ao mesmo tempo que é uma ferramenta legal, é uma ferramenta que eu acho que não pode ser muito usada.

A gente usou desta vez mas já estamos pensando em um próximo projeto. O que faremos agora é que, as 400 pessoas que participaram do crowdfunding, vão receber um download para o disco. Quem não participou nós não iremos liberar o CD. Por mais que isto seja ruim em alguns aspectos, a gente precisa ganhar dinheiro pra daqui um ano gravar outro disco. A nossa intenção não é pedir dinheiro de novo para os fãs. Como a gente acha que já houve um avanço, por exemplo dois anos atrás eu nunca comprei um cd no iTunes e hoje em dia já comprei. O crowdfunding é uma ferramenta muito legal mas ela pode estar com os dias contados. Porque daqui a pouco vai estar todo mundo fazendo e os fãs vão estar ‘não aguento mais’.

Nação da Música: Em relação ao “Mundo a Descobrir” o Gabriel Leal (guitarrista) deixou a banda. O que mudou daquele Scracho do último disco para este novo lançamento com a saída do Gabriel.

Diego Miranda: O Gabriel saiu da banda faz dois anos. Mudou que agora somos um trio, na época que ele saiu a gente não conseguia pensar em ninguém pra chegar e entrar no barco a essa altura do campeonato, pra entender tudo que o Scracho é. Então, optamos por ficar como um trio. Acho que muda mais o ao vivo do que no disco. Eu sou fã de trios, como o Blink que você escuta cinco guitarras ao mesmo tempo no estúdio. Ai chega no ao vivo e você escolhe a guitarra principal e toca ela. Porque o ao vivo não precisa ser assim tão fiel ao disco.

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Eu acho que mudou um pouco a nossa sonoridade do ao vivo, principalmente em relação as músicas antigas. Tivemos que mudar poucas coisas, mas algumas coisas tivemos que fazer diferente. O Gabriel sempre foi o cara que mais compunha na banda. Até o disco novo, o “Boto Fé”, a gente dividia um pouco as composições, eu e o Gabriel. Mas a maioria das composições eram do Gabriel, pelo menos as melhores (risos).

Agora esse é o nosso primeiro disco como um trio, então ele tem todo um significado quase que como um primeiro CD. Porque pra mim, pro Caio e pra Débora foi um desafio novo lançar um disco em que a gente compôs tudo muito junto. Tem músicas que a Débora começou e trouxe pra banda e a gente finalizou. Tem músicas que eu comecei. E tem músicas do Gabriel também. Tem duas músicas do Gabriel nesse disco. Ele vai ser sempre um puta compositor. Ele tá lá na Alemanha, casado e morando na Alemanha. Mas ele continua compondo e uma dessas vezes que ele veio aqui na casinha ele disse ‘cara, vou compor umas músicas pra vocês’. Ai ele mandou pra  gente duas músicas, que são muito boas dentro do disco, ele leva muito jeito pra isso.

Em termos de mudança mesmo foi o som ao vivo. E nesse disco tem composições de nós três, eu, Caio e Débora. Tem duas músicas do Gabriel, o que se fosse uns anos atrás nós teríamos oito músicas dele por exemplo.

Nação da Música: O que os fãs podem esperar deste disco novo? Qual foi a proposta da banda durante a gravação de “Boto Fé”? E quem não fazia parte do Scracho F.C., quando poderá comprar o disco?

Diego Miranda: É complicado dar uma data agora, mas acredito que vamos lançar o CD mesmo na primeira semana de outubro. Então, falta uma semana mais ou menos. Nesse disco a gente fez tudo muito sincero e com vontade de experimentar. Pela primeira vez tem músicas com a Débora cantando, tem duas música que o Caio canta. As outras seis músicas são minhas.

Então, a gente tá muito animado porque conseguimos uma sonoridade muito legal. O Chico Neves é um produtor de mão cheia, o cara conseguiu entender o que queríamos fazer e sintetizou a ideias muito bem. O CD tá com uma puta sonoridade! Ninguém vai estranhar nada que a gente vai fazer, porque é uma continuação do nosso trabalho. Então tem rock, tem reggae. Tem músicas mais pesadas, músicas mais calmas.

São 10 músicas e a galera vai receber isto agora na primeira semana de outubro. Então, falta muito pouco pra sair este disco. A gente tá muito animado com isso, daqui a pouco já tem turnê nova com show em São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Rio de Janeiro. Vai ficar maneiro, porque tem umas músicas bem rock and roll que eu acho que vão funcionar muito ao vivo, e tem outras mais baladas, pra galera cantar e tal. A gente tá querendo é cair na estrada!