Coldplay surpreendeu o mundo ao lançar o sexto álbum de estúdio da banda em 2014, diferente de quase tudo que a banda já fez desde sua formação em 1996. E é sobre esse fantasmagórico e profundo disco que falamos hoje.

“Ghost Stories” chega três anos após o colorido “Mylo Xyloto” (2011), totalmente oposto de seu antecessor, obscuro e cinzento. Chris Martin murmura sobre fantasmas de um relacionamento fracassado que ainda o assombra, com temáticas mais profundas e pessoais, deixando um pouco de lado o otimismo característico da banda. Martin está sofrendo, e sobre essa dor que o álbum gira.

Os fãs ficaram chocados quando chegou a rede uma faixa chamada “Midnight”, uma canção minimalista que mergulhava num experimento eletrônico, com diferença inclusive nos vocais, editados para parecerem meio robóticos. Essa era apenas uma prévia do que estava por vir. Um álbum experimental de 9 faixas que explora o íntimo de Chris. Um álbum totalmente pessoal, que será também trabalhado de forma pessoal.

Melhor Música: É difícil escolher uma melhor música em “Ghost Stories”. Todas as faixas são ligadas uma a outra e contam uma mesma história. Sou muito apegado a dobradinha: “Ink” e “True Love”, sinto que as duas possuem uma ligação forte, e não existiriam uma sem a outra. “Ink” compara o amor a dor de uma tatuagem feita com sua faca de bolso, e “True Love” sobre um relacionamento já sem solução: “Diga que me ama, se não então minta pra mim, chame isso de amor verdadeiro”. O destaque fica com certeza com a dançante “A Sky Full of Stars”, produzida pelo DJ Avicii.

Ponto Forte: Toda essa obscuridade é trabalhada de forma genial. Como disse, a banda nunca fez algo parecido antes, foi um álbum experimental. Porém foi mais que um experimento, foi um acerto. A ligação entre as faixas, o tom da voz de Chris, a tristeza das letras e os elementos eletrônicos utilizados soam como um lamento, um desabafo. Coldplay usou disso tudo para contar essa história de fantasmas de forma muito bela. Até “A Sky Full of Stars” tem presente essa obscuridade. “Always In My Head” abre com sons fantasmagóricos e angelicais, usados também no encerramento do álbum, e através de uma voz feminina em “Another’s Arms”.

Ponto Fraco: O ponto forte também é o fraco. Coldplay abandonou toda a forma como criavam suas músicas antes para esse disco. Guitarras e violões foram trocadas por sons eletrônicos. Pesados pianos por um mais suave. Uma nova forma de fazer música, usando e abusando da tecnologia. São conhecidos por músicas como “Yellow”, “Fix You, “Viva la Vida” e “Paradise”, e com certeza, “Ghost Stories” não se assemelha em nada a isso. Mas na verdade, é apenas uma tradução do momento que Chris e a banda está passando, no âmbito pessoal e profissional – e pessoalmente, um dos melhores trabalhos do Coldplay até agora.

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