Big Up
Foto: Filipe Nevares

A Big Up nasceu em abril de 2015, primeiramente como um estúdio de gravação, na região de Interlagos na capital paulista. Formada por Lucas Pierro, Gabriel Geraissati, o Suvas, e Victor Burbach, o Grilo, os caras já têm dois EP’s lançados, “Guia” (2016) e “DOS” (2017), o segundo, inclusive, serviu de base para o álbum de estreia da banda: “Uni-versos” (2017).

A Nação da Música bateu um papo com o Suvas, que contou as músicas preferidas do disco de cada um dos integrantes, como eles se definem quanto estilo musical, a ligação entre o “Uni-versos” e a religião e, claro, alguns planos futuros da Big Up.

O começo em 2015 não se diferencia muito financeiramente do que a banda enfrenta no momento atual. “Na época, não muito diferente de hoje, nós estávamos zerados de grana e resolvemos produzir beats pros MC’s da área [Interlagos]. Na sede de fortalecer a cena, e também de ter algum dinheiro pra viver, fizemos uma música piloto, apenas para mostrar que sabíamos gravar e produzir”, conta Suvas. Os materiais produzidos foram passando de mão em mão, e o estúdio de gravação se transformou em banda.

Ouvindo o álbum e os EP’s da Big Up, é possível identificar diversos sons e estilos brasileiros. “Somos rap e reggae, mas somos mais Brasil que os dois juntos”, define ele. Suvas ainda diz que já foram descritos como “um reggae da cor do Brasil”. “Amamos o Bob Marley, mas temos mais afinidade com o Gilberto Gil, mais ou menos isso”, exemplifica. Segundo ele, fazer rap é um retrato muito exato da cidade de São Paulo, por isso também representa a cultura brasileira.

Entre os três trabalhos, a maior evolução foi na parte técnica. “Isso refletiu no disco”, afirma Suvas, “fizemos 50 músicas para selecionar 15”, completa. Foi um período de trabalho, estudo, dedicação e meditação. O “Uni-versos” contou com a participação do baixista Magno Brito, que já trabalhou com Gilberto Gil, e do percussionista Ricardo Guerra, parceiro dos Novos Baianos e Pepeu Gomes.

Uma das faixas que chama mais atenção é a que encerra o álbum. Descrita como um interlúdio, leva o nome de “O Chamado” e conta uma história. “Esse depoimento maravilhoso é do Ras Bruno, irmão do Grilo”, diz Suvas. “No meio do processo de gravação do álbum, eu fui até a Bahia e passei um mês na casa dele empregando suor e amor na reforma da escola Crearte”, continua. “E um certo dia, depois do trampo, a gente foi a praia com a galera ver o nascer da lua cheia no mar e ele me contou essa história. Muito comovido, eu o convidei para contá-la no disco. O intuito é justamente mostrar para as pessoas que não é utópico um estilo de vida alternativo, nós não precisamos depender desse sistema falido, cruel e competitivo para viver”, explica.

Outra parte marcante fica por conta da fé, que já pode ser lida nos títulos de algumas músicas. “A ‘Ogum’, em especial, foi uma música que chegou no dia em que eu descobri que era filho desse Orixá magnífico”, relata Suvas. “Ela é meio mantra, né? Muito influenciada pela canção ‘Filhos de Gandhi’, do mestre Gilberto Gil”, continua. O membro da Big Up afirma que a fé e a espiritualidade foram influência do Grilo, que sempre teve interesse em assuntos como misticismo, teologia e antroposofia. “Não foi uma escolha tocar nesses temas, nos foi dado esse cenário naturalmente”, completa.

Ao serem questionados qual a música preferida no disco, duas respostas se encontram. Pierro e Grilo escolheram “O Que Eu Nasci Pra Ser”, justificando a emoção e o poder presentes na faixa. “Me incentiva. É como escutar a voz do coração”, diz Pierro. Para Suvas, o single “Eleva” é a escolhida. “É uma música que me possibilitou crescer em vários âmbitos da minha vida. Tenho muito orgulho de ter escrito”, afirma.

Para o futuro, a Big Up espera grandes coisas. Em 2018, os três continuarão trabalhando com o “Uni-versos” em forma de clipes e shows, junto com isso, o processo de composição do segundo álbum. “Queremos difundir nosso trabalho pra grande massa, achamos nossa mensagem válida e sentimos que pode agregar muito na vida das pessoas”, diz Suvas esperançoso.

Para os leitores da Nação da Música ele deixou uma mensagem: “Primeiramente, muito obrigado mesmo pela oportunidade e parabéns pelo trabalho. E aos leitores, muito prazer em interagir com vocês, conheçam o nosso trabalho e ‘vambora’!”

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