cpm.22Nesta quinta-feira (18), a Nação da Música conversou com Badauí, vocalista do CPM 22, onde ele relembrou alguns momentos importantes dos 20 anos de carreira da banda, contou sobre a experiência no Rock in Rio e ainda nos adiantou com exclusividade alguns detalhes sobre o próximo disco do grupo, com lançamento previsto ainda para este ano.

O CPM 22 se prepara para tocar mais uma vez no Sampa Music Festival, que acontece em São Paulo no dia 28 de fevereiro, ao lado de Esteban, Far From Alaska e Sala Espacial. Informações sobre line-up e ingressos podem ser acessadas aqui.

Perguntas: Andressa Oliveira / Entrevista: Felipe Santana

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01. Ano passado vocês se apresentaram no Rock in Rio. Como foi a experiência de poder tocar na comemoração dos 30 anos do festival e abrir o show para bandas como Queens of Stone Age e System of a Down?

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É o maior palco do mundo né? O maior festival do mundo, tocar com bandas gigantescas e consagradas acho que foi um presente pra gente pelos 20 anos de luta que a gente teve e um reconhecimento ao que a gente fez mesmo durante a carreira né cara? Era uma coisa que faltava no nosso currículo, foi muito legal tocar lá. Experiência incrível, a gente sabia as emoções, que poderia ser legal, mas não que fosse daquele jeito, com 100 mil pessoas cantando as musicas, foi uma coisa que marcou muito e talvez arrisco a dizer que possa ter sido um divisor de águas da carreira. Tocar no Rock in Rio é como um carimbo, assim como ganhar um Grammy, que a gente já ganhou, são conquistas grandes né? Foi do caralho tocar, ainda mais em um dia que tinha um onda bem rock mesmo, nos dois palcos.

02. Falando em festivais, em breve vocês se apresentam no Sampa Music Festival. Essa não é a primeira vez que vocês tocam nesse evento. Como é a experiência de retornar ao palco?

No Sampa a gente já tocou acho que três vezes, eu já toquei com Medellin também. É um festival que ta virando aquela tradição. E porra, se a gente tá voltando em todas as edições é porque a galera curte e é legal né, porque você toca com bandas de verdade, como a gente, só que bandas mais novas, bandas do underground, bandas respeitadas. E é legal isso, a gente é uma banda que ao mesmo tempo que toca no Rock in Rio toca no underground também, isso é uma coisa difícil de se conquistar, andar pelos dois mundos. Mas é legal tocar no palco do Sampa porque é um festival que a galera vai, é na zona leste de São Paulo, sempre no mesmo lugar. Se a gente tocasse só uma vez e não tocasse mais é porque alguma coisa podia ter acontecido de errado, como a gente toca em todas edições e a galera pira, é sempre legal quando chega essa data.

03. Vai rolar alguma surpresa, algo diferente? O que os fãs podem esperar?

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Acho que surpresa não cara, ainda não parei para pensar no repertório. Mas de repente colocar música que a gente não toca faz tempo. Mas surpresas não vai ter não.

04. Já se passaram 20 anos de carreira do CPM 22. Muita coisa aconteceu, inclusive mudanças na formação da banda. Como foi a adaptação dos novos integrantes?

Mudança sempre é complicado, mas você muda para melhor também. A adaptação as vezes pode demorar mas o resultado você colhe la na frente. Nesse caso agora, a gente perdeu o Fe, ele que saiu, precisava ficar mais com a família dele, com o filho dele, para trabalhar mais no estúdio, foi uma opção dele. Aí tem o Heitor, demorou um pouco pra se adaptar, mas já faz 5 ou 6 anos com a gente, já ta bem inserido no contexto, e é um puta baixista, o melhor baixista que a gente tocou assim, tecnicamente falando. O Fe era foda também mas ele quis sair, não tinha como. O Phil era um cara que a gente via que tinha um perfil ideal desde que o Wally saiu, mas ele era do Dead Fish e a gente não queria tirar ele da banda, a gente só chamou ele pra tocar quando ele resolveu sair da banda né? Então é uma coisa que a gente já planejava antes pelo perfil dele, é um cara que canta bem antes de tons altos, assim como o Wally fazia, toca muita guitarra, compõe bem, honra o som que a gente faz, ouve o som que a gente ouve, então é importante isso também. E não saiu ninguém pra entrar no lugar dele né, ele não entrou no lugar de ninguém, ele entrou na banda, depois que a gente ficou só com uma guitarra durante, se não me engano, 6 anos, nem considero uma mudança de formação, só colocou ele lá mesmo. Mas é sempre uma adaptação, as vezes demora mais, as vezes demora menos, mas arrisco dizer que a gente ta com a melhor formação que a gente já teve.

05. Inclusive nesse tempo de estrada, vocês tem percebido alguma diferença do público?

Acho que não, a gente vê bastante gente que sempre cola nos shows ainda colando. É legal ver isso, nosso publico ficando mais velho junto com a gente, evoluindo com a banda. Tem também uma nova safra de molecada ouvindo nosso som, porque a gente tem feito muitas formaturas também, e a gente sabe que as formaturas estão esperando o publico ali dos alunos, então a molecada fica renovada também, acho legal isso. Acho que a gente vive uma crise foda na musica, na cultura do país e no rock em si, e a gente conseguir fazer nosso publico se renovar um pouco é importante pra gente. É consequência de uma carreira solida que a gente construiu por essas duas décadas.

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06. Ao olhar para trás, como vocês avaliam a jornada do CPM 22?

Acho que a gente errou pouco, no que a gente propôs a fazer. A gente teve muito cuidado nas decisões durante esses anos todos, na cultura que envolvesse a banda, desde composições e postura, quais programas fazer, quais não fazer. A gente se concentrou bem e planejou, executou exatamente que a gente planejou. Talvez voltando desde o começo eu vejo que hoje em dia, depois de 20 anos, eu tenha conseguido quase o próximo do ideal que eu planejei la atras em 1995, acho que como eu falei, a gente errou muito pouco no que a gente se propôs a fazer como banda, como artista.

07. “Cada cidade visitada, cada show, tretas, calotes, prêmios, vitórias, perdas, alegria, revolta, críticas, tudo foi importante para o nosso crescimento profissional e pessoal!”. Essa é uma das frases escritas sobre os 20 anos da banda no site. Nesse tempo houve alguma experiência muito marcante para você?

Na época que a gente ganhou o Grammy no “Cidade Cinza”, é um disco que não tinha sido muito divulgado, o rock tava vindo de uma fase ruim já, o publico tava assim no rádio e televisão, a safra de bandas não era boa pra renovação do rock. É um disco que a gente não conseguiu emplacar nenhum single de forma muito relevante, mas mesmo assim a gente ganhou um Grammy Latino e foi um tapa na cara de muita gente que tava puxando o tapete naquele época. E o premio em si né? Ganhar um Grammy, ter um Grammy no seu currículo não é pra qualquer um, acho que é uma conquista muito grande, não sei se foi o ápice da carreira mas foi uma época muito legal, um disco que eu gosto bastante, me dediquei ao máximo pra compor, ele representa muito meu lifestyle em São Paulo e foi um momento legal. Não sei se foi o ápice. O ápice da carreira mesmo foi em “Felicidade Instantânea”, quando a gente divulgou “Um Minuto Para o Fim do Mundo”, a gente ganhou grandes prêmios da MTV também, a Globo, mas a gente nunca teve também uma fase muito extraordinária e nem muito ruim, sempre foi uma coisa meio linear, sempre beirando o que foi o ideal pra gente.

08. Qual tem sido a principal influência musical de vocês atualmente?

O de sempre né meu? Punk rock. Punk rock como sempre foi. As vezes estamos um pouco diferente agora com o disco novo, uma nova forma de compor, tem letras bem politicas no disco que a gente vai lançar esse ano. As letras que são mais CPM mesmo estão lá, mas com um outro tipo de vocabulário, de linguagem que isso ai é só a bagagem, só a idade e a vivência mesmo que vai mudando né? A gente ta conseguindo colocar isso em prática agora com as músicas novas, ta bem legal o disco, bem rápido, bem melódico e com letras sarcásticas.

09. Ainda estamos no início de 2016, então o que podemos esperar para esse ano?

A gente vai lançar um DVD do Rock in Rio, e o disco novo né? Acho que ta bom pra esse ano.

10. Algum recado para os fãs do CPM 22?

Quero agradecer por todos os votos durante todos esse anos, por sempre serem leais a gente, ao nosso estilo de som. Se a gente adquiriu, se a gente conquistou tudo que conquistou e é uma banda que tem um legado relevante na musica brasileira é por conta dos fãs que a gente tem, do público fiel que cola nos shows, porque eles são o combustível de tudo né? Pra gente se manter vivo a gente precisa do público. Agradecer todo mundo que curte a banda, que se emociona nos shows e fazem sacrifícios pra ver a gente tocar ao vivo.

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