Entrevista exclusiva com Deftones, que comentou sobre o novo álbum “Gore”

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@nacaodamusica

Na última segunda-feira (18), a convite da Warner Music Brasil, batemos um papo por telefone com o baxista da banda Deftones, Sergio Vega. A banda norte-americana está lançando o seu mais novo disco intitulado de “Gore”, que é o oitavo álbum de estúdio lançado pelos caras.

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A divulgação do novo álbum aconteceu no dia 08 de abril, e desde então você pode ouvi-lo através do Deezer – clique aqui para ouvir “Gore”.

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A entrevista foi feita e conduzida por Veronica Stodolnik.

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—————————————————————————————— Leia a íntegra
NM: Você entrou para o Deftones após um acidente muito trágico para a banda [acidente que deixou o antigo baixista, Chi Cheng, em coma, o levando a falecer em 2013]. Mesmo já tendo tocado com eles antes em 1998, a banda já tinha 20 anos de estrada; eles estavam acostumados com o jeito de ser uns dos outros, e de fazer as coisas. Como que foi a sua transição e adaptação com eles?

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Sergio Vera: Eles fizeram com que ela fosse muito fácil. Eles são muito colaboradores, e quando nos encontramos pela primeira vez para conversar sobre isso em 2009 nós simplesmente sentamos e conversamos um pouco sobre o que eles precisavam, nos tratando como amigos desde primeira. Então começamos a fazer uns sons juntos; eles fizeram com que a minha adaptação fosse muito boa. Todo mundo foi muito receptivo já que já nos conheciamos e éramos amigos por um tempo. Isso ajudou muito.

NM: “Gore” tem sido muito bem recebido e criticado no mundo inteiro. Ele acabou de entrar no topo das paradas na Nova Zelândia e também ficou em segundo lugar na lista Billboard 200 nos Estados Unidos. Vocês estavam esperando por isso?

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Sergio: Não exatamente. Eu acho que no fundo, nós nunca pensamos em sucesso por que isso nunca foi do nosso “tipo”. Nosso tipo sempre foi de continuar sendo verdadeiros àquilo que gostamos e queremos fazer, ser agradecidos por aquilo que fazemos, e se divertir ao tocar música ao vivo pelo mundo todo. Ficar no topo das paradas não era algo que esperávamos; obviamente a gente sempre espera pelo melhor—a gente esperava que as pessoas gostassem muito do nosso álbum e que elas comprassem ele, mas as coisas foram muito além das nossas expectativas, e somos muito gratos por isso.

NM: Teve um espaço de tempo de quatro anos entre a gravação de Gore e o antigo álbum. Vocês tem alguma razão especifica para isso, ou apenas não queriam se apressar em fazer algo novo?

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Sergio: Honestamente, foi tudo muito simples. A gente basicamente se diverte muito em tocar junto, então nos reunimos bastante para isso. A gente ouve muitos tipos de música diferente sem tentar imita-los, então estamos sempre animados para tentar coisas novas, explorar novos sons e novos jeitos de fazer as coisas. O que nós não fazemos é tentar planejar as coisas; a gente não acredita que tem a mesma energia de criar músicas de uma forma orgânica, o que é o que nos deixa mais animados em tocar. Então esses pedaços que nos deixam animados em tocar se tornam as nossas músicas. E cara, é isso.

Eu acho que as coisas sempre rolaram desse jeito; um álbum é sempre muito diferente do outro por que estamos sempre ouvindo coisas novas e empolgados com algum tipo de equipamento novo que compramos, uma nova guitarra, um jeito de tocar diferente… O tempo conceito mesmo, de escrever, nunca foi um conflito para a gente.

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NM: Você usou um baixo de seis cordas para gravar o novo material de Gore, o que soa mais próximo de uma guitarra barítono, certo?

Sergio: Eu acho que não parece com uma guitarra barítono (risos).

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NM: Eu recentemente li uma entrevista com o Chino [Moreno, vocalista] em que ele comentava isso, por isso a pergunta. Queria saber qual foi a idéia por trás dessa escolha, você acha que ajudou em levar a banda a alcançar um novo som?

Sergio: Com certeza ajudou, por que ele faz coisas que outros instrumentos não fazem. É engraçado, por que definitivamente parece uma guitarra barítono já que é o predecessor da mesma, mas na real ele é mesmo um baixo; as cordas mais baixas são mais intensas, e as mais altas dão uma variedade sonora maior. Tipo, ajuda a fazer músicas mais “viajadas”, sabe? Eu comprei duas quando estávamos gravando Gore, mas como a gente já tinha as músicas escritas não tivemos a oportunidade de usar, então eu só brinquei um pouco com elas sozinho, então— desculpe, eu as comprei quando estávamos gravando Koi [No Yokan, álbum predecessor], e as tinha por um tempo quando começamos a escrever as músicas para Gore. 

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NM: Chino mencionou que Morrissey foi uma grande influência para ele durante o processo criativo do novo álbum; você também sentiu essa influência? Quais foram as suas influências para esse álbum?

Sergio: Nós temos uma variedade muito grande de influências; todos na banda compõem, e o que acontece é que a gente se junta para tocar um pouco, e estamos todos tão empolgado com músicas e coisa diferentes que às vezes a gente divide e troca informações, mas outras você acaba nem ficando sabendo que está na cabeça um do outro. Não tivemos uma influência propriamente dita, mas acho que uma das coisas mais legais sobre a banda e que faz com que o nosso som seja tão único é o fato de que tem muitas coisas que nos influenciam individualmente que, quando colocadas juntas, resultam nos nossos álbuns, em algo que realmente empolga a nós cinco. Nós realmente ouvimos muita música.

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NM: Vocês também contaram com a participação de Jerry Cantrell, guitarrista do Alice in Chains, no álbum. Como foi ter ele nas gravações?

Sergio: Foi muito legal! Quando ele apareceu no estúdio a gente já tinha escrito a música, só estava faltando a parte do solo, o qual a gente acharia que seria legal ter alguém fazendo. Stephen [Carpenter, guitarrista] ou Chino poderiam ter feito, mas a ideia de ter alguém diferente, de fora, era muito empolgante. Então nós fizemos uma lista— na verdade não foi nem uma lista, a gente escreveu alguns nomes que achamos que as pessoas não necessariamente conheciam muito. Cantrell é nosso amigo, então ele chegou e entendeu o que a gente queria muito rápido. Ele é incrível, um grande amigo. É fácil demais trabalhar com ele—ele entrou no estúdio, ouviu a música, compôs algo muito legal, e então tocou.

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No dia seguinte ele quis voltar para o estúdio para retocar, tentar mudar algumas coisas, e até tocou o solo com uma guitarra de madeira. Foi muito bacana, ele é muito legal de se ter por perto. A gente também tinha uma churrasqueira atrás do estúdio, no estacionamento, onde fazemos comida o tempo todo, então grelhamos uns tacos e outras coisas do tipo, e basicamente nos divertimos muito com ele lá.

NM: No final do ano passado vocês vieram para o Brasil para tocar no Rock in Rio. Foi a sua primeira vez no país?

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Sergio: Não, eu já fui para lá muitas vezes! Não sei quantas de cabeça, mas acho que a última vez foi em 2009.

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NM: Como que foi a sua experiência no brasileira?

Sergio: Foi muito bonito. As pessoas são muito legais, a comida é muito boa… É um lugar maravilhoso. É sempre muito bom quando estamos por lá; é sempre muito legal quando visitamos lugares onde as pessoas são bacanas, esperam por nos conhecer e tudo mais. A troca de experiências é muito legal.

NM: Vocês também tocaram na edição do Rock in Rio em Las Vegas. Qual foi a diferença das duas edições do festival?

Sergio: Vocês está em dois países diferentes; eles são obviamente diferentes, não parece que você está no mesmo lugar. As pessoas reagem de modo parecido, mas a energia é diferente. É como se fosse parecido no sentido que de que as bandas que estão tocando são parecidas, mas de resto, eles são completamente diferentes.

NM: Você acredita que ainda lançarão o álbum Eros algum dia? Vocês tentaram lançar a música “Smile” no YouTube em 2014, mas ela foi removida do site.

Sergio: Eu não sei. O problema é: o CD não foi terminado. Então sempre que nos juntamos para ensaiar e coisas do tipo estamos empolgados para fazer coisas novas, diferentes. Então pegamos muito momentum, e voltar na ideia de reabrir algo antigo para terminar se torna muito difícil. É algo para quando a banda tiver um intervalo muito longo e tiver a vontade de fazer uma retrospectiva. Sempre tem tanta coisa nova acontecendo que nós queremos continuar caminhando para frente, e a ideia de voltar para trás não entra na nossa cabeça; não é o tempo certo ainda.

NM: Stephen admitiu publicamente ter tido certos problemas para conseguir se conectar ao álbum no começo da gravação por causa da música “Hearts/Wire”, mas depois elaborou seu comentário, dizendo que ficou muito feliz em como o álbum ficou. Foi difícil para você e o resto da banda se conectar com o álbum também?

Sergio: Não, definitivamente não foi difícil. Stephen falou sim isso; basicamente ele estava expressando como se sentiu, mas especificadamente para ele, “Hearts/Wire” veio depois. Ele deixou que nós trabalhássemos mais nela por que estávamos muito empolgados com a música, então ele foi ouvindo ela aos poucos, pegando a vibe da mesma, até que achou algo para que ele pudesse fazer a sua parte da mesma. Mas uma vez que ele começou a trabalhar nela, ele realmente pegou o ritmo. No final das contas ele realmente gostou da música, mas eu acho que o que estava acontecendo com ele não era isso. Ele esperou que nós fossemos nos encontrar e pegar mais leve, curtir a nossa amizade no começo para depois pegar pesado na gravação já que estamos sempre tão ocupados. Mas para a gente foi diferente; nós não moramos em Los Angeles que nem ele, o tempo era curto, e estávamos muito empolgados para começar a escrever e gravar logo.

Depois de conversar com ele e ouvir suas ideias nós entendemos o que estava acontecendo; é importante estar sempre trabalhando em composições e ter novas ideias, mas nossa amizade tem sempre que vir primeiro. Acho que “Hearts/Wire” se tornou algo que estava relacionado a uma causa maior, que era o sentimento de que nós temos que nos focar não apenas em nossa guitarra, mas em curtir o tempo que temos um com o outro ao invés de apenas usar ele para o trabalho. A gente não via as coisas desse jeito, mas respeitamos o ponto de vista dele uma vez que somos todos muito amigos.

NM: Você tem alguma mensagem para os fãs brasileiros?

Sergio: Espero muito poder voltar logo! (risos) Com certeza voltarei, então me avisem se souberem de bons restaurantes vegetarianos!

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