Entrevista Exclusiva: Fresno fala sobre os 15 anos, rock nacional, CD/DVD ao vivo e mais

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Meu Funeral
A banda Fresno iniciou a carreira em dezembro de 1999. 15 anos mais tarde, continua firme na estrada propagando sua música e sem preconceitos em se misturar com artistas de gêneros diferentes. Em comemoração aos anos de carreira, o grupo gravou em São Paulo, em outubro de 2014, um CD/DVD ao vivo. Agora, o vocalista Lucas Silveira concedeu uma entrevista exclusiva a Nação da Música sobre esse registro, o rock nacional, planos futuros e mais.

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Confira também nossa resenha sobre o show de lançamento do DVD em São Paulo e os sete motivos para ir aos shows dessa turnê. Entrevista por Bárbara Araujo:

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15 anos é uma bagagem muito grande. Quais mudanças são possíveis de vocês enxergarem em toda essa trajetória? Como fazem para prosseguir evoluindo de modo que o trabalho não se perca no tempo e se torne antigo? Com todo esse tempo, quais os cuidados tomados ao lançar um material –música, videoclipe, composição e afins- para que uma ideia não se repita?

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Lucas: Acredito que as escolhas artísticas mais acertadas são sempre as feitas por instinto. Esse instinto pode te levar ao sucesso, ao fracasso, e a todas as possibilidades que existem entre esses dois opostos. E ainda precisamos compreender que cada artista tem a sua concepção e projeção do que é sucesso e do que é fracasso. Vejo a música como uma imensa tela em branco. Muitas possibilidades a serem exploradas, muitas ideias flutuando pelo ar, prontas para serem captadas pelos mais antenados. O artista é um eterno faminto, ou pelo menos deve ser. Ele precisa estar sempre encantado com as possibilidades da música, suas nuances, e o que pode ser feito com elas. Dessa maneira, eternamente extasiado, a motivação para o novo jamais se perde.

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No início do ano assisti Far From Alaska e Scalene no Lollapalooza. Foi perceptível que o show agradou a muitos, e confesso que um tweet com certo humor do Lucas sobre essas bandas no festival dizendo que “O rockBR é um defunto fodão” me marcou. Depois disso, passei a notar que a banda defende com muito entusiasmo o rock nacional, através de inúmeros comentários, pelas redes sociais e shows, sobre as novas bandas que estão no meio. Como é estar em um patamar que vocês podem usar o próprio nome em benefício da cena musical que cresceram? Será que estamos prestes a ver o fim da frase “o rock morreu”? Vocês acreditam que o rock brasileiro ficou um tempo esquecido para se revigorar?

Lucas: Dia desses tive um lapso de pensamento que possa explicar como me sinto em relação ao rock. Quase uma epifania. Acredito que se o rock estivesse vivo como nunca, não teríamos em nós o ímpeto de salvá-lo, ou de encontrar sua salvação. Acredito hoje que o permanente estado de morte iminente do rock é o que faz os artistas e fãs agarrarem com tanta veemência sua missão. Vivemos tempos em que o saudosismo é tendência e cada vez mais exalta-se o universo da nossa juventude como se apenas a nossa tivesse sido especial, em detrimento da juventude que os jovens de hoje vivem. Mais ou menos como os adultos de hoje, mortos de inveja dos hormônios e da saúde dos jovens, desdenhando o presente que quem vive a tenra idade hoje, para se sentir melhor. E isso é um fator que ajuda a matar o rock. O cara que virou jornalista vai comparar o rock feito hoje com o que era feito quando ele começou a ouvir. Vai comparar a MTV de hoje com a dos anos 90, vai ser saudoso das rádios rock e dos clipes do Guns estreando no Fantástico. Os tempos são outros, a efervescência é eterna. A mente das pessoas é que vai se fechando pro novo. E não se mede popularidade e força de um movimento por meio da execução dos seus singles em rádios FM. Isso é um absurdo sem tamanho.

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Recentemente, vocês participaram do “Música Boa Ao Vivo”, com covers e artistas diferentes do gênero musical de vocês, e do Vevo Sessions, que é mais voltado para quem realmente curte o som de vocês. Vocês já haviam participado de algo semelhante antes? Sei que é diferente do que ir em algum programa de televisão só para promover um single, por exemplo, mas como é essa experiência na prática?

Lucas: A gente curte muito todo tipo de fusão. Inclusive com artistas de cenários totalmente diferentes. Acho que toda troca é válida, inclusive as trocas que não geram um produto lá muito bom. Acho que tudo soma. Ao contrário da medicina ou engenharia, os erros na arte são relativos, e ninguém morre por causa dessas coisas. E é dos riscos que surgem as coisas mais bonitas. Um dos riscos que assumimos foi incorporar o Emicida e o Lenine a uma música nossa, chamada Manifesto. Uma grande parte do nosso público estranhou o anúncio, até que ouviram a música. Fez todo o sentido… e não há mais como separar os nomes de Lenine e Emicida da Fresno. Esse tipo de coisa amplia muito o espectro musical de muita gente. Um programa como o ‘Música Boa Ao Vivo’ abre espaço em um canal importante de TV fechada para que os artistas toquem VÁRIAS músicas, mostrando para um público bem grande um retrato muito mais apurado de sua musicalidade. É muito difícil se resumir a um single, mas muitas vezes esse é o espaço que se tem, especialmente em TV aberta, mas mesmo assim a gente acredita que com dois minutos de música a gente pode pescar muita gente para o nosso lado. Dificilmente precisa-se mais do que dois minutos para se deixar conquistar por uma música. Hoje em dia uma banda não pode escolher público… na verdade, nunca pôde. Isso denota um preconceito enorme e uma falsa sensação de ‘sabe-tudo’. Quem escolhe o que gostar são as pessoas, por mais que a gente às vezes ache que não. Não basta colocar dinheiro na equação (o que facilita, mas não faz milagre), muito menos seguir uma fórmula que ‘dá certo’. A história recente é recheada de histórias de grandes fracassos comerciais movidos a montanhas de dinheiro e de clichês.

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O DVD de 15 anos foi lançado pela gravadora Sony. Como é voltar a uma gravadora grande depois de tanto tempo independente? A experiência de já ter passado por outras gravadoras e ter permanecido independente nos últimos anos mudou alguma coisa nessa relação? O lançamento do DVD pela Sony foi só uma parceria ou podemos esperar mais lançamentos com eles?

Lucas: O lançamento do CD/DVD ‘Fresno 15 Anos Ao Vivo’ é uma parceria nossa com a Sony, que se deu através de muita confiança mútua e transparência entre as partes. Foi nossa a escolha do single, do setlist, da equipe, a produção, mixamgem, arte… tudo passou pelo nosso crivo e saiu de nós. Coube à gravadora confiar na gente e saber que temos hoje uma situação bem diferente dos guris ‘verdes’ que assinaram com outra gravadora grande em 2007. Logo, é uma experiência bem diferente do que tínhamos quando éramos artistas da Arsenal. Era um modo de trabalho totalmente diferente e bastante centralizado na figura do Rick Bonadio. Inclusive é por isso que não fazemos mais parte de lá: a gente precisava de 100% de liberdade, pois o nosso fã enxerga isso perfeitamente… quando uma coisa é feita de coração e quando não passa de uma demanda comercial.

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O Lucas tem produzido discos de outras bandas também. Trabalhar como produtor sempre foi um desejo ou ao produzir o material da Fresno despertou um interesse por essa área? Como que isso influencia na Fresno e na outra banda sendo produzida? O que traz de novidade para vocês?

Lucas: Trabalhei com produção musical desde o começo da Fresno. Até 2004 fazia jingles e trilhas para publicidade numa produtora gaúcha, trabalho que precisei abandonar quando a carreira da banda começou a decolar. Hoje Tenho meu próprio estúdio e, no meu tempo livre, me dedico à produção de material de terceiros, desde discos inteiros até singles, e composições para outros artistas. É uma coisa que eu gosto muito de fazer, colocar minha mente ao dispor de outras pessoas e tentar dividir um pouco do que eu aprendi nesses 15 anos em que tenho me dedicado somente à música. Mesmo fazendo parte de uma banda de rock, eu gosto de botar a mão na massa em projetos de todos os tipos, pois minhas referências não fazem parte de apenas um segmento. O próprio rock é quase tão amplo quanto o espectro inteiro da música, vai de Yes a Ramones, passando por Radiohead e Queen. Mesmo que estivesse fazendo uma produção de um disco de sertanejo, acabaria colocando um pouco da minha marca na equação, possivelmente colocando mais guitarras que o de costume e pesando a mão em sintetizadores, mas cada um dos projetos que me envolvo me ensinam coisas novas sobre mim mesmo que eu posso vir a aplicar em projetos pessoais futuros ou discos da Fresno. Fora o fato de ter amigos em todos os estilos musicais e ser percebido por todos como um cara sem preconceitos e que circula muito bem em diferentes cenas… eu simplesmente não enxergo as barreiras que as pessoas imaginam existir.

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Quais os planos programados até o fim do ano? Podemos esperar algo de novo da banda? Como está a agenda de shows?

Lucas: Estamos num primeiro momento do lançamento do nosso projeto de 15 anos de banda. Estamos marcando e fazendo shows de lançamento nas principais praças para divulgar o trabalho novo e pretendemos estender essa tour por um bom tempo. Mas isso não nos impede de preparar material novo e testar novas composições em estúdio. Já estou com a cabeça no próximo projeto, mas estamos nos dando tempo para trabalharmos com calma na busca de uma nova sonoridade, mas sempre sem atropelos. O que tiver de ser, vai ser!

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Já finalizando, estive no último show em São Paulo, no Audio Club, e achei incrível que mesmo depois de tanto tempo o público ainda os receba com tanta animação e se emocionem ao vê-los, então deixem uma mensagem aos fãs que são tão fieis a vocês. 

Lucas: Ao nosso público, nada mais do que a gratidão eterna e a certificação de que a gente enxerga com muito orgulho todas as coisas que a galera faz pela gente. É por causa da nossa galera que a gente jamais desistiu, jamais desanimou, jamais baixou a cabeça e sempre acreditou no nosso sonho e nas nossas convicções.

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Bárbara Araujo: Carioca que tem São Paulo como casa desde 2009, estuda Jornalismo e escreve para a Nação da Música desde 2014. Passa mais tempo ouvindo música e assistindo a vídeos de shows do que qualquer outra coisa. Ainda compra CD, ama pop-punk, cachorros e é facilmente encontrada em shows.