Entrevista: João Suplicy fala sobre seu novo álbum e diversidade musical

João Suplicy
Foto: Divulgação

Após longa jornada com o Brothers Of Brazil, projeto feito juntamente com seu irmão, João Suplicy retoma as atividades de sua carreira solo. Após 4 álbuns com Supla, mais de 300 shows ao redor do mundo, ter transformado Elvis em Bossa Nova e tocado com uma banda de Rockabilly, ele entra em uma fase de reencontro consigo mesmo, com um novo disco que leva como título o seu próprio nome.

“João”, como foi batizado o novo trabalho, expressa os sentimentos do coração e conta histórias sobre a vida contemporânea, tudo parte do que o cantor viu e viveu nos últimos anos, com uma sonoridade que atravessa e dialoga com diversas influências.

A Nação da Música conversou com João Suplicy para saber mais sobre esta nova fase, miscigenação musical e parcerias com outros artistas.

Entrevista por Daniel Sakimoto.

————————————————————————————————————— Leia a íntegra

Primeiramente, eu gostaria de saber os artistas que mais influenciam o seu trabalho.

João: Com certeza Beatles. Talvez Baden Powell, parceiro do Vinícius de Morais que era um violonista incrível com uma forma de compor que quando eu comecei a tocar contribuiu muito pra eu me descobrir no violão influenciou muito a minha forma de tocar.

Também Steve Ray Voughan, guitarrista de blues. Embora eu toque principalmente violão de nylon, eu toco de uma maneira muito guitarrística. Chico Buarque e Ray Charles também.

Seu novo disco, “João”, conversa com diversos gêneros musicais, caminhando do baião e do MPB até o Rock n Roll. Se fosse pra classificar em um estilo, qual seria?

João: Estilo João. Porquê meu estilo, minha identidade musical ela é misturada, ela é múltipla. E o país onde eu nasci é assim também, não só na música, aliás, na cultura, nas raças, ele é miscigenado. E eu sou também!

Existe uma cobrança do mercado de você ter que se encaixar como um produto que se define por um determinado gênero musical, quando na verdade o meu rótulo é o João. E pra mim é natural criar a intersecção de estilos, porquê às vezes surge uma ideia de composição que vem como um blues, como por exemplo “Deixa o Tempo Trabalhar”.

E tem outras nascem como um samba e eu transformo em outra coisa. “Solteiro e Vagabundo”, que é a terceira faixa do álbum, eu compus como um samba, junto com o Gabriel Moura. Eu tava tocando com um pessoal de Rockabilly, num projeto que eu fiz como tributo ao Elvis e resolvi fazer essa música [“Solteiro e Vagabundo”] com uma pegada mais Rock n’ Roll e ficou muito legal! Coloquei também um arranjo de metais que remetesse um pouco àquelas Big Bands. Achei legal e inclui ela no CD dessa maneira. Alguém pode gravar ela como um samba, ou eu posso lançar ela no carnaval como marchinha.

Inclusive uma das músicas do seu disco, a faixa “Tsunami do Amor”, é uma marchinha de carnaval, né?

João: Na verdade eu não fiz pro disco, fiz pro bloco de carnaval “Tsunami do Amor”, mas quem sabe no carnaval do ano que vem ele venha como bloco “Solteiro e Vagabundo”.

O violão de nylon distorcido é uma das suas características que você trouxe nesse novo álbum, tem algum outro artifício que você faz questão de ter?

João: O violão de nylon é a minha marca principal. Agora no álbum eu toco baixo, teclado, faço as harmonias vocais. É um disco que tem bastante da minha mão. Eu achei importante isso de gravar os outros instrumentos, é algo que eu já vinha fazendo desde o Brothers Of Brazil e agora retomando a meu trabalho solo eu falei “Poxa, vou fazer assim no meu também, né”.

Nos shows eu tenho feito como um trio né. De repente no próximo CD eu gravo de outra maneira, depende muito do processo. Cada momento tem o sua particularidade.

A temática do disco carrega bastante coisas do coração, como as canções “Dicionário do Amor” e “Tsunami do Amor”, e também questões da vida contemporânea, como a tecnologia cantada na música “Liga a cabeça”. No que você pensa quando vai escrever?

João: Então, tem algumas faixas, como essas duas que você citou, ou a “Sede Que Dá”, que são mais como crônicas do meu tempo, do mundo, das coisas que eu observo. E tem outras que são realmente, usando essa expressão, mais “do coração” no sentido de que são sentimentos. Eu diria até que são autobiográficas, essas de amor. Nos shows eu conto muito dessas histórias do por quê que eu fiz a música porquê são situações reais que eu vivi e expressei em música.

Zeca Baleiro e a Marina de la Riva participam do seu disco. Em projetos futuros, com quem mais você quer gravar?

João: Ah, eu gostaria de gravar com muitas pessoas, né. Eu tenho feito muitas colaborações com outros artistas no meu programa [“Violão Ao Vivo do Quarto”], no Facebook. Recebo e visito muitos convidados. Desde o Criolo, o Zeca Baleiro, também o Vérico, e o Mestrinho que é do forró e que eu fiz um programa de São João com ele.

Então, no programa eu tenho muito isso de interagir com os músicos e outros artistas. E isso semanalmente, né. Não é toda vez que eu tenho convidados. Semana passada eu fiz um em homenagem ao Dorival Caymmi. E eu escolho homenagear sempre artistas que eu tenho certa afinidade, mas por causa da questão da pluralidade, que a gente tava discutindo antes, eu me sinto confortável pra fazer um programa de Dorival e um outro de Elvis, por exemplo.

Você já transitou bastante em seus outros trabalhos por diferentes gêneros, como o rock do Brothers of Brazil, já tocou rockabilly e já fez o Elvis virar bossa nova. Tem mais algum estilo que você pretende abordar em futuramente?

João: Eu posso utilizar de qualquer gênero rítmico. Eu já fiz reggae e etc, mas eu não sou pioneiro nisso não, Gilberto Gil já fez tudo também. Já fez rock, reggae, bossa nova, baião, axé, o que o Gilberto Gil não fez?

Você tem um programa onde toca violão no seu próprio quarto, como você já disse. Como que tá sendo essa experiência de levar música pra galera pela internet?

João: Muito legal! É algo que eu comecei já há um ano e meio e tá crescendo. O mais bacana é, além da interatividade com o público, poder receber outros artistas e músicos e ter essa troca. Um barato!

No programa você toca suas próprias versões de músicas nacionais e internacionais. Pretende gravar algum desses covers oficialmente?

João: Eu gostaria mas eu tenho muita música autoral esperando pra dar vazão. Ainda mais porquê nesse longo período que eu fiquei com o Brothers Of Brazil eu compus muita coisa que não cabia no conceito da banda. Nos shows eu toco músicas de outros artistas, além das minhas, mas pra gravar eu prefiro gravar as minhas mesmo. Eu tenho que deixar elas registradas!

Quer dar um recado pros seus fãs que acompanham a Nação da Música?

João: Eu gostaria de convidá-los a acompanhar o meu programa no Facebook, “Violão Ao Vivo do Quarto”, toda segunda-feira às 20h30, na minha página. E baixar o meu CD aí nas plataformas digitais!

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Daniel Bianchi Sakimoto
Jornalista e Music Geek. Vive entre o indie e o folk e sonha em conhecer o Glastonbury.

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