Entrevistamos July Talk sobre novo disco “Pray For It”

july talk
Foto: Lyle Bell

Na sexta-feira (10), a banda canadense July Talk divulgou o terceiro disco da carreira, chamado “Pray For It”. O trabalho vem quatro anos após o último lançamento de estúdio, “Touch”.

A Nação da Música conversou com o grupo sobre a criação e produção do álbum, o lançamento durante a pandemia e também o show em drive-in que eles irão fazer em breve.

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Entrevista por Marina Moia.

————————————————–Leia a íntegra:
“Pray For It” será lançado em breve [entrevista foi feita antes do lançamento oficial] e é o terceiro disco da carreira da banda. O que os fãs podem esperar deste álbum? Como foi o processo criativo e de produção?
Peter Dreimanis: Sim, finalmente nosso terceiro disco! O processo de fazer esse álbum foi intenso, como todos os álbuns são, mas este realmente foi como um grande passo a frente criativamente falando. Nós alugamos uma “coach house” (pequena garagem) no quintal do nosso amigo e fizemos demos de mais de 40 músicas juntos como uma banda. Pela primeira vez, realmente sentimos que estávamos ouvindo as músicas e permitindo que elas tomassem as próprias decisões do que elas queriam se tornar.

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Nós trouxemos um produtor da Austrália chamado Burke Reid, e ele expandiu o som da banda consideravelmente. Ele já trabalhou com Courtney Barnett e The Drones, e nos encorajou a adicionar mais melodias ao decorrer do disco, para criar arranjos com mais nuances e imprevisíveis. O resultado é uma escolha bem diversa de músicas. Você nunca sabe bem o que está por vir, mas ainda assim eu acho que é nosso trabalho mais coeso de diversas maneiras.

Já fazem quatro anos desde o último álbum “Touch”. Como esse período entre trabalhos influenciou “Pray For It”? E quão diferente ele é dos primeiros?
Leah Fay: Para mim, o elefante que permaneceu na sala e não saiu durante todo o processo de “Pray For It” foi o sentimento constante de que o mundo estava acabando. Nós saímos em turnê em setembro de 2016 e não voltamos para casa por um longo período até janeiro de 2018. Neste período, nós tivemos acesso à uma “lente” por onde assistimos às notícias nacionais e mundiais se tornarem mais inacreditáveis a cada semana.

Como uma banda de pessoas privilegiadas que sempre viveram no Canadá, tinha muito a ser digerido. Ódio parecia estar crescendo de uma maneira muito assustadora. Eu lembro de pessoas me pedindo por abraços longos depois dos shows, principalmente nos Estados Unidos. Nós tivemos a oportunidade incrível de criar noites cheias de amor e positividade em cada cidade e lugar que visitamos, mas era terrível que o mundo lá fora parecia estar se tornando cada vez menos gentil. Ou talvez nós estivéssemos simplesmente acordando para uma realidade que não enxergávamos.

Existem músicas no nosso segundo disco como “Jesus Said So”, “Picturing Love” e “Touch” que se resultaram da vontade de comentar sobre o que era importante para nós naquele momento, e eu acho que aprendemos bastante ao escrever essas faixas. De certa maneira, estávamos praticando para “Pray For It” porque acabamos escrevendo um álbum que é basicamente inteiro sobre tentar navegar num mundo que parece que está acabando, ou que está precisando de uma gigantesca mudança de paradigma. Ao invés de dizer que sabemos as respostas e dizer como é, tem muito mais questionamentos e nuances.

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Lançar um disco num mundo em pandemia deve ser muito, muito diferente. Como tem sido para a banda? Vocês consideraram adiar o lançamento?
Peter: Nós não adiamos porque nós já havíamos o anunciado quando a pandemia começou e não haviam sinais de quanto tempo a estreia teria que esperar. O álbum foi escrito também bem no começo do mandato do presidente Trump, enquanto o resultado do referendo do Brexit foi anunciado, e enquanto o mundo parecia se polarizar à beira de uma conversa plausível.

Existe uma falta de terreno comum e nós acabamos escrevendo muito sobre quão falho nossos sistemas se tornaram. O rico continua rico e a abordagem masculina, orientada pelo ego, liderando o caminho, parece impossibilitar qualquer tipo de aprendizado. Como você pode aprender qualquer coisa quando você precisar fingir que sabe tudo?

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Como o álbum é permeado por todo esse contexto, eu me sinto grato que podemos contribuir com algo para a conversa nestes tempos complicados. Parece muito mais possível discutir essas falhas no nosso sistema quando o mundo aperta o pause e esta máquina gigante para de girar por um momento. Eu espero que “Pray For It” dê início à conversas úteis pelo menos. Eu não acho que precisamos adiar o lançamento de arte até que a gente “volte ao normal”. Porque o normal é falho, normal é quebrado. Normal foi embora, é uma memória distante…

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Em breve, vocês irão se apresentar num cine drive-in! O que os fãs podem esperar desta experiência?
Leah: Estamos muito empolgados! Nós fizemos algumas viagens até o local neste verão e fomos assistir um filme pela primeira vez na noite passada. Nós cinco usamos máscaras e sentamos juntos na van para assistir Jurassic Park. Foi muito gostoso.

Este será o único show que faremos no verão então queríamos muito que fosse especial. Nós geralmente trabalhamos colaborativamente com uma equipe excelente que amamos, para luz, design do palco, um plano de filmagem ao vivo e projeções, assim como tentamos ser conscientes em fazer um show que seja seguro para as pessoas. Então não será uma exceção! É apenas um local novo e nós teremos mais tempo para trabalhar nele.

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Eu acho que será diferente de tudo que já fizemos antes. Existem aspectos positivos para serem tirados dessa limitação de fazer um show num drive-in. Nós geralmente tocamos tarde em bares e casas de shows, então eu estou empolgada para as pessoas poderem trazer os filhos desta vez! Outra coisa é que nem todo mundo que gosta de música, também gosta de ir a shows, então talvez isso dê a oportunidade de ter mais controle sobre o espaço pessoal e o volume que eles querem ouvir o show! Eu não quero fazer esse tipo de show pro resto da minha vida, mas é empolgante se adaptar às limitações atuais.

Você acredita que este tipo de shows será comum no futuro, por causa do coronavírus? Como vocês acham que as bandas irão se conectar com a plateia nestas experiências?
Peter: Eu não imagino que bandas irão realmente fazer shows em drive-ins constantemente, porque é bem caro contratar uma equipe completa de câmera para cada shows. Minha aposta é que as pessoas farão mais livestreams, shows online e que essa experiência irá melhorar conforme o tempo passa.

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Com quais artistas ou produtores vocês gostariam de colaborar no futuro?
Peter: Muitos! Meu compositor favorito se chama Bry Webb, ele é o vocalista de uma banda chamada The Constantines, e eu adoraria colaborar com ele de alguma forma no futuro. Também, eu adoraria trabalhar com Scott McMicken de Dr. Dog, Liz Powell de Land of Talk, Jim Eno de Spoon, Simone Schmidt de Fiver. Eu também adoraria colaborar novamente com Ian Davenport do Reino Unido, que produziu nosso último disco “Touch”, e Rob Schnapf, que mixou “Pray For It” em Los Angeles.

Sei que é difícil fazer planos no momento, mas o Brasil está nos planos para uma turnê de July Talk no futuro? Vocês recebem muitas mensagens dos fãs brasileiros?
Leah: Nós iremos assim que pudermos! Sim, nós sempre vemos posts em português dos fãs brasileiros. Tem um vídeo que viralizou em que tivemos que expulsar um cara do nosso show porque ele gritou algo realmente muito obsceno para me e desde então, de vez em quando, alguém do Brasil escreve “ÍCONE FEMINISTA! VENHA AO BRASIL” nos nossos posts. É realmente comovente saber que as pessoas daí nos conhecem!

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Gostariam de deixar um recado aos fãs brasileiros?
Peter: Nós estaremos aí assim que for seguro! Recentemente, assinamos com um selo que finalmente parece estar focado na América do Sul. Nós ouvimos coisas maravilhosas sobre as turnês aí dos nossos amigos da Catfish and The Bottlemen e mal podemos esperar para conhecer todos vocês!

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Marina Moia
Marina Moia
Jornalista e apaixonada por música desde que se conhece por gente.