Entrevista: Lee Ranaldo (Sonic Youth) fala sobre disco “Electric Trim”

Criador da banda Sonic Youth e considerado um dos maiores guitarristas dos nossos tempos, Lee Ranaldo está passando um temporada no Brasil para divulgar seu mais novo disco solo, “Electric Trim”.

Além do trabalho, que será divulgado oficialmente no dia 15 de setembro, Lee também veio ao nosso país para trabalhar no longa de Gustavo Galvão, “Ainda Temos a Imensidão da Noite”, como produtor musical.

A Nação da Música conversou com o músico sobre as semanas no Brasil, seu novo trabalho e também sobre a próxima visita ao nosso país – desta vez com a banda completa!

Entrevista feita por Marina Moia.

————————————————————————————————————— Leia a íntegra

Você está pelo Brasil desde o começo do mês. Como tem sido os shows até agora?
Lee: 
Bom, os shows começaram apenas há alguns dias. Eu fiquei em Brasília por duas semanas trabalhando num filme. Já fiz três shows até agora e tenho mais dois pela frente. Tem sido muito bom e tem sido ótimo ficar aqui por algumas semanas. Eu realmente amo vir ao Brasil e estou feliz em passar mais tempo aqui.

Você está tocando músicas novas para os fãs brasileiros?
Lee: 
Sim! Eu estive por aqui no ano passado, em setembro, e aproveitei para tocar algumas músicas novas do meu próximo disco e agora estou tocando mais ainda. Esta é oficialmente a primeira turnê do “Electric Trim” e, assim que o disco for lançado no dia 15 de setembro, nós faremos uma turnê com a minha banda.

Como você já comentou, está aqui no Brasil por causa do filme “Ainda Temos a Imensidão da Noite”. Como você ficou sabendo do projeto e começou a trabalhar nele?
Lee: Eu conhecia a atriz principal [Ayla Gresta] do filme no ano passado, quando toquei aqui, e ela me contou que este filme estava sendo feito e que estavam procurando alguém para produzir a banda, afinal o filme é sobre uma banda de Brasília e se passa no Brasil e em Berlim. De certa maneira, é sobre a política brasileira no momento, mas é contado pela história desta banda. Ela [Ayla] me colocou em contato com o diretor [Gustavo Galvão] e nós começamos a conversar. Simplesmente funcionou!

Como foi trabalhar no filme nestas semanas?
Lee: 
Foi muito bom! Nós gravamos todas as músicas que precisávamos gravar e deu tudo certo. Eu realmente gosto de Brasília, então foi divertido passar algumas semanas lá.

“Electric Trim” será lançado no mês que vem! O que os fãs podem esperar deste disco?
Lee: 
É um álbum bem diferente, então eles devem esperar algo diferente dos discos passados. É mais uma colaboração entre eu e um cara de Barcelona, Raul Fernandez. Este é mais como um álbum produzido em estúdio. As composições foram uma colaboração entre eu e um autor americano, Jonathan Lethem. Entre esses últimos álbuns, as músicas são bem diferentes e a letras têm uma atitude diferente. Eu acho que são as melhores músicas que eu já fiz até agora e acredito que o disco está fantástico. Eu não conseguiria estar mais empolgado por ele!

O disco foi feito tanto nos Estados Unidos como em Barcelona, com Raul. Como funcionou a dinâmica entre vocês dois?
Lee: 
Bom, ele vinha para Nova Iorque e nós trabalhávamos juntos lá. Ele ficava por duas ou três semanas e trabalhávamos intensamente no estúdio, depois ele voltava para Barcelona, escutava mais o álbum e depois começávamos a trabalhar de novo. Foi uma colaboração bem legal.

“Electric Trim” conta também com colaborações dos músicos Sharon Van Etten, Kid Millions e Nels Cline. Como foi trabalhar com eles no estúdio?
Lee: 
Foi muito bom, com certeza. Nos meus últimos discos, sempre tive muitas pessoas trabalhando comigo, sempre diferentes. Meio que se transformou numa tradição para mim ter outras pessoas que eu conheço tocando nos meus discos. Mesmo não sendo um disco de “banda”, chamei alguns amigos antigos e também novos, como o Kid Millions, que tocou bateria em algumas faixas do disco. Sharon é alguém que eu conheço há um tempo, mas ainda não havia encontrado pessoalmente até pouco tempo atrás. Eu a convidei para cantar no disco e ela acabou cantando em seis músicas, incluindo um dueto que fazemos juntos. Foi bem legal ter todas essas pessoas no estúdio, tocando.

Tem alguém com quem você gostaria de trabalhar no futuro?
Lee: 
Não sei. Acho que sempre tem pessoas com quem eu adoraria trabalhar, mas não tenho ninguém em mente agora. Eu estou me preparando para começar um novo “round” de músicas, trabalhando com Raul, e essa é uma colaboração na qual estou muito interessado agora porque conseguimos coisas muito legais e produtivas deste primeiro trabalho, então estou empolgado para ver o que mais podemos fazer.

Durante a produção do álbum, você contou com a presença do seu amigo e cineasta Fred Riedel, que filmou o documentário “Hello Hello Hello”. Foi diferente tê-lo no estúdio gravando? Conte como foi a experiência…
Lee: 
Ele esteve trabalhando e filmando quase toda semana durante o ano de produção deste projeto. Ele é um velho amigo, então foi muito natural e não como se tivesse uma equipe de filmagem no estúdio. Era apenas um cara com uma câmera pequena. Depois dos primeiros dias, nós meio que nos esquecemos que ele estava lá e trabalhamos de maneira completamente natural. Ele foi capaz de capturar uma representação muito boa do que estávamos fazendo porque estávamos realmente muito confortáveis com ele lá.

Você havia dito que pretende voltar ao Brasil com a banda para mais shows. Já sabe quando, mais informações?
Lee: 
Tem a possibilidade de que eu volte em dezembro para fazer alguns shows na América do Sul, ainda não tenho certeza se vai acontecer, mas definitivamente há a chance. Veremos…

Como você está no Brasil há algumas semanas, você teve a oportunidade de explorar mais as cidades que passou, experimentar novas comidas, ouvir artistas brasileiros?
Lee: 
Sim, eu estou sempre descobrindo novas músicas aqui. As pessoas me dão discos aqui, então isso é sempre bom. Eu realmente amo a comida, então tenho explorado todos os tipos de comida. Desde as mais simples, como tapioca, à coisas mais diferentes. Enquanto trabalhávamos no filme, a banda era toda vegetariana ou vegana, então comíamos muita comida do tipo em Brasília. Fomos em alguns restaurantes diferentes e foi muito bom. Comemos pratos típicos brasileiros, foi legal demais e eu realmente aproveitei.

Eu também sempre descubro novas músicas. Tenho ouvido muita “viola caipira” ultimamente, mas também música pop moderna, dos últimos anos. Tenho ouvido diversas coisas bem diferentes, o que é muito legal.

Gostaria de mandar uma mensagem para os seus fãs brasileiros?
Lee: 
Eu quero que eles saibam que eu realmente amo vir ao Brasil e que estou muito feliz de estar aqui. Espero voltar o mais rápido que conseguir!

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Marina Moia
Jornalista, bauruense de coração e apaixonada por música desde que se conhece por gente. Viciada em séries, amante de livros e colecionadora de batons coloridos.

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