Entrevista: Pierce The Veil fala sobre novo disco e show no Brasil

Foto: Divulgação
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Prestes a desembarcar na América do Sul, nós da Nação da Música conversamos em exclusividade com Mike Fuentes do Pierce The Veil, sobre a turnê que faz única apresentação no Brasil neste domingo – maiores informações aqui -, sobre o novo disco “Misadventures” lançado pela Fearless Records e muito mais.

A entrevista foi feita e traduzida por Veronica Stodolnik.

—————————————————————————————— Leia a íntegra
Você quer começar falando um pouco sobre o processo criativo atrás de Misadventures? Já se passaram quatro anos desde o lançamento do último álbum, Collide with the Sky; existe alguma razão para ter demorado tanto tempo para vocês termina-lo?

Mike: Nós estivemos em turnê com Collide with the Sky por três anos eu acho, o que é bastante tempo para um álbum só; a gente demora tanto para gravar e lançar álbuns novos que acabamos conseguindo ficar em turnê com eles por mais tempo que normal. Mas depois de três anos em turnê com Collide with the Sky a gente tirou um ano para escrever, e criamos onze músicas. A gente entrou no estúdio como com qualquer outro álbum, e estávamos de volta com Dan Korneff [produtor], que tinha trabalhado conosco em Collide with the Sky também. Nós gravamos em Long Island, Nova Iorque, e durante a pré-produção duas das músicas tiveram que ser cortadas do projeto por que elas não estavam encaixando com o resto do álbum, então tivemos que escrever duas novas ali mesmo, no estúdio, o que é uma coisa que nós não fazemos; a gente sempre vem muito bem preparado com as letras prontas para serem gravadas. Isso foi bem diferente para nós, e essas músicas acabaram se tornando as duas últimas de Misadventures, “Sambuka” e “Song for Isabelle”.

Depois disso nós tivemos que gravar todas as músicas, as melodias que se encaixavam com as letras. Essa com certeza foi a razão pela qual nós demoramos mais do que o normal; todas as nossas músicas, nós queremos que elas tenham algum significado. Sempre tem uma história por trás delas, nunca são letras sobre coisas aleatórias que não significam nada. Vic [Fuentes, vocalista] teve que procurar muito por essas letras, e durante esse processo a gente acabou sendo interrompido por uma turnê que já estava marcada. A gente ficou nosso tempo no estúdio e depois entramos em turnê novamente, o que acabou sendo muito bom, por que nos tirou um pouco do estúdio e permitiu que nós tocássemos alguns shows e estivéssemos com nossos fãs. Depois disso nós voltamos pro estúdio, e o Vic acabou viajando para um monte de lugares, acabando em Seattle, onde ele terminou as duas últimas músicas, e agora nós estamos aqui. Daí o nome Misadventures, em conta disso tudo (risos).

Eu acredito que o Vic mencionou que o álbum é chamado Misadventures por conta desse processo trabalhoso que foi a gravação dele, de todos os erros e tentativas, de ir para vários lugares, dar um tempo, entrar em turnê novamente… Mas teve algum momento que se destacou mais para você durante esse processo? Tipo um lugar favorito para escrever, ou um momento em que você percebeu que tudo ia dar certo?

Mike: Sim. Teve muitos momentos em que a gente não sabia nem se o álbum ia ser lançado para começo de conversa. A gente encontrou tantos obstáculos, tantas coisas deram errado, e para piorar, também tínhamos pessoas o tempo todo falando que ele precisava estar pronto em uma semana quando a gente não estava nem perto disso. Eventualmente a gente conseguiu se desligar disso tudo e realmente focar no que estávamos fazendo. E também nos demos conta de que essa é a nossa arte, e você não pode simplesmente dizer para uma pessoa que ela tem que acelerar o processo criativo dela, o que é uma coisa que muitas pessoas não conseguem entender.

Mas acho que quando entramos no estúdio e realmente pudemos focar no que estávamos fazendo, a gente começou a criar músicas muito legais, como quando gravamos “Floral & Fading”; essa é uma música que nós nunca tentamos fazer antes em termos de estilo e tempo. É uma das músicas mais lentas que já fizemos, e foi muito legal ver ela evoluir no resultado final, por que ela começou com uma simples linha do baixo, uma guitarra esquisita de fundo, e aí o Vic criou uma melodia muito boa, e ela se tornou numa música legal, meio depressiva, bem Pierce The Veil. Coisas do tipo começaram a acontecer, e foi muito massa.

Como foi a experiência de poder gravar no estúdio The Village? Tantos músicos incríveis trabalharam lá no que se tornaram grandes hits e influências atuais.

Mike: Eu acho que ele acabou salvando o nosso CD, pois quando o Vic voltou para San Diego do estúdio em Long Island com Korneff, a gente descobriu que tinhamos um espaço com eles por causa da Concord, nossa gravadora, então abraçamos a oportunidade, e foi lá que o Vic passou muito tempo tentando terminar o álbum. Esse lugar tem músicos entrando e saindo o tempo todo, e ele encontrou tanta gente lá; só o ambiente ajudou muito com o CD, por que quando nós estávamos em Long Island era um estúdio no meio do nada, não tinha nenhuma inspiração. O lugar era cercado por um monte de túmulos, então tinha uma vibe muito sinistra (risos). Eu acho que poder estar no The Village foi muito bom, e também as viagens, como os chalés em Big Bear e depois Seattle, com a cena grunge e Nirvana; tem tanta música e coisas legais acontecendo por lá que nos trouxe muita inspiração.

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> Leia também nossas entrevistas com Simple Plan, The Maine e outros, aqui.
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Vocês também tiveram grandes músicos trabalhando com vocês, como o Brad Hargreaves, do Third Eye Blind. Como foi isso?

Mike: Bom, meu irmão conheceu os caras do Third Eye Blind através do nosso amigo Curtis, que é o melhor amigo do Vic há muitos anos. Eles sempre escrevem música juntos, e foram eles que escreveram “Circles”, originalmente em acústico. Ele sempre quis escrever com o baterista, Brad, por que ele sempre foi um grande fã; desde muito pequeno o Vic adora o estilo dele, então eles conseguiram tocar juntos e criaram o esqueleto de “The Divine Zero”, que foi a primeira música que nós lançamos do CD. E agora nós podemos dizer que somos brothers dos caras do Third Eye Blind (risos).

Que massa!

Mike: É bem legal (risos).

Parece que o álbum tem como tema ansiedade e inseguranças. Isso é algo que vocês lidam bastante como pessoa, e como banda?

Mike: Sim. Eu definitivamente lido com isso no meu dia-a-dia, e acho que os outros caras também. Mas especialmente o Vic, com toda a pressão, em como a gente atrasou o álbum e tentamos tanto seguir em frente, tudo caiu sobre ele em termos de terminar as letras e tudo mais. Eu não consigo nem imaginar como foi lidar com toda essa pressão eu mesmo. Ele lida com isso como eu nunca vi ninguém antes, e ele trabalha mesmo melhor quando está sozinho. O segundo em que terminamos o álbum foi um grande alívio, tudo ficou bem, e a gente só queria celebrar isso.

Mais cedo você mencionou “Floral & Fading”, que tem um tema de cyberbullying, uma coisa muito recorrente nos dias de hoje não só com muitas namoradas de músicos, mas com pessoas num geral; é um grande problema com a nossa sociedade nos dias de hoje. Acredito que isso seja algo que os fãs também tenham dividido muitas vezes com vocês também. Como que vocês veem o cyberbullying, e como lidam ele?

Mike: Isso é definitivamente algo que não precisa acontecer. Nós vimos muito disso quando estávamos nos matando no estúdio tentando terminar esses álbum, todos os dias. A gente não conseguia nem dormir tentando termina-lo, e aí quando abríamos o Twitter tinha uma galera muito brava com a gente. A gente postava uma foto de um dos nossos cachorros e eles ficavam “e aí, o cachorro sabe onde que está o CD novo? Por que vocês claramente não sabem”, ou algo do tipo. A gente ficava “ok, ok”, mas é tão tosco. Eu não considero essas pessoas que falam esse tipo de coisa como nossos fãs.

Com razão.

Mike: Os fãs que realmente estavam lá por nós, não sendo negativos, mas a galera positiva que nos manteve tentando. Bullies de internet são estúpidos, e só precisam desaparecer. Meu melhor conselho é ignora-los, por que você pode passar o dia todo lendo comentários e achar que eles significam alguma coisa, mas a vida real é a única coisa que importa de verdade. E se isso ta realmente te incomodando, então nem leia, fique longe disso.

Pelas redes sociais e a turnê que vocês fizeram, como foi a reação dos fãs ao novo álbum?

Mike: Cara, tem sido demais! A gente acabou de terminar a primeira turnê dele, a qual chamamos de “The Misadventures Tour” pois tocamos o álbum inteiro, do começo ao fim. Foi uma loucura, por que a gente tinha acabado de lançar ele e tivemos que descobrir como a gente ia tocar ele ao vivo muito rápido. A gente também tava torcendo para a galera aprender as músicas rapidamente. Mas no nosso primeiro show, em Las Vegas, nós começamos com “Dive In”, e eu conseguia ouvir o público mais alto que os amplificadores, e fiquei chocado. Em todos os shows eles já sabiam todas as letras, e eu fiquei tipo “o que ta acontecendo? Vocês são muito rápidos!” (risos). Nós fizemos isso para essa turnê, mas as próximas vamos ter coisas novas e antigas, misturar bem os dois para os novos sets.

A recepção dos críticos também foi bem boa. O álbum tem sido muito bem consagrado, e chegou até em quarto lugar na Billboard. Vocês estavam esperando que ele fosse ter um retorno tão bom?

Mike: A gente não sabia o que esperar. Nós sabemos que temos uma base de fãs muito forte e fiéis, e que eles são uns dos fãs que mais apoiam os artistas. Eu sabia que eles iam abraçar o novo CD com tudo, mas não esperava esses números. Isso definitivamente nos trouxe bastante reconhecimento, pois acabamos de tocar no Conan [talk show americano], e foi insano. “Circles” ta tocando nas rádios, e nós nunca tivemos uma música em rádio antes; ta tocando em todos os lugares aqui. Agora nós queremos continuar seguindo em frente, e manter esse momento forte.

Vocês estão indo de volta para o Brasil esse final de semana! Estão contentes de estar voltando?

Mike: Muito! Eu acabei de chegar no estúdio de ensaio agora, a gente ta preparando o set para a América do Sul e México.

Bacana! O que os fãs podem esperar dessa visita?

Mike: Um set com muita energia! Algumas músicas novas, outras antigas. Sério, vai ser uma noite incrível! Só quero que eles venham preparados para dançar muito (risos).

E por último… Você quer deixar uma mensagem para os fãs brasileiros?

Mike: Brasil, nós te amamos! Estaremos aí em alguns dias, então tratem de comprar o CD novo por que vamos tocar músicas novas e vocês precisam saber das letras!

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Veronica Stodolnik: Paulista que mora nos Estados Unidos desde 2011, e colabora no Nação da Música com entrevistas e cobertura de eventos internacionais. Amante de música e literatura, atualmente cursa um mestrado de comunicações, não vive sem seu PS4 e assiste muitas séries de TV nas horas vagas.

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