Rincon Sapiência
Foto: Fernando Lima / Nação da Música

Em setembro do ano passado, conversamos com Rincon Sapiência sobre seu primeiro disco da carreira, intitulado “Galanga Livre”, e sobre todo o processo de produção e criação do trabalho. Agora, quase um ano depois do lançamento do álbum, tivemos a oportunidade de falar novamente com o rapper!

O assunto da vez foi o festival Lollapalooza, em que ele irá tocar no dia 23 de março, as diversas parcerias que tem feito e também os seus planos para 2018.

Entrevista feita por Marina Moia.

————————————————————————————————————— Leia a íntegra

Falta pouco menos de um mês pra sua apresentação no Lollapalooza. Como você está se sentindo com essa performance chegando e o que os fãs podem esperar do seu show?
Rincon: É uma grande carga de responsabilidade, pela grandiosidade do evento, do número de público. Mas estamos muito confiantes no que sabemos fazer e estamos nos preparando muito pra isso. Preferimos deixar como surpresa os números a serem apresentados lá, mas posso antecipar que estamos preparando algo bem especial pra esse festival.

Você vai se apresentar no mesmo palco que artistas como Chance The Rapper, a banda Red Hot Chili Peppers… gosta deles? Pretende ver outros shows durante o Lolla?
Rincon: Acho que o massa dos festivais é justamente essa mescla de diversos artistas que se conectam num mesmo palco, então muitas vezes você acaba conhecendo bandas legais e isso é bem massa. O Red Hot me remete à adolescência, inclusive o período em que eu montei minha primeira banda. Essa presença deles vai ser bem especial. O Chance The Rapper, eu diria, está entre os 3 grandes nomes do rap, destes artistas mais novos. Eu já cheguei a ver na internet que as apresentações dele são incríveis, então vou ficar bem de olho, me divertindo e estudando bastante.

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Neste ano você estará também no Festival Bananada. Você sente diferença se apresentando em festivais e shows próprios?
Rincon: 
Eu tenho trabalhado bastante com a banda, com essa formação, e eu diria que até nos festivais não é tão diferente do que quando a gente está em turnê. Mas o festival dá abertura pra você performar mais. As pessoas não estão indo pra uma balada ou rolê e vão ver o seu show. São pessoas que vão pra analisar show, pra prestar atenção nos músicos, em todos os detalhes, e eu acho que são justamente esses detalhes que a gente trabalha e se dedica pra dar o nosso melhor. Acho que os festivais tem sido os melhores lugares pra gente se apresentar e colocar nossas ideias em prática. Eu me sinto privilegiado por poder ocupar todos esses palcos.

Recentemente você lançou dois clipes muito fortes. O Afro Rep, que teve uma baita repercussão tanto por exaltar a cultura negra como expor o racismo (até fala do William Waack), e também para A Volta Para Casa, igualmente excelente. Como foi a produção desses vídeos?

Rincon: O clipe de “A Volta pra Casa” tem uma produção muito mais trabalhada, de figurino, de elenco, de locação. A gente remete a um clima mais anos 60. Temos a presença da Luedji [Luna], que além de uma cantora incrível, atua muito bem no clipe. Eu diria que todos os meus vídeos são especiais, mas “A Volta pra Casa” é bem especial pela linguagem, por tudo.

O Afro Rep não deixa de ser especial também, até porque é na minha quebrada, é num lugar onde eu jogava bola quando era moleque e o primeiro time de várzea que eu joguei ficava naquele local onde filmamos. Eu vejo que algo especial que trouxemos foi a dança e fazer as pessoas participarem disso. Chegou a viralizar, de certa forma, as pessoas começaram a mandar vídeos interagindo com a gente, fazendo o passinho Manicongo.

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São dois clipes bem distintos, de linguagem, um com o outro, mas tão especiais quanto. Nos dois trabalhos eu me diverti muito e me dediquei muito.

Eu ia comentar mesmo sobre a viralização da dança. Você sempre compartilha nas suas redes sociais os vídeos que os fãs enviam para você. Como é pra você ter esse reconhecimento dos fãs, fazendo o passinho, compartilhando e aumentando essa rede?
Rincon: 
Pra mim é massa porque eu adoro trocar com os fãs, com o pessoal. E também pelo fato de que isso acontece muito pelos lugares, pela África, pela Europa, nos Estados Unidos, ter uma música de rap e ter alguma dança conectada a isso. Não me lembro de ter visto isso acontecer assim no Brasil, então eu diria que representa uma certa vanguarda, essa conexão de música rap brasileira e dança. Eu me vejo fazendo uma contribuição importante pra esse trabalho.

Você está fazendo muitas parcerias também! Primeiro com Sidney Magal e agora com Rubel. Cantou com Alice Caymmi e Drik Barbosa também. Pode nos contar um pouco sobre como funcionou essas parcerias? E como é pra você ser convidado por esses artistas para dar seu toque no trabalho deles?
Rincon: 
Está sendo bem massa, até porque no ano passado eu trabalhei bastante focado no álbum, na turnê. A gente ainda está neste mesmo processo, dando continuidade, mas o primeiro ano de disco é sempre importante, assim como o primeiro álbum. Eu trabalhei mais com a minha equipe, minha banda e meu staff.

Acho que agora já estou no momento de dar um respiro. Não diria que o disco está ficando velho, mas a gente fez o show de lançamento, fez a turnê, fez tudo. Agora eu me vejo muito mais aberto para fazer colaborações, que é algo que eu não consegui trazer muito no meu álbum. Eu to muito pra jogo, então naturalmente as pessoas têm me chamado e desde artistas novos até os mais velhos, artistas de rap e que não são do rap, e por aí vai. Eu sempre me divirto e divido essa energia massa com essas pessoas que me convidam.

Vi que você indicado ao Prêmio Bravo pelo Galanga Livre. Parabéns! Daqui uns meses ele completa um ano, como você disse. Qual o balanço que você faz desse último ano de trabalho?
Rincon: Pra mim é especial, romantizando um pouco. Vários artistas de quem eu sou fã têm um primeiro disco que é bem especial, bem clássico, e que você visita a obra desses artistas e chega no primeiro álbum e é um disco talvez feito com estrutura menor, mas não deixa de ser especial. Eu me vejo caminhando para ter uma obra parecida, de ter conseguido fazer um disco de estreia bem legal.

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Foi o ano mais intenso da minha carreira profissional também. com muitos shows, muitos compromissos de participações, editoriais de fotos, foi um ano bem tenso. É cansativo, mas não deixa de ser o que a gente sempre buscou fazer. Agora o lance é dar continuidade.

Tenho como balanço um saldo bem positivo, mas um desafio leva a outro. Acho que o próximo desafio é manter o que foi construído e fazer coisas tão especiais ou mais especiais, se possível. E dar continuidade a essa história aí.

E o que podemos esperar do Rincon Sapiência em 2018? Novas músicas, novo disco, mais shows?
Rincon: 
Algo que já está de fato acontecendo são essas parcerias, que eu tenho recebido muitos convites e feito muitas coisas com muitas pessoas diversas, então isso está sendo legal. Pretendo lançar singles, mas ainda não tenho plano de um álbum e também não estou me pressionando pra isso. Não prometerei um disco, mas prometo muita música e muito conteúdo pra 2018.

Gostaria de deixar um recado pros leitores do Nação da Música?
Rincon: 
Quero pedir pro pessoal ficar de olho, ficar bem antenado. Felizmente, nosso senso criativo está funcionando bastante, tenho feito bastante coisa. Espero compartilhar essas coisas com o máximo de gente possível, então ficaremos em sintonia!

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