rubel

O carioca Rubel é um dos mais novos ganhadores do projeto Natura Musical, junto com Sofia Freire, e terá seu segundo disco patrocinado pelo edital. “Pearl”, seu primeiro trabalho, ganhou destaque na crítica, sendo considerado uma das grandes revelações do cenário da música independente do país.

Lançado em 2013, “Pearl” foi gravado em Austin, Texas, enquanto Rubel estava em intercâmbio, e contou com a colaboração de diversos artistas de vários cantos do mundo. Atualmente, o músico está em turnê de despedida do disco e pronto para gravar novas músicas e compor seu próximo lançamento.

Nação da Música conversou com Rubel sobre o processo de gravação de “Pearl”, as expectativas para o segundo álbum e também sobre suas influências musicais. Confira:

A entrevista foi feita por Marina Moia

————————————————————————————————————— Leia a íntegra

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Primeiro de tudo, quero te parabenizar por vencer o edital do Natura Musical. Como você está se sentindo com essa conquista e o que podemos esperar do próximo álbum, que agora é oficial?
Rubel: 
Obrigado! Eu to muito feliz. É um sonho mesmo que a gente está realizando, poder fazer esse disco. Eu sempre acompanhei o edital, há muitos anos, desde o [Marcelo] Jeneci, quando ele ganhou, e vários artistas incríveis já ganharam, como Tulipa Ruiz, Elza Soares, O Terno. É muito bom fazer parte dessa galera, estar no meio dessa lista.

O disco vai misturar um pouco do que a gente já fez com hip hop. E a gente vai ter participações especiais de alguns rappers também, que eu não posso confirmar ainda, mas vocês vão saber daqui a pouco. A gente vai tocar com a banda bem maior do que a do primeiro disco, que é a banda que me acompanha na turnê agora, que tem baixo acústico, acordeão, trompete, cordas, bateria, guitarra. A ideia é misturar estilos, misturar MPB, misturar folk, misturar hip hop, chamar participações especiais e acima de tudo contar boas histórias, isso é sempre o norte de tudo que eu faço, a narrativa, contar histórias mesmo, canções, acima de tudo.

Você morou em Austin, numa casa com mais de 100 pessoas, conta pra gente como era essa dinâmica, a atmosfera, e como surgiu a ideia de gravar o disco lá?
Rubel: 
A dinâmica era uma loucura porque eram 120 pessoas, você pode imaginar o que é isso, e gente de todo lugar do mundo. A gente tinha quatro festas por semana e todo mundo vivia em comunidade mesmo, todo mundo trabalhava pra manter a casa num espírito coletivo muito forte de festa e de trocas, em todos os sentidos. E era um território muito fértil pra troca de ideias, pra música especialmente, porque moravam uns 20, 30 músicos na casa, a gente tinha umas quatro bandas. Eu tinha até uma banda cover de música brasileira e a gente tocava Jorge Ben, Caetano [Veloso], em festas e era muito louco isso. Aquelas festas típicas americanas, a gente tocando Caetano Veloso e as pessoas piravam.

Eu engatei muito na minha paixão por música nessa época e a ideia do disco surgiu pra registrar as músicas que eu tava fazendo nesse período, algumas que eu já tinha feito antes, mas acima de tudo a ideia era conseguir registrar aquela sensação, registrar aquele encontro. Quando eu voltasse pro Brasil, quando o tempo passasse e olhasse pra trás, eu pudesse ter um registro do que foi aquilo.

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A gravação do disco com certeza foi bem diferente e vi numa entrevista que você estava longe numa parte da mixagem. Como funcionou o processo e como superou essa dificuldade?
Rubel: 
A gravação foi diferente porque a gente montou um estúdio caseiro e eu mesmo operava os equipamentos todos, então foi a primeira vez mexendo e foi uma coisa realmente muito independente, muito caseira. É inacreditável hoje em dia pensar que tenha dado certo porque eu aprendi a usar tudo aquilo em cinco dias, a gente ficou num quartinho de biblioteca que tinha na casa e gravou.

Depois o período de mixagem foi por Skype e foi tranquilo até. A gente tinha reuniões semanais a mensais, eu ouvia as músicas, fazia meus comentários e ele fazia as alterações. Isso deu muito certo.

Você está de volta ao Brasil agora, mas pretende voltar pra Austin ou outro país estrangeiro pra gravar de novo?
Rubel: 
Pra gravar, não. Eu até voltei pra lá esse ano pra tocar no festival South By Southwest e foi incrível, mas meu caminho é aqui mesmo. As coisas estão acontecendo aqui no Brasil e não tenho vontade de sair daqui de forma nenhuma.

Quais as suas maiores inspirações atualmente? O que você tem ouvido com mais frequência?
Rubel: 
Eu tenho ouvido muito hip hop, faz uns dois anos já. Chance The Rapper, Frank Ocean, Kanye West e muito Stevie Wonder, bastante Soul Music também, e isso tudo tá sendo muito inspirador pro processo do disco.

Se alguém te ligasse e falasse “você pode fazer uma parceria musical com qualquer pessoa; nacional, internacional, que esteja vivo ou morto”. Quem você escolheria?
Rubel: 
Nesse momento, é o Chance The Rapper. É um cara novo, incrível, que lançou um dos melhores discos do ano.

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Você é formado em Cinema. Como isso influencia na sua carreira musical?
Rubel: 
Eu acho que tanto o cinema quanto a música estão colocados na mesma forma no que eu faço, na narrativa. Eles têm uma história, personagem e uma ideia, então acho que o cinema ajudou muito na hora de escrever, de ter essa paixão pela narrativa, aprender a contar uma história. E também pela forma de produção. Pra fazer cinema independente, você precisa de muita determinação, você precisa descobrir formas de fazer as coisas acontecerem sem necessariamente o apoio de uma grande empresa. O cinema me deu esse know-how de guerrilha, de certa forma, de ir atrás das coisas e fazer acontecer a qualquer custo.

Falando nisso, o videoclipe de “Quando Bate Aquela Saudade” já está chegando a 5 milhões de visualizações e você foi o diretor também. Como você se sente com esse alcance e como foi o processo de criação do clipe?
Rubel: 
A gente tentou não criar muita expectativa. A ideia era fazer um clipe que a gente gostasse muito, que a gente ficasse satisfeito e ai se tivesse 50 ou 50 milhões, não cabia muito à gente.

O processo de criação foi muito bom. A ideia era mostrar um pouco da nossa visão da música, porque acho que tem várias formas diferentes de interpretar. Ela tava muito restrita à uma ideia mais romântica, sobre um casal, e acho que ela tem um outro caminho pra interpreta-la, que é um caminho mais denso, sobre a falta. Então, a gente queria tirar a música desse lugar necessariamente romântico e expandir ele pra vários outros significados. E ai a gente pensou em 30, 40 personagens diferentes que pudessem trazer sentimento de falta num dia, numa cidade. E deu muito certo, porque de fato as pessoas viram a música de uma forma diferente, a partir do clipe.

A música tem realmente muitas interpretações…
Rubel: 
Sim, tem gente que fala que ela deixa na bad, tem gente que fala que é uma música que deixa feliz, tem gente que começa um romance por causa dela, tem gente que termina um romance por causa dela. É muito louco como cada um realmente tira um sentimento dessa mesma música.

Você está em turnê agora, sua agenda está bem cheia. Como está sendo essa resposta do show ao vivo? Como você mesmo disse, cada pessoa vê as músicas de um jeito…
Rubel: 
É incrível. O carinho das pessoas é muito forte, as pessoas cantam junto e tem uma entrega muito grande porque eu acho que os fãs, as pessoas que vão no meu show, tem uma relação muito próxima com as músicas, delas terem afetado a vida concretamente, de marcar alguma memória, algum relacionamento, alguma amizade, algum namoro. Então, quando elas vão pro show, isso tudo vem à tona. É como se cada pessoa ali trouxesse um pouco da vida dela, da história dela, na hora de cantar então é muito intenso porque não é só eu contando a minha história a partir da minha experiência, da minha vida. São várias pessoas trazendo as experiências delas também.

Você gostaria de deixar uma mensagem pros seus fãs e pros leitores do Nação da Música?
Rubel: 
Queria falar pras pessoas ouvirem, quem ainda não conhece, e quem me conhece, ajudar a compartilhar, passar pros amigos, passar pros familiares e entrar no nosso site pra poder ver a agenda de shows, que a gente tá fazendo a despedida do disco “Pearl”. E ano que vem temos disco novo.

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