Entrevista: Silva fala sobre o álbum “Silva canta Marisa”

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No último dia 18 de novembro, Silva disponibilizou o álbum “Silva canta Marisa”, com 11 regravações de grandes sucessos de Marisa Monte e uma inédita, composta e gravada com a própria cantora – você pode ouvir o disco completo no final dessa publicação.

Silva já apresentava músicas da Marisa desde 2015 em seus shows, além de um especial de TV, também em homenagem a ela. Tudo isso resultou nesse projeto que vem sendo muito bem recebido pelos fãs do Silva e da Marisa.

Nós conversamos com o Silva que nos contou sobre todo o processo de produção do álbum, a relação com a Marisa, os planos para o futuro e também sobre a importância do apoio de artistas veteranos aos novos nomes da música brasileira.

A entrevista foi feita por Juliana Izaias.

————————————————————————————————————— Leia a íntegra

Você comentou em outras entrevistas que escuta Marisa Monte desde pequeno, como foi criar essa relação com ela, de trabalhar junto, compor, e a responsabilidade de prestar essa homenagem?

Silva: Então, foi pra mim uma experiência assim, muito marcante pra mim, muito mesmo, Marisa é uma artista que eu sempre admirei e ouço a muito tempo, então não só admiro a música mas a postura dela também como artista, e a carreira que ela faz, que é muito bonita. Então pra mim foi um privilégio gigante de poder trabalhar com alguém que eu gosto tanto. E depois de ter conhecido pessoalmente, ver que ela é além de uma cantora incrível, uma pessoa muito legal, muito generosa, me dá apoio e força. Então é isso, “tô” muito feliz.

E a seleção das músicas que entrariam para o disco, como foi o processo de separar dentro de um acervo tão extenso da Marisa? Teve alguma música que você gostaria que tivesse entrado no disco e não entrou?

Silva: Pois é, é uma coisa que se eu fosse colocar todas as músicas que eu amo mesmo, teria que ser um disco triplo. Então foi um processo bem difícil de escolher porque um disco normalmente cabe 13 músicas, 14 no máximo, então eu escolhi as músicas que eu achei mais ficaram legais na minha voz, que combinaram com meu tom e que os arranjos ficaram interessantes. Então eu acabei partindo pra isso. Fiz vários testes, várias versões a mais do que entrou no disco e acabei colocando as que eu achei que estavam mais legais mesmo.

Os arranjos das músicas estão diferentes das originais gravadas pela Marisa, mas ainda mantém a essência das músicas, não se tornaram irreconhecíveis. Como foi esse processo de adaptar as canções pra você?

Silva: Eu quis manter a composição do jeito que ela é mesmo, a melodia, a letra, sem mexer nisso, mas mexi em todos os arranjos. Não quis copiar o arranjo original, até porque o arranjo original já é lindo, então achei que não acrescentaria nada copiando as originais. Foi um trabalho de vestir uma roupa diferente em cada uma, então foi um processo que não foi fácil, mas ao mesmo tempo foi muito divertido porque eu escolhi minhas músicas prediletas, então foi o trabalho de fazer sem pressa, até achar a onda de cada música, como eu queria fazer, então foi muito legal.

E vai rolar turnê do disco? Quais são os próximos planos?

Silva: Pois é. Esse não era o plano no começo, porque o disco era um registro dessa experiência incrível que eu tive de fazer essas versões, e de conhecer a Marisa pessoalmente, de compor com ela, então não quis deixar isso passar em branco de jeito nenhum. Então o disco veio por causa disso, mas ele está sendo tão bem recebido assim, até pelos fãs da Marisa mesmo, que eu vou acabar indo pra estrada com ele. Ainda não sei quantos shows e qual vai ser o tamanho disso, mas isso vai virar turnê sim. Pelo menos pelas capitais. E a gente já tem um show de estreia aqui em São Paulo dia 17 de dezembro agora, no Sesc Pompéia, e vai ser o primeiro que eu vou cantar Marisa, então vamos ver o que vem daqui pra frente.

E o planejamento desse show que já está agendado? Serão só músicas do disco que acabou de ser lançado (“Silva canta Marisa”) ou dos trabalhos anteriores também?

Silva: Então, vai ter o repertório do disco, inclusive a “Noturna” que é inédita, mas eu também estou colocando umas coisas surpresas, coisas que a Marisa cantou em shows, que ela nem gravou em disco, mas que são coisas de fases da Marisa que eu acho muito legais, daquela época “Barulhinho bom” assim. E é isso, acho que vai ser interessante de cantar isso, acho que as pessoas que acompanham a Marisa e conhecem bastante a carreira dela, vão gostar disso.

Qual a importância desse apoio dos artistas veteranos aos novos nomes da música brasileira?

Silva: Então eu acho um apoio incrível, eles viveram uma época que a indústria da música mesmo funcionava diferente. Era uma coisa que tinha espaço na mídia, na TV e na rádio, tinha espaço pra outros tipos de música, acho que uma coisa mais variada, talvez. Então acho que hoje, quando a gente vê essa crise fonográfica, e essa crise do mercado todo, a gente sabe que não é fácil ser músico, ser artista no Brasil não é uma coisa fácil. Então quando você vê artistas assim, desse porte, que eu admiro e acompanho a muito tempo, é muito revigorante mesmo, você fala ‘pô, to indo no caminho certo, to fazendo tudo certo, vou continuar nessa, nesse trilho’. Então acho que esse respaldo é muito bom pra gente que faz música e batalha pra viver disso, pras pessoas pararem e prestarem atenção em você. Então é uma coisa que eu acho muito importante.

Gostaria de deixar um recado pros seus fãs e pros leitores da Nação da Música?

Silva: Quero dizer pra todo mundo que me acompanha que eu to muito feliz com as mensagens de carinho mesmo que eu tenho recebido ultimamente, muito obrigada a todo mundo que tem ouvido, e tem mandado ‘continue, tá lindo’, isso parece que é pouco, mas pra quem tá fazendo, e tá mostrando o trabalho é muito importante. E é isso, um beijo e até logo.

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Juliana Izaias
Prefere ser chamada de Ju, estudante de jornalismo, apaixonada por música, festivais, seriados, gatos e Arctic Monkeys.

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