Entrevista: Sinara fala sobre o lançamento do álbum “Menos é Mais”

Foto: Rodrigo Molina

Exatamente nessa sexta-feira (05) a banda carioca Sinara está lançando seu primeiro álbum na carreira, intitulado “Menos é Mais”.

Formada por Luthuli Ayodele na voz, Magno Brito no baixo, Francisco e João Gil nas guitarras e ainda José Gil na bateria, os meninos se juntaram três anos atrás e agora apresentam para o mundo o caldeirão de ritmos e sons que fazem parte de sua ideologia, passando entre rock, reggae e samba. E eles já estão colhendo os frutos desse trabalho sendo atrações confirmadas no Festival Bananada e no Rock in Rio.

A Nação da Música conversou com o Francisco sobre o lançamento, a estrada, as influências da banda e os projetos futuros.

Entrevista feita por Juliana Izaias.

————————————————————————————————————— Leia a íntegra

– Como foi o processo de gravação do álbum “Menos é Mais”?

Francisco Gil: Foi a nossa segunda experiência lá no estúdio, depois que a gente fez o nosso EP “Sol”, também produzido pelo Sergio Santos que assina a direção do disco junto com o Pedro Baby, e que foi um grande mestre pra gente nesse período. Ele começou a ir nos estúdios com a gente no período de gravação do EP, chegou a ajudar a gente ali com timbres de guitarra e tal, e aos poucos ele foi chegando cada vez mais no estúdio, ajudando a gente com os arranjos inclusive, e ai foi quase que automático essa convocação dos dois para produzirem o disco. Então a gente acabou montando um time muito forte, e claro, depois da experiência do EP e da estrada que veio depois, a gente ganhou muito mais corpo, nosso som ganhou mais identidade, ganhou mais solidez. Foi uma experiência, além de bem mais rica pra gente, soube explorar mais, foi muito prazeroso também. E no estúdio foi só alegria, a gente vive uma rotina ali de dois / três meses juntos muito gostosa aqui. Primeiro a gente escolheu o repertório, a gente tinha uma vasta opções de canções pra esse primeiro CD, então foi um período de seleção muito bom, e depois a gente selecionou 20 músicas, e a gente começou a arranjar elas, algumas já tinham o arranjo mais definido, e a partir de então a gente definiu as dez músicas que seriam as do disco. E aí foi aquela coisa de gravar demo, ouvir aqui e ouvir lá, e aí já começava a gravar uma, depois tocava, e gravava outra. Então foi uma experiência musical, assim, pra todos nós muito rica.

– Quais foram as influências de vocês durante a gravação desse álbum?

Francisco Gil: A gente ali tem uma troca musical muito grande, então o tempo todo tá todo mundo mostrando uma coisa pra outro. Nesses três singles que a gente lançou agora, são quatro no total, mas é porque nessas últimas semanas a gente lançou três, eles já mostram, por exemplo, muitas novas influências que entraram no nosso som. “No Fim dos Tempo” por exemplo, o último, ele já vem com o Ijexá que é o ritmo africano da Bahia que a gente perpetuou ali, que ai já traz todas essas referências lá da Bahia, Novos Bahianos, até mesmo Gilberto Gil, Moraes Moreira, essas outras canções que você já vê uma presença do samba. “Luz de Sofia” tem uma grande presença do samba, uma coisa meio Cássia Eller também. Em “As Coisas Vão Mudar”, a gente já traz referências mais Michael Jackson, que tá presente como referências pra gente também. Então é uma roda musical, todo mundo vai trazendo, e é isso que a gente quer passar no disco. O disco, ele é uma grande miscigenação de várias influências e referências para todos nós.

– E vocês pensam em algum dia fazer um álbum com apenas um estilo musical específico?

Francisco Gil: Olha, a gente não se limitaria a isso. Eu digo tanto no sentido de talvez sim, da gente sim tocar aí um estilo, como também continuar esse nosso caldeirão, porque a gente tem entendido cada vez mais que isso faz parte da nossa identidade musical e ela tem um pouco de tudo isso, que é o que o cara que escuta Sinara vai esperar, a gente tá formando isso. Então o pessoal que vai no show, que acompanha a gente, eles já entendem que podem esperar um pouco de tudo. E acaba que vem com a identidade da gente, porque independente das referências e das misturas de ritmos e gêneros, a nossa identidade tá presente ali na letra, na forma de tocar, na forma de se expressar musicalmente no geral.

– Por que “Menos É Mais” como título do primeiro álbum da carreira?

Francisco Gil: Além de ser uma das canções do disco, ela é uma canção que simboliza um pouco de tudo isso que a gente tá trazendo porque é muita referência, muita coisa, desde o início da nossa estrada sempre foi assim, era muita informação. Então a gente sempre tentou jogar pro lado na simplicidade, trazer pra quanto mais natural for, quanto mais simples, é a forma da gente se comunicar. Então “Menos É Mais” além de ser toda uma ideologia, além da música mas de vida. Hoje as pessoas, elas procuram sempre a quantidade, a variedade, e tudo mais, e a gente enxuga isso. “Menos É Mais” é uma mensagem pra tudo isso que a gente tá vivendo na realidade atual.

-A banda está completando três anos de carreira, como foi a primeira vez que vocês subiram no palco juntos?

Francisco Gil: Exato. A gente foi bem aos poucos. A primeira vez que a gente tocou foi no estúdio. A gente chamou um pessoal pra ir lá conhecer, família e amigos, a gente preparou o show. E ai tocou, a galera pirou e já falou que tava pronto, pra gente ir pra rua, e ai a gente foi pra rua literalmente. Depois disso a gente tocou no meio da rua, a céu aberto pra galera, foi uma confusão mas foi muito bom também, pessoal pisando nos pedais, invadindo, aquela loucura. E depois a gente foi indo aos poucos. Então a primeira experiência de palco foi logo, um mês dois meses depois disso. E ai foi em uma casa de shows que não existe mais, a gente tocava toda semana lá por um mês, e foi muito bom. É sempre enriquecedor essas primeiras experiências, o susto, você acaba aprendendo muito e hoje estamos colhendo os frutos de toda essa batalha aí. Desde então, esse primeiro ano foi só pedrada atrás de pedrada, só show guerillha, e ai graças a Deus a gente já teve a oportunidade de se apresentar em grandes espaços e eventos, e junto com outras grandes bandas que são grandes referências pra gente. Então graças a Deus estamos ai, subindo os degraus da nossa estrada.

– Vocês estão escalados como atrações de dois importantes festivais nacionais; o Festival Bananada nesse fim de semana, e também o Rock in Rio em setembro. Como tá a ansiedade pra essas apresentações e o que o público pode esperar do show de vocês?

Francisco Gil: Então, o novo disco vai trazer muito do que o pessoal pode esperar. A gente tá indo pro Bananada agora, lançando o disco, vai ser um show curto mas a gente vai tocar ali o que a gente mais gosta, pro pessoal que não conhece nosso som a gente tá querendo trazer o nosso universo. Então pra gente é uma loucura, uma realização de verdade porque a gente que cresceu indo pra todos esses festivais, atrás de backstage e atrás dos shows, poder estar ali levando o nosso show pra esses festivais tão grandiosos musicalmente falando, com artistas tão memoráveis, pra gente é uma realização literalmente.

– E vocês vão ficar pra curtir o festival? querem ver alguma atração?

Francisco Gil: Com certeza! No Bananada tem o Baiana System, a Céu, tem outras dezenas de bandas que a gente não conhece, bandas locais e tudo mais, então a música é isso né. A gente sempre tá conhecendo coisas novas, a gente sempre tá aberto a isso, esse é o nosso lema.

– Como rolou a oportunidade de fazer parte da trilha sonora na nova temporada de Malhação, com a faixa “Sem Ar”?

Francisco Gil: Então, foi uma mega surpresa pra gente, porque o nosso disco ele tem sim uma carga de canções assim, dramatúrgicas, elas tem aquela coisa de você falar “essa música aí ia ficar boa na novela”, então foi uma surpresa. A gente não tinha lançado o disco, a gente imaginava inclusive que “Menos É Mais”, que é uma canção que antes ia passar pra televisão, então foi uma surpresa porque foi o primeiro single desse trabalho que a gente tá lançando, então ele tá tocando na rádio pra caramba aqui no Rio, e em outros estados também, então ter ela agora na televisão é uma oportunidade de espalhar o nosso som muito grande. Então foi uma surpresa, mas a gente espera que outras canções também venham a perpetuar nessas novelas. Tomara haha.

– Se você pudesse escolher uma música pra definir o álbum, qual seria?

Francisco Gil: Cada um eu acredito que vá ter uma canção própria ali pra dizer, mas pra mim sempre foi “Fim dos Tempos”, a última canção que a gente lançou. Ela pra mim sintetiza a banda porque ela é a música que mais tem a cara da banda, quando a gente toca ela ao vivo, ela ficou gravada de forma extremamente fiel a energia, toda a forma que a gente ouve. A maioria das pessoas que eu ouvi junto se emocionaram, eu me emociono toda vez que escuto, é uma canção muito forte e uma letra muito precisa do Luthuli, nosso vocalista, com o tio dele Wlad. Ela é uma música que a primeira vez que eu ouvi ela me despertou uma vontade imensa de gravar, de colocar ela no mundo, de dar vida, é uma canção que eu to tocando violão, um violão que eu amo tocar, eu toco sempre que as pessoas pedem pra eu cantar alguma canção eu canto “Fim dos Tempos”, então ela pra mim é a canção do disco.

– E quais os próximos planos da banda agora? 

Francisco Gil: Então, a gente tem esses festivais todos ai pra fazer, o disco está sendo lançado, então é colher os frutos disso. Trabalhar bastante, poder ir ao máximo de lugares, se Deus quiser as oportunidades de shows vão aumentar ai pelo Brasil a fora. A gente já foi em vários lugares, mas existem muitos outros, o Brasil é imenso, então a gente quer isso, poder espalhar o nosso som para o maior número de pessoas, se Deus quiser, e que deva vir com a energia que a gente jogou nele que foi exatamente essa energia de prazer da música, de prazer na simplicidade que a música é. Então “Menos É Mais” veio pra gente poder perpetuar isso, a nossa garra e a nossa vontade de poder espalhar a nossa música mundo afora aí.

Gostaria de deixar alguma mensagem para os leitores da Nação da Música?

Francisco Gil: Deixar o recado pra que as pessoas escutem o nosso CD porque hoje em dia a forma como se consome música acabou mudando, é raro você ver as pessoas que hoje em dia escutam discos completos, e acaba que a forma como a gente sempre enxergou a música sempre foi dessa forma, eu pelo menos cresci ouvindo disco, e através dele que você entende a linguagem do artista, a mensagem do artista ela tá ali pra síntese das músicas, das mensagens, então pra que as pessoas abram essa oportunidade pra gente, de poder escutar, mas não só pra gente mas pra todos os artistas que estão vindo ai, porque isso não pode acabar. Então ouçam o nosso disco com muito carinho, que a gente espera poder levar ele para o Brasil e o mundo todo escutar essa energia que a gente colocou nele.

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Juliana Izaias
Prefere ser chamada de Ju, estudante de jornalismo, apaixonada por música e emoções. Gosta de conhecer lugares e pessoas incríveis.

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