Entrevistamos André ViaMonte sobre processo criativo e música brasileira

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andré viamonte
Foto: Tiago Costa

O músico André ViaMonte possui raízes em diversos lugares do mundo. Nasceu em Zurique, cresceu na alemanha e hoje mora em Portugal. A bisavó nasceu no Brasil, o que faz com que ele tenha ligações e interesse no nosso país também.

Com dois discos lançados, “VIA (2016) e “Monte” (2019), o cantor explora a mistura entre música erudita e instrumentos clássicos com toques mais modernos, como o uso de eletrônicos. Formado em musicoterapia, ele explicou para a Nação da Música sobre como isso influencia a arte dele, sobre os projetos futuros e também sobre o que ele conhece da música brasileira.

Entrevista por Marina Moia.

——————————————– Leia a íntegra:
Como você tem passado neste período de quarentena?
André: Bem… contudo, apreensivo como todos nós. Num período de criatividade e reflexão, a perceber o que podemos fazer para a comunidade de forma a estarmos todos em sintonia.

O seu segundo disco da carreira, “Monte”, que foi lançado no ano passado, tem diferenças em relação ao primeiro, com a adição de elementos eletrônicos às faixas, que ainda continuam com os elementos clássicos. Como funcionou o seu processo criativo desta vez?
André: Na verdade, vou deixando fluir… aprendendo, reaprendendo e perspectivando formas de como a música poderá ser um veículo de apoio para a comunidade. No primeiro álbum, o single “Heartland” me definiu como identidade artística. “Heartland” (da terra do coração) de onde surgiu um álbum: VIA natural, intuitivo, muito emotivo, mas sobretudo ligado ao que é profundo. Assim, era necessário o uso de instrumentos naturais e tradicionais com eruditos (evitando sempre instrumentos ”eletrificados”). 

No álbum “MONTE”, existe uma busca pelo conhecimento, raciocínio, análise, aspetos e características mais urbanas. Assim sendo faria mais sentido a fusão de elementos eletrônicos com os elementos “naturais” que já faziam parte da caminhada do trabalho antigo. O processo criativo é uma caminhada onde renascemos e aprendemos com novas mensagens sem nunca perder a nossa identidade.

O disco foi finalizado no lendário Abbey Road. Como foi a experiência?
André: Foi perfeito! Fiz tudo o que um tradicional turista poderia fazer… a passadeira dos Beatles… [risos] e o culminar de finalizar lá o meu trabalho. O ponto máximo foi ter alguém como Alex Wharton (aliado na responsabilidade de grandes trabalhos de grandes artistas e bandas internacionais) admirando o nosso trabalho sublinhando a profundidade do conteúdo musical.

Este trabalho possui também diversas colaborações musicais, mais do que o primeiro lançamento. Como foi chamar e trabalhar com tantas nomes talentosos?
André: Adoro trabalhar com pessoas novas, adoro aprender com eles. Sobretudo, amo a forma como eles enriquecem a obra e por sua vez entregam algo único para o público. Sou um felizardo porque como artista independente tenho controle absoluto da minha obra.  Então as participações especiais não me são impostas por alguém. Eu sinto que simplesmente a obra pede alguém… e é o meu dever como criador conseguir o melhor resultado. 

Quando encontramos as pessoas muitas das vezes é de uma forma acidental… [risos] porque tem que ser. É uma benção poder trabalhar com pessoas de uma verdade e de coração gigantes. Sou um privilegiado de poder partilhar a minha música com eles porque sei que a obra irá ser algo muito verdadeiro para o público que a irá ouvir.

Como a formação em Musicoterapia influencia no seu trabalho atualmente?
André: Na verdade sempre atuou. Ontem, hoje e espero que sempre. Atualmente ainda continua atuar como consciência artística… o que poderei fazer quanto compositor ou artista para ajudar toda uma comunidade? O que poderei fazer dentro da minha influência para minimizar e suavizar a dor na comunidade? As músicas podem de fato ser uma forma musical em representação de união.

Para 2020, o que podemos esperar de André ViaMonte? Novos lançamentos? Pode compartilhar algo com a gente?
André: Vou lançar brevemente algo. Como forma de impulso criei uma canção dedicada a todos nós que se aguentam firmemente neste contexto viral. Mas sobretudo sobre um dos aspectos que me deixa extremamente sensibilizado, de alguns dos nossos não se poderem despedir dos seus entes queridos, é algo que me toca profundamente… Não sabendo o que fazer para poder ajudar, fiz o que considero que me é natural. O único recurso onde sinto que poderei criar alguma diferença e que me tem acompanhado sempre sem me desiludir – a música ou a arte que de facto poderão ser um elo de ligação entre todos como forma de apoio e de união. O videoclipe irá ser uma recolha de momentos de ternura de várias partes do mundo incluindo o Brasil que já vieram vários clipes lindos.

André, você é familiar com a música brasileira? Conhece nossos artistas e bandas? Quais?
André: Tantos… e tão bons! Normalmente eu fico apaixonado por um ou dois temas de vários artistas como: Tom Jobim, Elis Regina, Rita Lee, Carmen Miranda, Vinicius de Moraes, Cazuza, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Cartola, Gal Costa, Milton Nascimento, Tiago Iorc, Tuyo, Eder Araújo, Fernando TRZ, Ellefante, Filipe Catto, Fellini, O Tarot, Nana Caymmi, O Rappa, Mibbi, Nomade Orquestra, Silva, Labaq, Marja Lensky… tantos e tantos e todos fantásticos…

Pretende vir ao Brasil em turnê no futuro? Está nos planos?
André: Sim, claro. Está nos planos… :)

Gostaria de mandar um recado aos fãs brasileiros?
André: Mil perdões do que irei dizer, mas terei que referenciar que discordo totalmente com o vosso presidente. Não é uma gripezinha ou resfriado. E se ele afirma isso é porque de alguma forma já está imunizado. O panorama atual é sério. O povo brasileiro tem que se cuidar de si próprio mais que nunca. Para que o “tempo volte abrir é preciso que a tempestade passe”. Até lá por favor se resguardem e se cuidem. Se unam mais que nunca.

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