Foto: Camila Rodrigues

A cantora Naiá, nascida em São Paulo, mas com sangue Guarani, Alemão e Africano, lançou recentemente o EP “Caetane-se”. Com seis faixas, a multi-instrumentista fez releituras de clássicos do Caetano Veloso.

A Nação da Música conversou com Naiá sobre o trabalho, o show de lançamento e também sobre os planos para o próximo ano.

Entrevista por Marina Moia.

————————————– Leia a íntegra:
Olá, Naiá! Como você está? O lançamento de “Caetane-se” acabou de chegar e gostaria de saber mais sobre o processo de gravação deste EP. Como foram os momentos em estúdio e como funcionou a escolha das músicas?
Naiá: Os meus momentos em estúdio foram bem loucos, foram muito bons porque no estúdio a gente tem oportunidade de buscar uma interpretação fidedigna, íntegra, com a minha personalidade em cima da canção do Caetano, que já é muito rica. 

A escolha das músicas foi quase impossível porque o Caetano tem uma obra gigantesca. Então se meu parâmetro fosse escolher as músicas de acordo com o nível de obra dele, eu nunca iria terminar. Mas eu fui mais pela empatia, pelo que ele estava dizendo nas letras, eu escutava ele desde criança. Então, o que estava mais orgânico para mim. Foi assim que eu escolhi as seis músicas deste EP.

Cada faixa se relaciona com uma cor. Pode nos explicar mais sobre isso? E como você escolheu as cores para cada música?
Naiá: A primeira música, “Odara”, aconteceu de ser a primeira [faixa] e o primeiro clipe porque foi o primeiro experimento que fiz pra buscar uma identidade musical e que veio essa mistura de eletrônico com percussão com axé com música de tambor. E aí a gente pensou que estamos todos conectados, então todas as cores estão conectadas e a fusão dessas cores todas tem um outro símbolo maior, que é um estado de espírito. Mas a primeira música é a abertura de caminho, então Exú, que é no Candomblé a principal entidade de abertura de caminho, tem essa questão porque “Odara” no Candomblé é “Exú” e é abertura de caminho, que é a cor lilás, que é transformação, transmutação, mudança de fase. É uma nova fase, a fase da Naiá no “Caetane-se”.

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“Tigresa”, que é a coisa do ímpeto, o amarelo, a cor do plexo solar na ioga. Eu não sou muito profunda nisso, mas como já fiz muita dança, tenho alguma informação sobre isso. O nosso plexo solar, que é onde projetamos instinto, e é a coisa da Tigresa, da felina, da mulher, de ser rápida e ágil. 

“Vaca Profana”, que é branco, porque o bem e o mal é aquela questão: você imagina o copo, mas pra cada um, na cabeça de cada um, o copo é de um jeito. E a verdade, e o bem e o mal, também é assim. Cada um tem seu lugar, no seu ponto de vista. “Vaca Profana”, o leite pros caretas, pros bons, pros maus, e o branco é isso. O que é mal pra um, pode ser bom pro outro. 

Azul é a cor da paixão, do sonho, daquela coisa da vontade, do lúdico. Então a música do “Coração Vagabundo” tem essa cor porque é algo relacionado a quando falamos que “tá tudo blue, tudo azul”. O “Coração Vagabundo” tem essa história de… vagabundo [risos], que ele permite que caiba muita gente, de tão grande, e não deixa de ser um pouco vagabundo.

Vermelho é de “Não Enche”, que é a paixão, passional, da ira. E vermelho está ligado quase diretamente a isso. 

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Além dos seus estudos em música, você fez também Artes Cênicas e Economia! Como essas formações influenciam no seu trabalho como cantora atualmente?
Naiá: Eu acho que se eu não tivesse feito Economia, eu já sou muito boba e inocente, eu seria mais ainda. Economia me deu uma visão muito importante pra eu ser a mulher que sou hoje. Porque não deixo de ser uma empreendedora da minha música. A Naiá tá virando cada vez mais isso. Quando você vai fazer alguma coisa, tem que registrar o nome, tem toda essa parte burocrática que, se eu fosse menos lógica e mais sensível, eu ficaria mais perdida ainda. Economia está contribuindo muito com o meu trabalho agora, com prazos, metas, saber onde quero ir, etc. 

E Artes Cênicas faz todo o sentido pra mim porque me vejo muito mais performática do que uma musicista. Acho que hoje em dia a arte está muito borrada, teatro, dança, canto, música, tudo está muito conectado. Não é “ah sou só bailarina” ou “sou só atriz”. A gente performa. E o teatro me deu com certeza essa integração mais viva em mim.

Pretende lançar discos ou EPs autorais? Já está nos planos futuros e pode nos contar sobre?
Naiá: Sim!! Não vejo a hora! Eu amo Caetano, mas ele foi uma ótima oportunidade para eu descobrir mais coisa que eu quero falar. O Caetano já fala por nós, ele fala muita coisa, mas eu também tenho, como cada indivíduo, minhas próprias interpretações e sensações. Eu quero, nas músicas autorais, colocas um pouco mais dessa pessoa. 

Com quem você gostaria de fazer uma colaboração musical no futuro?
Naiá: Com o Caetano! [risos] Com certeza, eu amo ele e é uma inspiração de pessoa, artista, cidadão. Elza Soares, amo ela demais. Falo que sou filha dela. Não pela minha voz, que não tem nada a ver com a dela, mas pela atitude de mulher, sabe? A gente é muito mulher, muito parruda, a gente se coloca, se posiciona, não fica em cima do muro, tem coragem, banca a vida. Ney Matogrosso, nossa, muitas pessoas. Brasil está cheio de talento.

Gostaria de deixar um recado aos leitores da Nação da Música?
Naiá: Galera, vamos tomar conta do nosso planeta! Vamos ser responsáveis! A gente não está só de telespectadores, somos agentes, vivos e estamos encarnados. Então nosso corpo, a terra, é tudo importante. Temos que tomar conta dessas casas que a gente tem. 

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