Falando de livros #25 – Resenha de “A Menina Que Não Sabia Ler”

 

1891. Nova Inglaterra. Em A Menina Que Não Sabia Ler 
conhecemos a jovem Florence, uma garota de 12 anos negligenciada pelo seu tutor e tio que tem como único  hobby a leitura. Por mais que seu tio não permita que ela aprenda a ler, usando como argumento o fato de que mulheres devem, exclusivamente, saber bordar, Florence é uma menina muito teimosa e cheia de iniciativa, que, encantada pela beleza dos livros empoeirados da biblioteca de Blithe, uma distante e escura mansão, decide aprender a ler sozinha. Fazendo perguntas despretenciosas aos funcionários da casa para saber a pronúncia adequada das palavras, ela se familiariza com a leitura e, logo, ela se torna seu refúgio: Florence vai de Poe e Shakespeare a Jane Austen e Dickens.

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A vida de Florence é tranquila. Dividindo seu tempo entre ler às escondidas (os empregados de Blithe não podem saber que ela aprendeu a ler, senão contarão tudo a seu tio) e brincar com seu irmão, Giles, e seu amigo, Theo, Florence passa os dias nas áreas externas da casa, como qualquer criança do século XIX. Tudo está indo bem quando a Srta. Taylor, a nova preceptora, aparece. Ela é má, fria e misteriosa, e Florence não gosta nem um pouco dela. Tem alguma coisa errada em seu jeito de ser… Será que é porque ela lembra muito a Sra. Whitaker, a antiga preceptora que morreu afogada no lago de Blithe?

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Ninguém sabe, mas Florence, dona de uma personalidade bastante forte, cisma com a Srta. Taylor de um modo que ninguém a convence do contrário. A partir daí, o livro engata numa série de acontecimentos sinistros que levam Florence a descobrir que a Srta. Taylor, a quem Giles se apegou muito, tem duas passagens compradas para a Europa. É claro que, para Florence, a preceptora quer sequestrar seu irmãozinho, e a partir disso ela vai fazer de tudo – tudo mesmo – para impedi-la.

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O que eu mais gostei no livro foi a narração em primeira pessoa. Ao contrário dos livros que também são escritos dessa maneira – que eu adoro! – A Menina Que Não Sabia Ler se destaca por ser um texto extremamente intrínseco e íntimo. As reviravoltas na trama só alimentam a mente imaginativa de Florence, que monta os planos mais inusitados para fazer com que Giles não se vá. É tudo tão louco, mas faz tanto sentido na mente de Florence que a gente começa a acreditar nela – e só depois, ao terminar o livro, que a gente se pergunta: será que tudo aquilo era mesmo verdade?

O livro é sombrio. As descrições são tão bem feitas que você se imagina na pele da personagem e sofre só de pensar como seria se você passasse pelo mesmo sufoco. O trecho abaixo comprova o que eu estou falando:

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No início pensei que fosse o vento soprando o galho de uma árvore contra alguma parte de casa, pois era o mesmo som sibilante das folhas raspando em algo. Mas então percebi que o barulho não era fixo, e sim algo em movimento que, além disso, estava vindo na minha direção. Um minuto depois, reconheci o som do farfalhar de saias contra o assoalho. Quem quer que fosse, estava, como eu, sem velas, e mesmo assim era capaz de movimentar-se em um ritmo considerável, de forma que ela – só podia ser de mulher aquele barulho – logo estaria em cima de mim.

A história me lembrou bastante Dom Casmurro por conta do final enigmático. O autor não deixa nada claro; o leitor que se encarrega de fazer todas as interpretações necessárias para compreender o que se passou. Ainda assim o livro é bom, vale a pena ler!

Espero que gostem ;)

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Redação
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