Alice Caymmi
Divulgação

Lançado em 19 de janeiro de 2018, “Alice”, terceiro álbum de estúdio de Alice Caymmi, busca de diversas formas comprovar algo: ela é neta sim de Dorival Caymmi e herdou dos pais e dele a música, mas, como a própria capa mostra, ela quer demonstrar que sua arte e talento independem do sobrenome.

A espera acabou! "Alice", meu novo disco, já está disponível em todas as plataformas digitais! Ouça no link da bio! ?? @umusicbrasil . É um disco feito essencialmente por mulheres, e uma parceria com a Barbara Ohana, uma mulher que conheci esse ano e que no exato momento em que a gente se conheceu decidimos que iamos trabalhar juntas. Ela é uma pessoa muito importante pra mim porque ela chegou em um momento em que eu precisava muito de uma parceria artística sólida e de uma pessoa disposta a fazer um mergulho artístico importante comigo, pra que pudesse sair um produto desse tamanho. A nossa pesquisa juntas, de linguagem pop, R&B, de música popular daqui e lá de fora, todo esse mergulho resultou em canções e arranjos que tem um objetivo em comum: a construção dessa identidade e do não mais tão personagem meu, e sim, uma identidade do que eu sou de verdade. . O disco chama “Alice” porque é o que diz respeito a minha verdade mais pura, e aquilo que antecede tudo o que vem. Seja com meu nome e sobrenome, ou qualquer historia da familia, e qualquer coisa que minha existência venha acarretar. É como se ele fosse a minha essência mesmo. As coisas que eu mais gosto e mais quero dizer. . Quero deixar muito claro pra todas as mulheres: as pessoas vão tentar te amarrar. As pessoas vão tentar fazer gaslighting. Vão tentar te diminuir. Vão tentar acabar com você. Tentar acabar com a sua voz. Tentar acabar com a sua carreira. Com tudo o que você tem pra dizer, mas você é maior do que isso. Eu sou maior do que isso. Nós todas somos maiores do que isso. Por mais que o mercado seja horrível e opressor, e muitas pessoas desvalorizem mulheres desse tamanho, nós não vamos morrer, nem muito menos parar de produzir. “Alice” é reviravolta e renascimento. A gente ainda tá aí e vai fazer muito barulho! Beijos, Alice. #AC3

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Apesar da independência, Alice tem nos instrumentais e produções a ajuda do pai Danilo Caymmi. Isso já pode ser ouvido logo no início do trabalho, na primeira das 9 faixas: “Spiritual”. Com ajuda de coros, a forte voz da cantora expressa emoção gritante ao repetir “eu não estou ficando louca, eu já estou ficando louca”. É também a primeira que trata da temática da opressão à mulher.

“A Estação” tem um começo mais tranquilo com um piano. A voz de Alice Caymmi chama a atenção mais uma vez, em alguns momentos até soando lírica. A canção é uma mistura com os sons mais eletrônicos e os instrumentais e coros. Os sintetizadores ganham força em “What’s My Name (Oduduá)”, que é cantada em inglês, mas leva o nome de um orixá, divindade das religiões de matrizes africanas. Uma característica bem forte da faixa é o baixo, que comanda a música e acompanha a melodia.

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“Vin” é a primeira com uma cara mais mainstream e com potencial dançante para festas, lembrando misturas parecidas com as que Pabllo Vittar faz. A drag inclusive colabora com Alice no disco, mas antes dela, Alice canta com Rincon Sapiência em “Inimigos”. A faixa fala sobre conquistas pessoais e é construída de forma bem legal, principalmente o refrão, que complementa muito bem a parte do rapper.

“Inocente” é mais uma que fala sobre uma superação amorosa e ela acalma o ritmo de “Alice”, apesar de ser muito intensa na voz da cantora. Os improvisos vocais são destaque também, com a impressão de que até um beat box é feito. “Agora” é puxada por um piano que chega a ser sombrio de tão triste, características encontradas também na interpretação de Caymmi, deixando a faixa com um tom bem clássico da música brasileira. O tom é reafirmado com um violoncelo mais para o fim.

A penúltima canção é “Sozinha”, que abre mais uma vez o espaço da EDM no som de Alice. A letra é também de força para as mulheres, até mesmo na solidão. “Dona do meu destino, eu sigo meu caminho, eu sou sozinha sim, eu mesma faço um par comigo”, canta ela.

Para encerrar, o feat com Pabllo Vittar é “Eu Te Avisei”, que escancara totalmente o eletrônico influente na música de Caymmi. A mistura de vozes é incrivelmente boa e complementar, e o “drop” do refrão é atraente.

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“Alice” é um ótimo álbum de reafirmação em diversos sentidos. Primeiramente, no pessoal e artístico de Alice Caymmi, que exalta o sobrenome, mas prova que não é só isso. Ele é também uma concretização de força para as mulheres em relacionamentos amorosos e segurança em si mesma.

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