Com influências do samba, música clássica nas passagens instrumentais entre as faixas, que embalam as questões políticas e da vida em geral, como o amor e a fé, Rubel compartilhou com o mundo na sexta-feira (02) seu novo álbum “Casas”.

O sucessor de “Pearl”, lançado em 2015, conta com 14 faixas, entre elas as previamente divulgadas “Colégio”, “Chiste”, gravada em colaboração com Rincon Sapiência e “Mantra”, que ganhou uma nova versão com participação de Emicida.

Rubel mostra amadurecimento musical e um pouco mais do seu potencial artístico ao se lançar em vários estilos musicais, como samba, rap e a eletrônica. Assim, o disco mistura melodias que te remetem a um ambiente que te traz paz, mas que também ajuda a refletir sobre toda a confusão interior e exterior que existe.

O álbum parece se dividir em ambientações, exatamente como o lugar do qual carrega o nome. Assim, “Intro”, “Colégio” – que ele já havia revelado ser “meio autobiográfica, meio inventada sobre o que eu vivi e vi na época da escola. Uma tentativa de retratar o período do Ensino Médio, quando a gente está descobrindo quem é e quem quer ser” e “Cachorro” tem melodias bastante parecidas e merecem ser ouvidas na sequência, sem deixar o modo aleatório ativado ou perdem um pouco do seu brilho.

“Batuque” faz a transição perfeita para o início de “Casquinha”, onde Rubel muda bastante o rumo do disco, introduzindo melodias que remetem ao samba e com uma letra que transmite amor e paz ao ouvinte, além de uma alegria serena que dá uma vontade boa de sair dançando pelo resto da vida.

De acordo com o Dicionário inFormal, a palavra ‘mantra’ indica pode ser qualquer som, sílaba, palavra, frase ou texto, que contenha um poder específico, usado durante a meditação” e é exatamente isso que a letra da faixa de mesmo nome quer passar, especialmente quando o cantor reitera a frase “não me deixa esquecer que a gente não precisa de nada, nada” ao longo de toda a música. Essa é a faixa mais espiritual desse trabalho, onde existem menções a fé e ao Universo.

“Passagem” traz trechos com depoimentos do curta-documentário de mesmo nome, roteirizado e dirigido por Rubel, que tem o objetivo de compreender o ensino das instituições privadas do Rio de Janeiro e também aborda temas como as relações sociais e de amizade entre os jovens, suas ambições e projeções para o futuro.

Em “Explodir”, o narrador parece expressar sua vontade de não abandonar seu grande amor e declara que está disposto a tudo porque “o mundo que é só nosso, já valeu”.

“Sapato” exprime a ideia de que a gente tá sempre querendo viver intensamente, se entregando, se aventurando, mas de vez quando somos surpreendidos pela vida e continua levando, pra no final se dar conta que em meio a toda loucura a gente “só quer mesmo um bom par de sapato”, aquele que cabe perfeita e confortavelmente.

“Chiste”, também de acordo com o inFormal, denota “algo visto por um ângulo alegre ou piada” e é exatamente isso que Rubel e Rincon passam na faixa. Há uma crítica política em um dos versos, fazendo uma analogia com o fato de que chorar é tão necessário quanto rir.

“Fogueira” é a faixa onde o álbum volta a ‘conversar’, fazendo introdução para o que eu particularmente acredito ser a sucessora de “Quando Bate Aquela Saudade”, pois é uma das faixas mais lindas que já ouvi – assim como a previamente citada. Em “Partilhar”, o narrador deixa claro todas as suas intenções para a pessoa amada e o quanto ele sabe que todas as palavras não significam nada a menos que ele tenha atos que vão de encontro com elas. Mas ele crê que o amor deles pode resgatar a fé que ela (ou ele) perdeu na humanidade e por isso “por favor, me dá uma chance de viver”.

Depois de todas as viagens entre o mundo do samba, rap e batidas eletrônicas, “Casas” se despede na simplicidade harmônica de “Santana” com mais beats e declarando que “o que se viu ficou pra trás”, mas a gente com certeza nunca mais vai conseguir ser os mesmos depois de ouvir esse álbum de coração aberto.

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