George Ezra
Foto: Rafael Strabelli / Nação da Música.

A 22° edição do Festival da Cultura Inglesa prometeu e trouxe. Compondo um line up com IZA e George Ezra no Memorial da América Latina, em São Paulo, o evento conseguiu apresentar a diversidade cultural com o pop dançante da carioca e o indie folk do britânico. Além de ter contado com uma banda cover na abertura, o Madame Groove, responsável por tocar singles como Miss You de Rolling Stones e por abrir a noite desse domingo (10) com “Freedom 90”, de George Michael.

As grandes atrações do evento deram o que falar: IZA, que entrou as 17h45, já chegou agitando o público com sua música “Te Pegar”, trazendo consigo outros quatro dançarinos de deixar qualquer um de queixo caído. A equipe mostrava tanta alegria com as apresentações que, pelo jeito, acabou passando essa energia para o público. A plateia estava lado a lado com as canções e com a vibe trazida pela carioca.

Mantendo sempre um contato próximo ao público, IZA se destacou pela potência vocal, coreografia, estilo, humildade e simpatia. A cantora não parava por um segundo e sempre – sempre! – mostrava um vozeirão de arrepiar. No caso, os arrepios eram transformados em passos de dança, fazendo com que seus fãs aproveitassem o máximo do show.

Ainda por cima, ela tocou duas vezes o sucesso de “Pesadão”, música que conta com a participação do Falcão, vocalista de “O Rappa”, e manteve a pose com outros hits como “Ginga”. Para acrescentar, IZA confessou à galera paulista: “Eu sou do Rio de Janeiro, mas (também) me sinto em casa aqui. Vocês me representam!”

Além disso, outra situação marcante foi quando ela chamou quatro meninas ao palco para cantarem juntas “New Rules”, hit de Dua Lipa. Inclusive, a cantora também deixou sua marca registrada ao fazer covers de Jessie J, “Price Tag”, e cantar a versão de Pabllo Vittar de “Lean On”, da Major Lazer, chamada “Open Bar”.

Iza
Foto: Rafael Strabelli / Nação da Música.

Saindo com muito estilo ao som de “Pesadão”, a cantora entregou mesmo um som de uma qualidade pesada! Mas, ainda, abrindo portas para o gringo da noite: George Ezra.

O tão esperado cantor britânico, também conhecido pelo seu vozeirão forte e grave, não traria um show agitado como o de IZA, afinal, eles não têm o mesmo estilo musical. Porém, cativou seus fãs da mesma forma. Demonstrando muita alegria – contida – e esbanjando sorrisos, brilho nos olhos e simpatia, George Ezra concluiu a noite do Festival e fez o coração de muitos fãs na sua primeira passagem pelo Brasil.

A abertura de seu show rolou com “Cassy O’”, uma das músicas de seu primeiro álbum, “Wanted on Voyage”, cuja composição aconteceu durante sua viagem pela Europa. Logo em seguida, Ezra apresentou “Get Away”, de seu segundo trabalho, “Staying At Tamara’s”. Inclusive, seu último projeto também foi criado durante uma viagem: o britânico alugou um quarto na casa de uma estranha em Barcelona, cidade espanhola, e para fechar com grande estilo suas primeiras canções da apresentação, ele tocou sua música de mesmo nome da cidade, “Barcelona”.

Estes não foram os únicos hits apresentados pelo cantor. Conduzindo a plateia com muito entusiasmo, George fazia questão de explicar o significado por trás de diversas músicas: “Eu estava viajando pelo leste norte-americano e de repente, veio essa canção na minha cabeça. Gravei uma parte no meu celular e depois, esqueci dela. Depois, quando cheguei em casa, escrevi ‘Paradise’”. Foi assim que Ezra deu entrada para a apresentação do segundo single do seu novo álbum – e a plateia fez questão de cantar junto!

Outras explicações dadas pelo artista sobre a forma que compõe suas músicas também fizeram parte da noite: “Nessas viagens, eu levo um caderninho e um violão, mas não escrevo as músicas quando estou viajando. (…) quando chego em casa, escrevo as canções. Então, teve esse dia em que eu estava sentado num banco assistindo as pessoas irem e voltarem, foi a hora em que percebi que nenhum de nós sabe o que está fazendo da vida, só estamos dando o nosso melhor e está tudo bem. Me ajudou a relaxar muito quando me dei conta disso! Fiquei inspirado por isso e acabei escrevendo ‘Pretty Shinning People’”.

As conversas que George teve com seu público foi uma característica marcante de seu show. Falando com um inglês britânico pausado, sotaque marcante e um sorriso no rosto, parecia que éramos amigos escutando histórias de outros amigos.

Nesse contexto, apresentações como “Listen To The Man”, “Shotgun” e “Leave It Up To You” também marcaram o show do cantor. Outro momento especial foi quando Ezra convidou Bosco, pai de seu baterista brasileiro Fabio de Oliveira, para tocar junto a eles em frente a 20 mil pessoas, segundo o que o próprio George contou em suas redes sociais.  “Hold My Girl”, “Song 6” e “Don’t Matter Now” foram outras músicas que compuseram a noite, sendo acompanhadas pelas vozes calorosas dos fãs que deixaram a feição do artista repleta de alegria.

O britânico, que vestia camisa e calça preta, fez uma pausa antes de dar início a sua grande finale. Sejamos sinceros, alguns fãs ficaram assustados com esse intervalo, afinal, o maior hit do cantor não tinha sido apresentado.

Mas ele voltou! Foi só uma pausa clássica. E voltou renovado: a camisa preta deu lugar para nada mais, nada menos do que a camisa da Seleção Brasileira de Futebol com o nome “Ezra” na parte de trás. Para fazer qualquer fã gritar mesmo! Após cantar junto com o público outro de seus hits, “Blame it on me”, George apresentou a sua maior composição até então: “Budapest”!

A canção foi cantada da cabeça aos pés pela plateia que lá se encontrava, a tal ponto que chegou a parecer que George não queria sair do palco. Assim, para alegria dos fãs, o cantor fazia gestos pedindo para cantarem mais alto, já que ele decidiu – deu a entender que essa parte foi até improvisada – repetir a segunda parte de “Budapest” antes de se despedir do público brasileiro.

No final das contas, George Ezra é um cantor e viajante, que transmite tranquilidade e cultura ao público através de suas composições, como se as pessoas fossem suas conhecidas e estivessem sentadas no bar trocando histórias de vida com o britânico. Ou até mesmo, um professor que já conheceu muito do mundo e quer apresentá-lo para seus alunos.

Enquanto George Ezra trouxe consigo o violão e sua banda, o show de IZA apresentou um DJ e quatro dançarinos, ambos unidos pela simpatia e atenção com a galera. Assim, não tem como negar que o 22° Festival da Cultura Inglesa trouxe, sim, uma mescla de estilos e diversidade cultural – tão abordada atualmente – para os solos paulistanos.

Resenha feita por Gabriela Piva

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NM