Resenha: “How Did We Get So Dark?” – Royal Blood (2017)

O segundo álbum de uma banda carrega muitas responsabilidades. Ele, teoricamente, precisa ser melhor do que o disco de estreia, mas ainda assim manter a identidade que atraiu os fãs ao trabalho do grupo. Os ingleses da Royal Blood divulgaram “How Did We Get So Dark?” no dia 16 de junho, carregando nas costas essa responsabilidade de não decepcionar.

“How Did We Get So Dark?” é menos pesado, em questão de instrumentos, do que seu antecessor, “Royal Blood” (2014), mas tem uma vibe mais sombria em suas faixas, como já diz o próprio título. As influências da dupla, formada por Mike Kerr e Ben Thatcher, são bem claras e transparentes, e podemos ouvir tons de Muse, Arctic Monkeys e Jack White nas músicas. Mas ao contrário do primeiro disco, neste eu senti que Royal Blood soube usar muito melhor essas inspirações e buscou sua identidade própria na tracklist, composta por 10 faixas.

Quem abre o disco, com muita energia, é “How Did We Get So Dark?”. Por ser também a faixa-título, ela tem a responsabilidade de nos mostrar o que ouviremos nas próximas e acredito que ela consegue cumprir bem o objetivo. “Lights Out”, primeiro single do trabalho, foi a responsável pela minha descoberta de que os sons que eu acreditava serem de guitarras, na verdade são do baixo de Kerr. Como eu não era tão familiar com Royal Blood, confesso que fiquei bem impressionada com a descoberta e sinto que este fato é um dos grandes diferenciais da dupla, algo que mudou substancialmente minha visão sobre eles.

Uma das minhas favoritas, a terceira faixa é a “I Only Lie When I Love You”, que também virou single. Meus destaques nesta música vão para a bateria, muito contagiante, e o refrão, que ao usar praticamente um trava-línguas, acaba grudando na cabeça. “She’s Creeping” usa e abusa das distorções e os vocais de Kerr nesta música me lembraram muito de Alex Turner, do Arctic Monkeys. O cantor arrisca alguns falsetes, na medida certa, e acerta.

Ainda com uma vibe do Arctic Monkeys, temos “Look Like You Now”, uma faixa muito energética e onde os integrantes pesam mais nos instrumentos. “Where Are You Now?” foi escrita para a trilha sonora da série da HBO “Vinyl”, de 2016, e traz o ar da série, que é ambientada nos anos 70 e fala sobre o cenário musical da época. O baixo de Kerr entre os versos chega a arrepiar e fica clara a evolução dele entre um disco e outro.

Em “Don’t Tell”, o ritmo enérgico cai um pouco e ficamos com uma faixa melancólica e, se um dia for single, já consigo imaginar um videoclipe bem psicodélico para ela. “Hook, Line & Sinker” destoa um pouco do resto das músicas nos seus versos ritmados, mas traz novamente alguns falsetes de Mike. Antes que você perceba, você já está na nona e penúltima faixa, “Hole In Your Heart”, que possui refrões que estouram nos nossos ouvidos e que com certeza será uma música incrível de se ouvir ao vivo. Para finalizar, “Sleep” vem como a mais diferente de todas as 10 músicas e fecha o álbum com gostinho de “quero mais”.

Como segundo disco, “How Did We Get So Dark?” cumpre o papel de evolução dos artistas e consegue trazer mais identidade e força nas suas músicas. O trabalho todo está coeso, consistente e Mike Kerr e Ben Thatcher se mostram muito seguros com o que estão apresentando aqui.

O que continua a impressionar desde o álbum de 2014 é o fato de que Royal Blood possui apenas dois integrantes que, com muita sintonia, conseguem transparecer a impressão de que a banda na verdade possui bem mais do que isso.

Tracklist:

01. How Did We Get So Dark?
02. Lights Out
03. I Only Lie When I Love You
04. She’s Creeping
05. Look Like You Now
06. Where Are You Now?
07. Don’t Tell
08. Hook, Line & Sinker
09. Hole In Your Heart
10. Sleep

Nota: 9

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Marina Moia
Jornalista, bauruense de coração e apaixonada por música desde que se conhece por gente. Viciada em séries, amante de livros e colecionadora de batons coloridos.

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