Resenha: “how i’m feeling now” – Charli XCX

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charli xcx
Foto: Timothy Luke

No cenário atual caótico, em que cada vez mais se busca abrigo no que quer que seja reconfortante, Charli XCX encontrou a oportunidade de conectar ainda mais sua música aos fãs que a acompanham fielmente, utilizando criativamente seu período em isolamento social.

O lançamento de “how i’m feeling now” foi inovador em diversos pontos: inteiramente criado e pensado pela cantora durante a quarentena, contou com a produção de G. Cook e BJ Burton, além dela mesma. O projeto conta com 11 faixas que propõe uma reflexão sobre o momento em que estamos vivendo.

A primeira canção é “pink diamond“, que é precisa ao mostrar o estilo de produção pelo qual a intérprete optou: como se fosse uma situação de tudo ou nada, Charli XCX vai 100% pelo tudo. Enérgica, ela é essencialmente repetitiva e portanto rápida, um movimento inteligente para que não se tornasse enjoativa.

Os sintetizadores são quase uma marca pessoal da cantora, não é necessário apontá-los em cada canção em que estão presentes, como é o caso de “forever“. Com elementos sonoros que se assemelham a videogames, o eu-lírico aborda o amor e toda as suas possíveis complicações em versos direcionados ao seu companheiro.

Produzida por Dylan Brady, do 100 gecs, “claws” foi o segundo single do projeto a ser divulgado. Iniciando aqui uma parceria e tanto com seus fãs no que dizia respeito ao disco, Charli deu a eles o poder de escolher o nome da canção. Simplista e sem rodeios, é uma declaração de amor (I like everything about you).

Um trap eletrônico que se assemelha mais ao pop comercial, é assim que “7 years” pode ser descrita. Explorando cada vez mais camadas de sua vida pessoal, a cantora trata sobre o redescobrimento de uma boa relação, causada pelo período de proximidade extrema (ou como melhor conhecemos, a quarentena).

As relações humanas e românticas no geral são abordadas de maneiras diferentes, o que transforma toda a experiência bem real e nos faz entender um pouco do que acontece internamente com Charli. Íntima e sincera, “detonate” é sensível e minimalista, revelando uma insegurança bem comum a todos nós.

enemy” foi baseada no ditado “mantenha seus amigos perto e seus inimigos mais perto ainda” e adaptada para a vida pessoal da cantora, que segundo ela mesma também usou um pouco de fantasia. E não é que a narrativa funcionou super bem? Na sonoridade ela atua como um soft pop com uns toques de eletrônica.

Produzida por Palmistry, “i finally understand” brinca bastante com sintetizadores e possui aquela técnica bem interessante: o ritmo não entrega o que a letra passa, que na verdade é um desabafo, uma conversa sincera sobre o que vem se passando em seus pensamentos. Uma reflexão de sua própria vida.

No disco sobra espaço também para uma referência a “Charli”, lançado em 2019. A chamada “c2.0” é uma versão atualizada de “Click”, presente no disco anterior. A sensação de ter se afastado de seus amigos e de estar entediado o tempo todo durante o período de isolamento social é abordada na faixa, que funciona mesmo como um remix da original.

Uma das mais antigas do projeto é “party 4 u“, que já havia sido tocada em alguns eventos em 2017. Os fãs estavam bem ansiosos para que ela integrasse algum álbum e o momento certo chegou agora. O cômico é que mesmo não tendo sido composta atualmente, se encaixa perfeitamente na temática ao incitar que uma festa foi feita para alguém que não comparecerá.

O melhor não necessariamente fica para o final, mas chegamos a um ponto alto em “anthem“. É um assunto que a cantora costuma abordar, mas parece ter um gás a mais e concentra toda a sua energia em trechos que soam mesmo como um hino das festas. Sintetizadores reforçam um refrão divertido e tornam tudo mais dançante.

Em entrevista a Apple Music, Charli fala sobre o processo de encerramento de um disco, tarefa importante para o artista. Segundo ela, neste processo em específico, fugiu do óbvio e fechou o trabalho com algo que não soasse tão tradicional. É assim com “visions“, que é dançante ao melhor estilo anos 2000 e sem grandes exageros.

Em “how i’m feeling now”, Charli XCX não se leva muito a serio mas mostra amadurecimento comparada a seus lançamentos anteriores. Os vocais continuam carregados de efeitos mas a visão transmitida em suas letras soa como a de alguém que se vê de fora e faz uma análise profunda sobre seu atual estado de espírito. Seu conjunto de produtores atuam bem e parecem ter encontrado um espaço perfeito entre a evolução do som sem se separar completamente do que a consagrou como um dos nomes promissores da cena britânica em primeiro lugar.

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