Resenha: “How To Be A Human Being” (2016) – Glass Animals

Ainda no clima de Lollapalooza, me lembro bem de como me apressei pra não chegar tão atrasado no primeiro dia do festival para conseguir assistir o show do Glass Animals. Os britânicos vêm chamando minha atenção já ha bastante tempo e tenho que admitir que a apresentação foi o que faltava para me apaixonar por completo pela banda. A expectativa que eu criei foi concretizada ao vivo e me fez olhar de forma mais profunda para o conceito de “How To Be A Human Being” – segundo álbum do grupo.

Lançado no meio do ano passado, o disco me impressionou de primeira ao apresentar uma história diferente em cada faixa (usando um personagem distinto para cada uma delas). Mais do que apenas contar histórias (fictícias ou reais, quem vai saber), o disco também serve como dura crítica social ao nosso atual universo. Essa ideia foi unida ao som indie meio psicodélico que abusa de batidas e batuques, criando o melhor trabalho do Glass Animals.

A excentricidade já começa de primeira com “Life Itself” (abertura do show e da divulgação do disco). Os tambores preparam um som inconfundível e contagiante, banhada com muito ego e ironia na letra, envolvendo de forma que a banda demonstrou dominar muito recentemente. Sem deixar a energia cair, “Youth” vai no embalo e fica claro o motivo de ser uma das favoritas do público. A voz suave e confiante de Dave Bayley se encaixa no instrumental envolvente nos altos e baixos da canção.

Na sequência, somos apresentados ao próximo personagem em “Season 2 Episode 3”, diminuindo um pouco a pegada das anteriores, utilizando elementos de filmes e jogos antigos que representam muito bem o clima da canção. “Pork Soda” também começa com transmissões antigas e incomuns elementos sonoros, explorando um outro lado da voz de Bayley, enquanto a música cresce de forma quase caótica.

Os títulos das músicas deste álbum são baseadas em filmes, livros ou álbuns antigos, e “Mama’s Gun” não é exceção, com sons e melodias bastante misteriosos que explodem no final após alguns sussurros do vocalista. Também bastante enigmática, “Cane Shuga” repete a mesma letra com um vocal robótico e bastante rápido, fazendo referências a várias personalidades clássicas.

Após a bizarra interlude “[Premade Sandwiches]”, chega uma das minhas favoritas. “The Other Side Of Paradise” interpreta a personagem mais intrigante na minha opinião, contando uma história interessante que ganha mais destaque pelo surpreendente instrumental – que ao vivo fica simplesmente sensacional. Bastante oposta, “Take A Slice” se destaca pelo som da guitarra, intercalados com um instrumental que soa quase hipnótico, baseado em letras simples que conceituam todo o álbum.

A sequência das duas últimas começa com “Poplar St”, que dá mais enfoque aos instrumentos tradicionais que os experimentos eletrônicos (maioria até aqui), desta vez tendendo para um lado mais obscuro. O grand-finale fica por conta de “Agnes”, adotando uma melodia bastante otimista, sugerindo um momento de clareza e serenidade em meio a toda confusão que resume nosso dia-a-dia, coroando de forma linda o disco – que pessoalmente, acho que todo mundo deveria ouvir.

Leia nossa entrevista com o Glass Animals aqui.

Tracklist:

01. Life Itself
02. Youth
03. Season 2 Episode 3
04. Pork Soda
05. Mama’s Gun
06. Cane Shuga
07. [Premade Sandwiches]
08. The Other Side Of Paradise
09. Take A Slice
10. Poplar St
11. Agnes

Nota: 9

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