Resenha: “I Still Do” (2016) – Eric Clapton

eric.claptonJá na casa dos 70 anos, Eric Clapton trouxe de volta todo seu gingado e seu blues em “I Still Do”, lembrando a todos o motivo de ser chamado de slowhand. Em uma mistura de gravações inéditas e covers de grandes clássicos, o veterano surpreende e deixa muitos novatos de boca aberta.

Para esse trabalho, Clapton renovou a parceria com Glyn Johns, responsável pelos bem-sucedidos “Backless” (1978) e “Slowhand” (1977) – que completa 40 anos de lançamento em 2017. Juntos, eles criam um som bastante refinado e maduro, possível por uma bagagem de mais de 50 anos de estrada, perfeito encontro entre o clássico e o contemporâneo.

O álbum segue uma linear que é elevada em diversos pontos, sendo os dotes de guitarrista de Clapton o maior responsável pelo feito, afinal, não é a toa que o músico é constantemente eleito como um dos melhores guitarristas de todos os tempos e foi induzidos três vezes (sim, TRÊS vezes) ao Rock and Roll Hall of Fame.

Logo no comecinho, nos deparamos com “Alabama Woman Blues”, uma mistura perfeita de guitarra, piano e gaita, criando uma melodia grandiosa que nos transporta diretamente para os bares dos anos 30, cenário que inspirou Leroy Carr a compor a canção em 1930, e mesmo dando uma nova roupagem, a versão de Clapton honra sua identidade. A original “Can’t Let You Do It To Me” mantém o padrão da primeira, entregando um blues divertido completo por vocais femininos.

Um grande buzz se formou em volta de “I Will Be There”, que tem a participação de Angelo Mysterioso. Sem a real identidade da parceria revelada, muitos acreditavam que se tratava do falecido George Harrison, com seu vocal recuperado através da tecnologia. Os rumores foram negados por Clapton, amigo e antigo colaborador de Harrison – na primeira vez que trabalharam juntos, o Beatle usou o codinome “L’Angelo Misterioso” para gravar com o Cream (banda de Clapton) na década de 60, o que gerou os rumores.

Dhani Harrison (filho de George) foi então apontado como o feat. misterioso, mas todos os representantes negaram uma resposta. De qualquer forma, a canção segue uma melodia mais calma, com violões acústicos e vocais suaves, em um ritmo gostoso e tranquilo. Examinando, talvez Ed Sheeran seja Angelo Mysterioso. Veja a apresentação do duo ao vivo, compare com a versão de estúdio e tire suas próprias conclusões.

Prosseguindo, Eric faz uma auto-reflexão sobre sua vida e sua carreira em “Spiral”, imprimindo sua identidade com guitarra marcante e voz rasgada, tal como no começo da carreira. Mais melódico e romântico, “Catch The Blues” desacelera e traz grande feminilidade nos vocais de apoio, responsável pelo groove da canção.

De volta ao lamento do blues, os instrumentos crus e tradicionais da clássica “Cypress Grove” de Skip James é reinventada na visão de Clapton, graças ao recursos dos dias atuais. Seguindo a sessão de covers, somos apresentados a acústica “Little Man, You’ve Had a Busy Day” de Elsie Carlisle (que ganha pontos pela sua simplicidade), com “Stones in My Passway” (de Robert Johnson) na sequência, destoando da anterior devido ao grande número de arranjos e melodia instável.

A gaita no cover de “I Dreamed I Saw St. Augustine” traz um clima belo e até solitário a canção, que emociona com o solo de guitarra. A versão original foi lançada por Bob Dylan em 1967, e a nova canção com certeza agradaria o cantor. Neste ponto do álbum, já ficou claro que os covers são seu ponto alto, mas as originais não desapontam. Em “I’ll Be Alright”, Clapton mostra seu lado vulnerável e sozinho, reforçados pelo triste instrumental e o coro no final da canção.

Já perto do fim do álbum, somos apresentados a “Somebody’s Knockin'”, que ganha agora uma versão de estúdio. A música soma no extenso repertório do músico, evidenciando seu talento e flexibilidade, que impressiona com o domínio da guitarra. A despedida de “I’ll Be Seing You” (original de Billie Holiday) fecha “I Still Do” , cumprindo sua missão de firmar a relevância de Clapton na indústria, relembrando grandes momentos da música ao lado do ar de frescor proposto por ele, trazendo até nós um antigo gênero que nos impressiona até hoje.

Tracklist:
01. Alabama Woman Blues
02. Can’t Let You Down
03. I Will Be There
04. Spiral
05. Catch The Blues
06. Cypress Grove
07. Little Man, You’ve Had A Busy Day
08. Stones In My Passway
09. I Dreamed I Saw St. Augustine
10. I’ll Be Alright
11. Somebody’s Knockin’
12. I’ll Be Seing You

Nota: 8

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