eric.claptonJá na casa dos 70 anos, Eric Clapton trouxe de volta todo seu gingado e seu blues em “I Still Do”, lembrando a todos o motivo de ser chamado de slowhand. Em uma mistura de gravações inéditas e covers de grandes clássicos, o veterano surpreende e deixa muitos novatos de boca aberta.

Para esse trabalho, Clapton renovou a parceria com Glyn Johns, responsável pelos bem-sucedidos “Backless” (1978) e “Slowhand” (1977) – que completa 40 anos de lançamento em 2017. Juntos, eles criam um som bastante refinado e maduro, possível por uma bagagem de mais de 50 anos de estrada, perfeito encontro entre o clássico e o contemporâneo.

O álbum segue uma linear que é elevada em diversos pontos, sendo os dotes de guitarrista de Clapton o maior responsável pelo feito, afinal, não é a toa que o músico é constantemente eleito como um dos melhores guitarristas de todos os tempos e foi induzidos três vezes (sim, TRÊS vezes) ao Rock and Roll Hall of Fame.

Logo no comecinho, nos deparamos com “Alabama Woman Blues”, uma mistura perfeita de guitarra, piano e gaita, criando uma melodia grandiosa que nos transporta diretamente para os bares dos anos 30, cenário que inspirou Leroy Carr a compor a canção em 1930, e mesmo dando uma nova roupagem, a versão de Clapton honra sua identidade. A original “Can’t Let You Do It To Me” mantém o padrão da primeira, entregando um blues divertido completo por vocais femininos.

Um grande buzz se formou em volta de “I Will Be There”, que tem a participação de Angelo Mysterioso. Sem a real identidade da parceria revelada, muitos acreditavam que se tratava do falecido George Harrison, com seu vocal recuperado através da tecnologia. Os rumores foram negados por Clapton, amigo e antigo colaborador de Harrison – na primeira vez que trabalharam juntos, o Beatle usou o codinome “L’Angelo Misterioso” para gravar com o Cream (banda de Clapton) na década de 60, o que gerou os rumores.

Dhani Harrison (filho de George) foi então apontado como o feat. misterioso, mas todos os representantes negaram uma resposta. De qualquer forma, a canção segue uma melodia mais calma, com violões acústicos e vocais suaves, em um ritmo gostoso e tranquilo. Examinando, talvez Ed Sheeran seja Angelo Mysterioso. Veja a apresentação do duo ao vivo, compare com a versão de estúdio e tire suas próprias conclusões.

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Prosseguindo, Eric faz uma auto-reflexão sobre sua vida e sua carreira em “Spiral”, imprimindo sua identidade com guitarra marcante e voz rasgada, tal como no começo da carreira. Mais melódico e romântico, “Catch The Blues” desacelera e traz grande feminilidade nos vocais de apoio, responsável pelo groove da canção.

De volta ao lamento do blues, os instrumentos crus e tradicionais da clássica “Cypress Grove” de Skip James é reinventada na visão de Clapton, graças ao recursos dos dias atuais. Seguindo a sessão de covers, somos apresentados a acústica “Little Man, You’ve Had a Busy Day” de Elsie Carlisle (que ganha pontos pela sua simplicidade), com “Stones in My Passway” (de Robert Johnson) na sequência, destoando da anterior devido ao grande número de arranjos e melodia instável.

A gaita no cover de “I Dreamed I Saw St. Augustine” traz um clima belo e até solitário a canção, que emociona com o solo de guitarra. A versão original foi lançada por Bob Dylan em 1967, e a nova canção com certeza agradaria o cantor. Neste ponto do álbum, já ficou claro que os covers são seu ponto alto, mas as originais não desapontam. Em “I’ll Be Alright”, Clapton mostra seu lado vulnerável e sozinho, reforçados pelo triste instrumental e o coro no final da canção.

Já perto do fim do álbum, somos apresentados a “Somebody’s Knockin'”, que ganha agora uma versão de estúdio. A música soma no extenso repertório do músico, evidenciando seu talento e flexibilidade, que impressiona com o domínio da guitarra. A despedida de “I’ll Be Seing You” (original de Billie Holiday) fecha “I Still Do” , cumprindo sua missão de firmar a relevância de Clapton na indústria, relembrando grandes momentos da música ao lado do ar de frescor proposto por ele, trazendo até nós um antigo gênero que nos impressiona até hoje.

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Tracklist:
01. Alabama Woman Blues
02. Can’t Let You Down
03. I Will Be There
04. Spiral
05. Catch The Blues
06. Cypress Grove
07. Little Man, You’ve Had A Busy Day
08. Stones In My Passway
09. I Dreamed I Saw St. Augustine
10. I’ll Be Alright
11. Somebody’s Knockin’
12. I’ll Be Seing You

Nota: 8

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