Resenha: “Lovely Little Lonely” (2017) – The Maine

O ano de 2017 tem tudo para ser um período muito marcante para a banda estadunidense The Maine. Em janeiro, eles comemoraram os 10 anos de existência em grande estilo no festival 8123 Fest, em Phoenix, Arizona, onde reuniram amigos, bandas e fãs num mesmo local. E agora chegou a hora do aguardado sexto álbum da carreira, “Lovely Little Lonely”.

Como de costume, a gravação do trabalho foi feita num lugar isolado, desta vez em Gualala, Califórnia, e a produção foi realizada novamente por Colby Wedgeworth, que também participou de “American Candy”, de 2015. Todo o processo foi documentado na mini-série “Miserable Youth”, ao longo de nove episódios, e o resultado final poderá ser conferido por todo o público nesta sexta-feira (07), em “Lovely Little Lonely”, um disco de 12 faixas que mostra novamente a evolução musical do grupo americano.

Já vou começar esta parte da resenha avisando que “Lovely Little Lonely” é um álbum para ser ouvido de “cabo a rabo”, ou seja, comece pelo começo e não pule as músicas, assim você terá a experiência completa de continuidade que senti ao ouvir pela primeira vez. A faixa que abre o disco é “Don’t Come Down” e, assim como nos anteriores, The Maine já começa com as expectativas altas e um som marcante na abertura do trabalho, daquele tipo que nos empolga simplesmente com as batidas.

Em seguida, vem “Bad Behavior”, que já foi divulgada como primeiro single em janeiro, ganhou videoclipe em fevereiro, e carrega o mesmo astral da primeira faixa. Inclusive, o clipe traduz muito a energia não só desta música, mas de todo o disco. Muitas batidas marcantes, uma sensação de nostalgia e amizade, mas também letras e sons atuais.

“Lovely” vem como um respiro de, literalmente, 34 segundos. O interlúdio instrumental serve de transição para outra conhecida do público, “Black Butterflies & Deja Vu”, que, por sua vez, dá continuidade às faixas energéticas que abrem o disco. Porém, o interessante é que ela sai do senso comum e traz um refrão mais “calmo” do que o restante dos versos agitados e marcados pelas guitarras, o que ajuda a destacar a letra em si.

A quinta faixa se chama “Táxi” e traz consigo uma atmosfera mais romântica e menos urgente. Para mim, ela me relembra um pouco os álbuns mais antigos da banda, mas com uma releitura atual, com versos que crescem até o ápice do refrão, cheio de rimas. E falando nele, preparem para ficar com essas palavras na cabeça: “You’ll never be lonely, you’ll never be lonely…”.

Logo depois temos mais uma já divulgada por The Maine, “Do You Remember? (The Other Half Of 23)”, que tem tudo para ser uma das preferidas para ser tocada ao vivo. Ela é recheada de nostalgia e fala sobre juventude, amizade e lembranças boas. Já é clássico da banda ter uma música desse estilo no álbum, como “Another Night On Mars”, de “American Candy” (2015), e “Like We Did (Windows Down)”, de “Pioneer” (2011). Seguindo em frente, temos mais um interlúdio, “Little”, com pouco mais de um minuto de duração e destaque na bateria de Pat Kirch, além de vozes abafadas.

Partimos para “The Sound of Reverie”, que continua com o sentimento nostálgico e o som e a estrutura desta faixa me fez relembrar músicas e bandas do começo dos anos 2000. Ao ouvir “Lost In Nostalgia”, não pude deixar de pensar nos britânicos da The 1975, uma influência certeira da faixa. Ela faz jus ao nome e The Maine quebra novamente o ritmo agitado do álbum com uma faixa mais suave que as anteriores, que relembra quase um interlúdio por conta de sua curta duração.

Outra quebra é “I Only Wanna Talk To You”, que possui um tom mais grave e agridoce do que o restante de “Lovely Little Lonely” e que inverte seu próprio ritmo ao destacar o violão no refrão, que repete o nome da música diversas vezes. E, de novo, prepare-se para ficar com esses versos na cabeça! O próximo interlúdio, “Lonely”, é mais longo que os outros e até mesmo do que “Lost In Nostalgia”, e é uma continuação perfeita da faixa anterior, com um certo aspecto onírico na voz de John O’Callaghan.

Por fim, temos “How Do You Feel?”. Depois da leveza do interlúdio, essa faixa cresce o ritmo gradualmente e nos leva para o (re)começo do disco, com as tais batidas marcantes e guitarras impecáveis. É um jeito perfeito de terminar a obra, assim como também já imagino essa música finalizando diversas setlists da turnê. As letras são memoráveis e falam diretamente com o fã que as escuta, com perguntas como “You are alive, but are you living?” ou então “Are you complete or is something missing?”.

Com “Lovely Little Lonely”, The Maine prova que continua com a capacidade de surpreender seus ouvintes. Se em “Forever Halloween”, eles trouxeram algo mais melancólico, e com “American Candy”, um som mais leve e descompromissado, agora eles colocam a alma e a maturidade em jogo. Talvez não seja um som tão inovador quando comparado com outros artistas e bandas, mas se tratando da discografia do quinteto, o trabalho mostra unidade e harmonia entre seus membros, justificando os 10 anos da carreira.

Por isso, reforço meu conselho do início desta resenha: ouça “Lovely Little Lonely” de uma vez, do início ao fim e sem parar. Coloque fones de ouvidos, ache uma posição confortável e aprecie as novas músicas que The Maine tem para mostrar ao público.

Confira nossa entrevista com o guitarrista Kennedy Brock aqui.

Tracklist:

1. Don’t Come Down
2. Bad Behavior
3. Lovely
4. Black Butterflies and Déjà Vu
5. Taxi
6. Do You Remember? (The Other Half of 23)
7. Little
8. The Sound of Reverie
9. Lost in Nostalgia
10. I Only Wanna Talk to You
11. Lonely
12. How Do You Feel?

Nota: 9,0

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Marina Moia

Jornalista, bauruense de coração e apaixonada por música desde que se conhece por gente. Viciada em séries, amante de livros e colecionadora de batons coloridos.

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