Resenha: “Não Vai Mais Ter Tristeza Aqui” (2016) – Hateen

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“Não Vai Mais Ter Tristeza Aqui” é o nome do sétimo disco de estúdio do Hateen, e o terceiro desde que a banda começou a trazer materiais totalmente em português. Desde “Procedimentos de Emergência”, lançado em 2006, o Hateen tem se colocado como um dos grupos de hardcore melódico com o melhor caráter lírico no mercado nacional. A mudança de ares parece ter feito muito bem ao grupo que, 10 anos após, segue com discos sólidos.

A música que dá nome ao disco surge logo de cara no registro e é uma pedrada. Intensa e carregada de frases de impacto, a canção é um resumo do que você ouvirá daqui pra frente. “Dizer o que não sente, não vai fazer você ser mais feliz” canta Koala nas primeiras estrofes da música e a frase basicamente dita o ritmo do que virá daqui pra frente. Sinceridade, sem rodeios.

Na sequência temos “Coração de Plástico”, outra daquelas composições atemporais que só o Hateen é capaz de entregar. É incrível como uma banda consegue se reinventar tanto sem perder a sua essência. Essa música tem um ar confessional único, bastante emotiva e com a pegada certa.

Muitas pessoas podem ter ainda aquela visão superficial do Hateen, o que acaba gerando um pré-conceito a respeito das potencialidades da banda. “Perdendo o Controle” é uma canção perfeita pra calar a boca de qualquer um que tenha opinião errada formada sobre o grupo. Encaixa-se perfeitamente num espectro que abraça desde os fãs mais jovens do grupo, até aqueles que já tão na casa dos 30 (ou até mais).

“Passa o Tempo” foi uma das músicas divulgadas antes do lançamento do álbum, ganhando até um lyric vídeo no Youtube. É uma daquelas composições que é tão carregada de sinceridade que chega a machucar. Esse tipo de sinceridade, escancarada e sem muitos rodeios e metáforas, é capaz de gerar arrepios em quem está ouvindo o disco.

O que eu acho mais interessante do Hateen é a forma como as composições se encaixam entre si. “12 Passos” traz diversos elementos de história que já vimos ser abordados em outras músicas até aqui no álbum, só que dessa vez com uma atmosfera diferenciada, um pouco mais sombria e desesperadora.

“Um Homem Que Não Tem Pra Onde Ir” é outra pedrada hardcore que o material traz e volta a elevar o ritmo do disco. “Um Novo Dia Sem Você” é uma das canções que menos me chamou atenção até agora no material. Não que seja ruim, mas parece faltar alguma coisa, apesar de ter uma ponte muito interessante.

A sequência traz “Perfeitamente Imperfeito”, uma música que foge um pouco o caráter confessional e assume um tom de conselheira pra quem está ouvindo. É muito interessante ver o Hateen, no alto de sua maturidade na carreira, abordar esse tipo de composição. “Basta acreditar que todos os seus dias vão melhorar com o tempo. Que todos seus temores, erros, faltas e defeitos fazem de você perfeitamente imperfeito. É assim que deve ser” traz a bela letra.

“Nada a Perder” é outra música que busca uma reflexão geral das coisas, não somente uma abordagem particular das situações do cotidiano. A música abre caminho pra “Deixa a Cidade Toda Saber”, uma das melhores canções de “Não Vai Mais Ter Tristeza Aqui” e, na minha opinião, uma das melhores do Hateen nessa fase de músicas em português.

A música é incrível por si só, sinto um pouco de medo de falar dela aqui e estar dando “spoiler” em quem ainda não escutou o disco. A canção cresce conforme a composição vai envolvendo o ouvinte, criando uma atmosfera que remete muito a “Não Vá” e “Voltar Ao Normal”, do disco “Procedimentos de Emergência” de 2006. A música é conhecida de quem já foi em algum show do Hateen no passado, mas no novo material ganhou uma roupagem diferente.

Mesmo antes do final do álbum, a música surge pra coroar um grande lançamento do Hateen. Encerrando o disco tempos “Despedida (Com Dó Menor)”, uma canção que começa de forma acústica, calma e termina de forma épica. A composição é incrível e remete às tantas reflexões e interpretações que você se sente abraçado por ela. “Saudade é o amor de quem fica aqui sentindo a sua falta” é só uma das frases marcantes que a música traz.

Em “Despedida (Com Dó Menor)”, o vocalista Rodrigo Koala canta “Pra aprender a lidar com a vida não existe mistério… Não leve tão a sério”. Palavras simples e diretas, mas que muitas vezes esquecemos em meio a toda rotina e caos. Ter no disco uma música como essa, que te permite parar e refletir sobre o que se está ouvindo, que te fez ir além de uma interpretação superficial, já torna o álbum excelente.

Porém, o Hateen não acerta a mão somente na música de encerramento de “Não Vai Ter Mais Tristeza Aqui”. O trabalho é sólido, digno de uma banda que tem mais de 20 anos de estrada e já passou por quase todas as experiências possíveis do mundo da música. Apesar de uma ou outra canção com menos destaque, o álbum é mais uma obra incrível e enriquecedora pra cena brasileira.

Esse disco parece repetir a fórmula de sucesso de seu antecessor, “Obrigado Tempestade” de 2011, mas também traz algumas prazerosas novidades. “Sempre” é uma balada onde o Hateen experimenta diferentes elementos que, combinados, resultam numa interessante viagem sonora.

Tracklist:

01. Não Vai Mais Ter Tristeza Aqui
02. Coração de Plástico
03. Perdendo o Controle
04. Sempre
05. Passa o Tempo
06. 12 Passos
07. Um Homem Que Não Tem Pra Onde Ir
08. Um Novo Dia Sem Você
09. Perfeitamente Imperfeito
10. Nada a Perder
11. Deixe a Cidade Toda Saber
12. Despedida (Com Dó Menor)

Nota: 8,5

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Vicente Pardo: Editor do Nação da Música desde 2012, formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal de Pelotas em 2014. A música sempre foi sua paixão e não consegue viver sem ela. É viciado em procurar artistas novos e não consegue se manter ouvindo a mesma coisa por muito tempo. Também é um apaixonado por séries de TV e cultura pop.

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