Halsey encerra “The Girl in the Tower” com show visceral no Rock in Rio

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Crédito: @averagecowgirl

Três anos após sua passagem pelo Brasil como headliner da edição 2023 da GP Week, Halsey retornou ao país neste domingo (13) para fazer sua estreia no Palco Mundo do Rock in Rio 2026. Com início às 21h35, o show se estendeu até 22h50 e marcou também o encerramento da turnê “The Girl in the Tower”.

Construída em quatro atos, a apresentação percorreu diferentes figuras e estados associados à experiência feminina. “The Mother” (A Mãe), “The Maiden” (A Donzela), “The Mage” (A Maga) e “They’re Raging at Me” (Eles estão furiosos comigo) organizaram um repertório que atravessou praticamente toda a trajetória da cantora, de “Badlands” (2015) a “The Great Impersonator” (2024).

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A estrutura também ganhou uma dimensão visual marcada pela estética medieval e por elementos de contos de fadas. A ideia da garota presa em uma torre funciona como fio condutor da apresentação, enquanto os diferentes atos apresentam outras faces da personagem. Nesse contexto, os três primeiros capítulos evocam figuras femininas arquetípicas, antes de o último assumir uma postura mais confrontadora.

Quando ganhou projeção internacional, Halsey tinha músicas mais voltadas ao pop alternativo, ao eletropop e à música eletrônica. Onze anos após o lançamento de “Ghost”, um dos primeiros sucessos de sua carreira e faixa que ficou fora do repertório desta noite, a cantora tem feito apresentações mais intensas e viscerais, especialmente após o lançamento de “If I Can’t Have Love, I Want Power” (2021).

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Produzido por Trent Reznor e Atticus Ross, do Nine Inch Nails, o álbum aproximou Halsey de uma sonoridade mais pesada e experimental, além de aprofundar temas relacionados à maternidade, ao corpo e à identidade. A influência dessa fase aparece também na construção de “The Girl in the Tower”, que coloca diferentes momentos de sua trajetória dentro de uma narrativa única.

Halsey abriu o show com “Nightmare”, faixa de “Manic” (2020), e rapidamente conduziu o público ao primeiro ato. “The Mother” veio acompanhada de “I Am Not a Woman, I’m a God”, “Castle” e “You Should Be Sad”, criando uma sequência que combinou diferentes momentos da carreira da artista.

A escolha de “Castle”, de “Badlands”, ganhou um significado particular dentro da cenografia. A música apareceu inserida na narrativa da mulher confinada e cercada pelas referências à torre que acompanham o espetáculo. O repertório, nesse primeiro momento, reforçou a presença de temas como poder, identidade e controle na obra de Halsey.

Em seguida, a apresentação avançou para “The Maiden”, segundo ato da noite. “Dog Years” e “You Asked for This” deram espaço a um momento mais introspectivo antes de “Bad at Love” aproximar o show de uma das faixas mais conhecidas de seu repertório.

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A atmosfera mudou novamente com “Experiment on Me”. Halsey pediu que o público abrisse um mosh pit e foi prontamente atendida. Ao perceber a reação da plateia, a cantora demonstrou surpresa e felicidade, acompanhando a movimentação com evidente empolgação.

Na sequência, “honey” trouxe outro momento de interação. Antes da música, Halsey falou sobre seu carinho pelas mulheres presentes no festival e dedicou a canção às lésbicas que estavam na plateia.

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“Preciso contar uma coisa: é uma coisa boa eu estar aqui, porque algumas das mulheres mais bonitas que eu já vi na minha porra de vida estão aqui agora. Vocês sabem o que eu amo mais do que qualquer coisa no mundo inteiro? Mulheres. Eu amo mulheres. Amo observar mulheres, amo ver mulheres tendo sucesso, amo ver mulheres se divertindo. Amo ver mulheres sendo sensuais e livres”, declarou.

Depois, a cantora entrou em “The Mage”, terceiro ato da apresentação. “Colors Pt. II” e “Colors” recuperaram um dos elementos mais conhecidos de sua carreira, enquanto a inclusão de “Closer”, sucesso originalmente lançado pelo The Chainsmokers com participação da cantora.

“Hurricane”, de “Badlands”, veio na sequência, seguida por “Without Me”, de “Manic” (2020). As duas faixas reforçaram o encontro entre diferentes períodos da discografia, com “Hurricane” recuperando o álbum de estreia e “Without Me” levando ao palco um dos maiores sucessos da carreira de Halsey.

A trajetória da cantora começou com uma forte associação ao pop alternativo, ao eletropop e à música eletrônica. Ao longo dos anos, porém, sua produção incorporou elementos mais pesados e experimentais. No palco, essa transformação aparece tanto nos arranjos quanto na maneira como Halsey ocupa a cena.

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O último capítulo do show, “They’re Raging at Me”, levou essa tensão para o palco. “Lie”, “Gasoline” e “Lonely Is the Muse” encerraram a apresentação com uma sequência mais agressiva, recuperando diferentes momentos da carreira da cantora.

Ao longo de pouco mais de uma hora, Halsey conectou músicas lançadas em diferentes momentos de sua carreira dentro da narrativa criada para “The Girl in the Tower”. Na estreia no Palco Mundo, o público brasileiro acompanhou a finalização de uma turnê que levou ao palco referências medievais, arquétipos femininos e uma interpretação mais visceral do repertório da cantora.

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Stephanie Hora
Stephanie Hora
Jornalista, apaixonada por música, livros e cultura em geral.