Entrevistamos Bring Me The Horizon sobre “Post Human: Survival Horror”

Bring me the horizon
Foto: @RafaelStrabelli / Nação da Música.
Mar Aberto
Mar Aberto

O aguardado novo EP da banda Bring Me The Horizon será lançado nesta sexta-feira (30), com músicas como “Parasite Eve” e “Obey”, que conta com a participação de Yungblud. Além dele, estão no trabalho nomes como Amy Lee, Babymetal e Nova Twins. A NM já fez uma resenha do lançamento, por Henry Zatz, e você pode conferi-la aqui.

A Nação da Música teve a oportunidade de bater um papo com o vocalista Oli Sykes via Zoom sobre a produção do EP, que foi feita durante a quarentena, a relação dele com o Brasil e também sobre como os fãs podem ajudar a mudar o mundo.

Entrevista por Marina Moia.
————————————– Assista à entrevista (ative as legendas!):

————————————– Leia a íntegra:
Este álbum foi feito durante uma pandemia, é claro. Como foi pra você fazer esse disco em tempos tão estranhos?
Oli: Para ser sincero, o que nos manteve bem nesse tempo doido foi sermos capazes de nos comprometermos com algo grande e pegar esse projeto. Foi estranho, é claro! A maioria das bandas ou todas as bandas que conhecemos sempre gravaram juntos num estúdio. Nós nunca sonhamos que poderíamos escrever músicas pela internet, com as pessoas em casas diferentes. Gravei no meu estúdio aqui em casa e ouvia e mandava as faixas de volta. Não imaginei que fosse escrever uma música ou ainda mais gravar um disco neste período do mundo, com tudo remoto. Foi meio louco, mas definitivamente foi bom ter um projeto enquanto estávamos presos em casa.

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“Parasite Eve” estreou com tudo. Ela mostra bastante o que o EP se propõe a fazer. E tipo, já tem mais de 14 milhões de visualizações no Youtube e teve 1.5 milhões de streams no primeiro dia. Como foi pra você testemunhar o resultado desta música?
Oli: Foi bem animador porque estamos lançando num período sem precedentes em que nem tantas músicas foram lançadas. Ainda estávamos em lockdown e todo mundo estava pensando “o que diabos vamos fazer? O que está acontecendo?”. Para uma banda lançar uma música, não só durante uma pandemia, mas falando de uma pandemia, teve esse grande efeito!

Pareceu que o mundo não estava congelado. Tantas pessoas estavam ouvindo, foi um grande momento que vai ser difícil acontecer novamente porque foi um momento estranho e diferente para se lançar músicas novas. Num lockdown, onde todo mundo estava tão faminto por qualquer tipo de entretenimento. Todo mundo assistiria qualquer coisa porque estávamos tão entediados! Em sua singularidade e estranheza, quando olharmos para isso daqui 10 anos, veremos que lançamos uma música sobre pandemia durante uma pandemia. É bem diferente, acredito.

Este EP está cheio de colaborações. Yungblud, é claro, já foi lançada, Babymetal, Nova Twins, a incrível Amy Lee. Como surgiram essas colaborações? E como foi trabalhar com eles durante esses novos tempos?
Oli: Foi tudo muito fácil, natural e tudo muito orgânico. Todo mundo estava como a gente, sentados em casa. A gente se perguntou se conseguiríamos porque as pessoas poderiam falar que não podiam, que estavam em quarentena, não podiam ir ao estúdio, ou qualquer coisa. Mas todo mundo estava muito animado! Todos queriam fazer algo. Eu perguntava e todo mundo falava “sim, sim, sim!”. Disseram “sim, to indo pro estúdio agora mesmo!”. Estávamos animados simplesmente por podermos sair de casa. As colaborações funcionaram de maneira muito fácil.

Nós entramos em contato com o fã clube da banda aqui, o Bring Me The Horizon Brasil. Eles nos mandaram uma pergunta e vou ler pra você, ok? “Este EP é sobre raiva e angústia, sobre os problemas que nosso mundo está enfrentando. Você disse anteriormente que gostaria que os fãs pensassem em soluções para estes problemas. Então, como podemos mudar o mundo para melhor? Como podemos fazer a diferença?”
Oli: Eu acho que uma coisa que todos nós devemos fazer é nos tornar um pouco mais suaves na maneira que encaramos a vida e que encaramos o mundo. E adotar uma posição sobre os assuntos. Acho que nós devemos deixar nossos cérebros mais leves. Nós todos temos tanto a aprender! Nós não sabemos de nada. Bom, se você tem tanta certeza que o mundo é do jeito que é e que nada pode ser feito ou que isto não pode mudar, então nós nunca iremos progredir! Porque daí continuaremos para sempre com a mesma atitude mental. Acho que este ano nos ensinou isso.

Nós não temos noção de quanta opressão acontece pelo mundo, sabe? Vemos tudo que está acontecendo, sobre a brutalidade policial e o branco oprimindo o negro. Talvez se tivessem nos perguntado até ano passado, a gente falaria que não tem tanto racismo no mundo, só um pouco… Nós não percebemos quão grande ele [racismo] ainda era! E sabe, quando alguém diz que somos todos culpados de sermos racistas, a nossa primeira reação é falar “Não! Eu não sou isso!”. Mas se você ouvir o que a pessoa tem a dizer, você vai perceber que sim, você talvez seja culpado de fazer isso ou aquilo sim. Todos nós precisamos perder um pouco do nosso ego. Sabe, dizer “ok, explique para mim”.

Nós temos tanta certeza de como o mundo deve ser e o que queremos. E estamos mudando as coisas e as pessoas não gostam que as coisas mudem. Precisamos nos libertar disso! Precisamos deixar que as coisas mudem. Precisamos nos libertar da maneira como fazíamos as coisas antes. Não é o bastante dizer que somos humanos. Vejo gente dizendo que é assim que somos, que nós pegamos e comemos carne, que é natural. Tudo bem, mas você não consegue perceber que isso que está fazendo está destruindo o planeta?

Então não importa o que a gente faça, o que é natural ou evolutivo pra gente, nós precisamos evoluir como seres humanos. Se você quer transmitir a mensagem, precisamos começar a aceitar a responsabilidade e sermos mais leves, cuidadosos e amorosos. Começar a pensar além de si mesmo. Ao invés de pensar “ah mas eu gosto do sabor disso”, “eu gosto de fazer aquilo”, sabe, “é o meu direito”, podemos começar a pensar em como fazer a diferença. Porque se todo mundo fizer isso, se cada pessoa fizer a diferença, o efeito seria inacreditável, entende o que eu quero dizer?

Sim! Eu concordo, com certeza! Oli, podemos esperar shows no Brasil quando for seguro? Eu vi que vocês anunciaram alguns shows em outros lugares…
Oli: Com 100% certeza, sim! Assim que chegarmos aí, estaremos aí.

Você é casado com uma brasileira, então imagino que seja bem familiar com a nossa cultura. Você escuta música brasileira? Gosta de alguma banda ou artista?
Oli: Eu escuto, quer dizer eu digo que escuto, a música funk do Brasil. E também, sabe, a versão de vocês do rap, das comunidades do Brasil. Essa música é doida! É muito divertida. Toda batida é tipo [som de batidas com a boca]. Sabe, sempre quando a Alissa sai para tomar uns drinks com amigos, e começa a tocar funk brasileiro, todos começam a dançar. É legal! Eu gosto. Me lembra o Grime, aqui do Reino Unido, da sua própria maneira, acho que é algo bem incrível.

As pessoas saem das favelas, das comunidades, com nada e se tornam essas grandes estrelas. Isso é muito legal! Deve ser muito inspirador para quem mora nesses lugares, onde não possuem muita [oportunidade].

Eu sei que é muito diferente da sua música, mas já pensou em incorporar esse som nas músicas da Bring Me The Horizon?
Oli: Nós tentamos um pouco porque temos essa música chamada “Mother Tongue” e é uma canção de amor para minha esposa e eu falo “Fala amo” e tentamos reproduzir um pouco dessa batida na música, desse som brasileiro. Não sei se ficou muito aparente.

Eu definitivamente amo a cultura brasileira. O jeito familiar de todos vocês. Sempre que vamos ao Brasil ficar com os pais da Alissa, minha esposa, a mãe dela cozinha o dia inteiro! Ela simplesmente cozinha até eu passar mal. E eu amo! É como ficar num hotel. Ela cozinha de tudo. Arroz e feijão, brigadeiro, todas essas coisas. É incrível! Eu amo mandioca! Mandioca é a minha comida favorita.

É ótima mesmo! Então você vem aqui e ganha sei lá quantos kg né?!
Oli: Muito!

Por último, mas não menos importante, você gostaria de mandar uma mensagem aos fãs brasileiros da Bring Me The Horizon? Sinta-se à vontade para falar português se você quiser!
Oli: [tenta falar português, pausadamente] Espero que a gente possa jogar próximo.
[em inglês] Tá certo? Espero que a gente possa tocar aí em breve!

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Mar Aberto
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